a tese
Quinto episódio do TD Talk (Bibotalk) sobre textos difíceis, dedicado a 1Coríntios 15:29: o apresentador e Guilherme Nunes percorrem as três leituras principais de "os que se batizam pelos mortos" e concluem que nenhuma é demonstrável, mas que a função do versículo no argumento de Paulo é clara, sustentar a ressurreição corpórea.
aprofundar
talvez
O levantamento das três leituras é honesto e bem referenciado (Thiselton, Fee, Ciampa e Rosner, Hurtado), mas a discussão do ὑπέρ fica no nível de "os comentaristas dizem"; se o Bruno quiser o texto a sério, o ganho está em ir direto a Thiselton e Fee com o grego na mão, não neste episódio.
O que foi dito
- Leem o texto na NVI junto com o contexto imediato (vv. 29-34), observando que o “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” é citação que Paulo reprova, não endossa.
- Primeira leitura, a vicária: ὑπὲρ τῶν νεκρῶν como batismo no lugar de alguém já morto, prática mantida hoje pelos mórmons; os dois a consideram a leitura mais natural do grego e, ao mesmo tempo, teologicamente insustentável, sacramentalismo “elevado à décima potência”, porque faz o rito salvar outra pessoa.
- Guilherme Nunes observa o problema histórico decisivo contra a leitura vicária como prática conhecida: não há registro dela nem no resto do Novo Testamento nem na literatura pagã do entorno de Corinto, é um hápax de prática.
- Segunda leitura, a causal, defendida por Anthony Thiselton (comentário de 1Coríntios) e Lenski: traduzir ὑπέρ por “por causa dos mortos”, isto é, pessoas que se batizam movidas pelo testemunho de fé de parentes ou mártires que morreram; é a preferida pelos dois.
- Terceira leitura, associada a muitos adventistas e a comentaristas como Ciampa e Rosner: batizam-se visando a ressurreição dos mortos, na esperança de rever os que morreram, leitura que tem a favor o fato de o capítulo 15 inteiro tratar disso.
- Citam Gordon Fee como exemplo de comentarista que lista as opções e termina admitindo que não se sabe, e o apresentador assume essa postura, já pregou dizendo que não sabe explicar o versículo.
- Guilherme Nunes apoia-se em Larry Hurtado para lembrar que no primeiro século aderir a Cristo não era levantar a mão, era o testemunho público do batismo, o que torna “aqueles que se batizaram” quase sinônimo de “aqueles que creram”.
- A chave de leitura que oferecem para 1Coríntios 15 é a escatologia hiper-realizada dos coríntios: convencidos de que já viviam o céu no espírito, desprezavam o corpo (daí também a prostituição repreendida no cap. 6) e negavam a ressurreição corpórea.
- Distinguem ressurreição de reanimação: Lázaro voltou à vida e morreu de novo, enquanto ressurreição no Novo Testamento é transformação em corpo glorificado, com Cristo como único caso consumado.
- Fecham defendendo antropologia paulina unitária, psicossomática, e admitem dificuldade com 2Coríntios 5 (“ausentes do corpo”), que o apresentador atribui a estado intermediário mais um Paulo em desabafo pessoal.
- Os últimos minutos são peça publicitária do curso “Teologia Simples” da escola do Bibotalk.