a tese
Bloco de análise do Meio sobre a nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador Cláudio Castro por supostas fraudes tributárias envolvendo a refinaria Refit, lida como mais um problema acumulado na campanha de Flávio Bolsonaro, cujo reduto eleitoral é o Rio de Janeiro.
aprofundar
não
é comentário de conjuntura fluminense com muita fofoca de bastidor e pouca análise estrutural; serve como marcador de contexto para o ano eleitoral, não como material de estudo.
O que foi dito
- Registra a operação deflagrada na sexta-feira contra Castro e aliados, por suposta participação em fraudes na Refit que teriam contado com apoio do governo estadual, e a situa como a terceira ação de busca e apreensão com ele como alvo.
- Reconstrói a trajetória improvável: Castro era vereador quando aceitou ser vice de Wilson Witzel em 2018, numa chapa que ninguém levava a sério e para a qual não se achava vice, justamente porque, tendo mandato, não perderia nada; o comentarista diz ter acompanhado o episódio de perto, à época prestando serviço de marketing político.
- Lembra o desfecho do impeachment de Witzel, que descreve como inédito por não ter recebido um único voto pela manutenção do mandato, nem dos correligionários, e do qual Castro emerge governador, sendo depois eleito em primeiro turno e ficando mais de cinco anos no Palácio Guanabara até renunciar em abril, com o estado hoje sob mandato-tampão de um desembargador.
- Acrescenta a curiosidade partidária: Castro migrou para o PL quando o partido ainda era o centrão de Valdemar Costa Neto, e, segundo o que se dizia então, justamente para se descolar da família Bolsonaro, que pouco depois se mudou para o mesmo partido e caiu no seu colo.
- Usa o primeiro debate da sucessão estadual na Band, no domingo, como termômetro: Castro foi o grande ausente, e Douglas Ruas, presidente da Alerj e candidato do PL, não esboçou defesa alguma do ex-governador, mesmo sendo o candidato da situação num estado que o partido governa desde a queda de Witzel.
- Observa que Ruas também mal mencionou os Bolsonaro, deixando um agradecimento a Jair e a Flávio para uma frase solta nas considerações finais, e contesta uma análise publicada no dia seguinte que teria descrito o mesmo debate como tentativa de defesa de Flávio.
- Elogia Anthony Garotinho como comunicador, separando explicitamente o juízo político: mais de cinquenta anos de rádio, ex-governador entre 1998 e 2002, sucedido pela esposa Rosinha, e de longe o mais à vontade no palco, tendo cutucado Ruas duas ou três vezes com o nome de Castro.
- Faz crítica áspera ao desempenho de outro participante do debate, dizendo que ele erra concordância a cada frase ao falar de educação.
- Fecha com o veredito político: Castro parece caminhar para o mesmo destino de vários ex-governadores fluminenses, e teve o nome praticamente ignorado no debate da própria sucessão, sinal de que não deixa legado.