a tese
Rodrigo Bibo grava sem edição um desabafo de conjuntura: com a eleição de 2026 se aproximando, a fé do crente brasileiro volta a ser medida pelo voto e não pela confiança em Deus, e o púlpito virando palanque é, para ele, inaceitável e caso literal de tomar o nome de Deus em vão.
aprofundar
não
é comentário pastoral de conjuntura, sem argumento teológico novo, e a estrutura é a leitura em voz alta de um post alheio; o que sobra de útil é a lista de livros, em especial Jesus e os Poderes (Wright e Bird) e Religião Estranha (Gupta), se quiser algo sobre igreja e poder no ano eleitoral.
O que foi dito
- Diagnostica o mecanismo do ciclo eleitoral: checar a fonte de um vídeo de político e discordar da conclusão já classifica a pessoa como do “outro lado”, e o outro lado é tratado como inimigo da fé.
- Lê um relato recebido no Instagram de alguém que gostaria que o pastor parasse de falar de política no púlpito e que espera, em vez disso, uma indireta; comenta que o pastor era bom pregador e “se deixou levar pelo algoritmo”.
- Recusa a justificativa de que anunciar a presença de político no culto é honrar autoridades: político visita igreja para ganhar voto, e o irmão que for candidato deveria ser o primeiro a pedir que o púlpito não o promova.
- Estrutura o vídeo comentando os “10 mandamentos das eleições”, publicação de Gutierres Siqueira no Instagram (link na descrição), acrescentando comentário próprio a cada item.
- Primeiro e segundo mandamentos: não fazer de político, partido ou ideologia objeto de devoção, e não fabricar versão idealizada do candidato; quem não enxerga nenhum problema no próprio lado já esculpiu sua imagem, e a voz profética do cristão começa criticando os seus.
- Terceiro mandamento: Deus não manda ninguém votar em candidato A ou B, e quem disse “Deus me falou” em 2022 e viu o candidato perder revela que não era Deus falando; também alerta contra atribuir ao Espírito Santo o que é entusiasmo, medo ou convicção pessoal.
- Sustenta que, embora o templo não seja lugar sagrado, na mentalidade popular brasileira o púlpito é percebido assim, e por isso usá-lo para campanha é uso do nome de Deus em vão.
- Quarto e quinto mandamentos: não deixar a eleição colonizar culto, comunhão, família, amizade e descanso; relata gente que não voltou ao grupo pequeno depois que o momento do café virou discussão política.
- Sexto mandamento: rejeitar violência política, lembrando o caso de 2022 (que situa em Goiânia) de um irmão que atirou em outro por divergência com a postura do pastor, e recusar a celebração da desgraça do adversário, com Jesus fazendo o homicídio começar no ódio verbal.
- Sétimo, oitavo e nono: não adotar dois padrões morais (o que é condenável no adversário continua condenável no aliado), não relativizar corrupção que beneficie o próprio campo, e tratar fake news como falso testemunho, porque mentira favorável à causa continua mentira.
- Indica bibliografia: Religião Estranha, de Nijay Gupta, para mostrar que o cristianismo influenciou o Império Romano servindo e sendo perseguido, sem político crente no poder; Jesus e os Poderes, de N. T. Wright e Michael Bird, que chama de leitura obrigatória do ano; Brasil Polifônico, de Davi Lago, de quem toma a tese de que a bancada evangélica cresceu para promover os evangélicos e não o evangelho; e o apêndice “Carta aos feridos” do próprio livro Igreja Sob Medida.
- Fecha aconselhando conversa honesta com a liderança em vez de abandonar a igreja, mas admite que igreja convertida em militância política é motivo legítimo para pensar em sair.