a tese
Alfredo Gaspar, deputado de primeiro mandato e ex-promotor alagoano escolhido por Flávio Bolsonaro como vice, carrega passivos graves (desconhecimento nacional, investigação por desvio de emenda e por estupro de vulnerável) que ameaçam justamente o eleitorado feminino indeciso, decisivo na eleição de 2026.
aprofundar
talvez
é política brasileira de peso e bem apurada, mas centrada num vice ainda sob investigação e num quadro eleitoral que pode mudar rápido, então rende mais como acompanhamento do que como análise avulsa imediata para o Bruno.
O que foi dito
- Os apresentadores da Meio descrevem Alfredo Gaspar como deputado de primeiro mandato com longa carreira na promotoria pública de Alagoas, coordenador de grupo de combate ao crime organizado, um perfil de “segurança e ordem” e parlamentar do Nordeste, região onde Flávio Bolsonaro tem seus piores índices de intenção de voto.
- O primeiro passivo apontado é o amplo desconhecimento do nome, sem a projeção de figuras como Nicolas Ferreira, agravado pela trajetória política (foi secretário de segurança e aliado de Renan Calheiros em Alagoas, entrou na política pelo MDB), o que fragiliza a imagem de “bolsonarista raiz” e põe sua lealdade à prova.
- Paulo Figueiredo elogiou a escolha, sobretudo porque Flávio não cedeu à “pressão identitária” de indicar uma mulher (em vez de Júlia Zanata, nome que Eduardo Bolsonaro defendia); os apresentadores tratam esse elogio como termômetro de humor de um pedaço da base, com reações de deboche ao machismo do argumento.
- Politicamente, Gaspar tinha intenções de voto expressivas para o Senado em Alagoas e representaria mais um parlamentar de direita e palanque para Flávio, de modo que tirá-lo dessa disputa enfraquece o campo.
- Gaspar é investigado por desvio de cerca de 6 milhões de reais em emenda parlamentar, tema que Lula prometeu explorar (“vou para a briga por emendas parlamentares”) e cujos inquéritos têm o ministro Flávio Dino como responsável no STF.
- O passivo mais grave é a investigação por estupro de vulnerável, que veio à tona quando os parlamentares Soraya Thronicke e Lindbergh Farias gritaram “estuprador” durante a votação do relatório da CPMI do INSS (que sugeria indiciamento de nomes como Lulinha).
- No dia seguinte, Gaspar divulgou vídeo com teste de DNA de uma jovem que engravidou aos 13 anos, alegando que o filho era de um primo em relação “consensual”, embora a lei não reconheça consentimento de menor de 14 anos; o caso segue em investigação, ele processa Thronicke e Lindbergh por calúnia, e a esquerda alega que o DNA poderia ter sido forjado por seu domínio sobre a justiça alagoana.
- A Polícia Federal pediu ao STF abertura de inquérito (Gaspar tem foro por prerrogativa de função); o relator é Gilmar Mendes, que pediu manifestação da PGR e deixou o caso parado, num cenário em que a eleição está a cerca de 50 dias e Flávio já enfrenta enorme rejeição entre mulheres.
- Os apresentadores enfatizam que o eleitorado em disputa (os 3 a 4% apartidários que já votaram tanto em Bolsonaro quanto em Lula) é 69% feminino, o que torna a candidatura de um vice investigado por estupro “no mínimo perigosa”; como contraponto, citam que Lula também tem um “problemaço” com a corrupção do INSS e com “Marcola” (Marco Aurélio), ex-assessor que pediu para deixar a campanha por causa de um empréstimo.