¶1E é isso. >> O aborto é a interrupção deliberada de uma vida humana. [música] >> Todo o aborto, com toda certeza. >> É, tá travando muito, não, né? O vídeo em si, o vídeo em si acho que tá normal para você, né, San?
¶2>> Tá OK. Tá OK. O vídeo em si, o vídeo tá normal. >> Minha voz também parou de travar, né? Acho que deu uma paradinha de travar também.
¶3Ah, mas enfim. Vamos lá. Ah, só vai trava às vezes, mas mas dá para entender. >> Uhum. Beleza.
¶4>> É o assassinato de um bebê no ventre. O aborto é o nome bonito que se dá, né, para retirada da vida de >> Lembrando aqui, ó, é pró vida versus prócolha, tá, pessoal? Tá aqui, ó. Antes tava como aborto, né? Agora eles mudaram para pró vida versus pró escolha.
¶5Mas >> um inocente. Eu tô grávida de 7 meses. Eu sinto a minha filha mexer, eu ouço o coração dela. Não há como dizer que aqui dentro não bate uma vida. Então, toda vez que a gente defende, né, que o aborto ele seja legalizado no nosso país, a gente tá defendendo o assassinato de bebês.
¶6E o engraçado é que a maioria das pessoas que, >> cara, só isso aqui já dá já dá para ilustrar algumas problemáticas, né? É, já começou complicado >> isso, porque, tipo assim, eh, vamos lá, a questão relevante, né, para se para se no caso, um um embrião ou feto, ele tem direito à vida. Eh, existe a questão de se ele é uma, primeiramente, se ele é uma pessoa. Segundamente, se no caso em todos os contextos, é moralmente impermissível ou não justificável matar uma pessoa, né? eh se não há nenhuma razão ali que possa justificar, no caso, pessoas a serem mortas, né, em circunstâncias específicas e, enfim, e existem outras questões relacionadas a isso, né, ah, relacionadas a >> a outras questões ali que se vinculam com uma espécie de argumento de direito da vida, né?
¶7Ah, então assim, primeiramente [risadas] é controverso que o feto seja uma pessoa, né? Eh, a primeira coisa é justamente essa legação de que o feto, em verdade dele ser uma vida, eh, ele merece direitos, né? Eh, porque assim, existem características que a gente chama de características moralmente relevantes para atribuição ah de ah consideração moral e também de direitos, né? Por exemplo, a pessoalidade é uma característica que é uma característica que se alinha com a questão de algum algum ser vivo, né, ser sujeito de direitos, né, ser passivo e o sujeito de direitos, né? H, então assim, em termos de filosofia de direito e filosofia moral, né, principalmente em termos de ética aplicada, nós usualmente consideramos a o aspecto da pessoalidade como relevante para atribuição de direitos, só que aí que tá.
¶8Aí vai ter uma discussão sobre o que que caracteriza o que nós somos, né? O que que é eu, né? O que que eu sou, o que que o que que é o David, o que que é o o sunk, o que que é no caso ah, enfim, o que caracteriza pessoas, né, genuinamente, né? Qual que o que que estabelece a identidade pessoal e as condições de persistência de pessoas ao longo do tempo, né? Quais são os qual o substrato relevante que permite, no caso, a gente atribuir direitos para as pessoas ou qualquer coisa assim, né?
¶9A primeira coisa que elas devem elas estão pressupondo aqui é que justamente o feto já é uma pessoa desde a concepção, de certo modo, desde a concepção, o feto, né, aliás, o embrião já é uma pessoa, já é dotado de pessoalidade, portanto é portador de direito à vida, de um direito à vida, né? E por isso que não seria moralmente eh eh seria moralmente impermissível, no caso você eh realizar, né, no caso ali, ah, enfim, você matar, né, o o embrião e o feto, né, eh porque no caso seria equivalente a você matar uma pessoa, né, um um sujeito de direito ou um passivo de direito ou qualquer coisa assim, né, enfim, um portador de direitos, né, como direito à vida. E isso não foi argumentado aqui. Elas estão basicamente partindo desse pressuposto que eu presumo que seja vinculado com a visão religiosa delas, né? Cristã, tradicional, né?
¶10Teísta, tradicional cristã, ah, abraâmica, né? Vinculado com a religião abrâmica. E eu e eu presumo, no caso ali que elas não têm uma boa razão para vindicar a teoria de identidade pessoal que se vincula com a tradição religiosa que elas endossam, tá? Então é a primeira controvérsia aí, provavelmente elas endossam alguma teoria da alma, né? seja um dualismo de substâncias, né, onde a alma ela é infusa, né, ela é infundida no âmbito da concepção, né, seja um dualismo ilórfico, né, no caso ali onde a forma, né, a a alma intelectiva, que seria a forma a humana, né, a forma aliada com a substância racional, ah, ela informa a matéria e, portanto, favorece o que a organização da matéria, né, serve como princípio ativo organizador da matéria desde a concepção que permite inteligir aquele ah aquele zig etc.
¶11Como um zigoto, né? Ah, de um de um membro da espécie humana, né, digamos assim, de um membro da espécie humana. Ah, e aí isso se vincula bastante com a coun animalista, né, que a gente chama, né, que vincula a pessoalidade de alguém com o fato dela ser um organismo vivo, né, o organismo vivo ali pertencente, no caso, por exemplo, a espécie humana, né? Eh, e portanto isso é o que caracteriza, né, o fato dela ser um animal, né, racional, né, é o que caracteriza, hã, aquele feto, né, aquele embrião como sendo um embrião da espécie humana e, portanto, como sendo portador de direitos em virtude da de um dos componentes, né, da que caracteriza e distingue a a humanidade em relação aos outros animais é justamente a pessoalidade, né? Ah, então basicamente, ela tá indo um desses dois ecouts metafísicos, só que essas visões são controversas, né?
¶12A Thateas, né, até onde eu sei, ou pelo menos secularistas, né? Eh, e elas não endoscostam esse tipo de identidade, eh, teoria de identidade pessoal. Então, assim, eh, para ela vindicar essa posição delas, né, para elas vindicarem essa posição delas, elas teriam que cumprir o bônus da prova de argumentar em favor dessa teoria de identidade pessoal, em primeiro lugar, né, ã, para tornar razoável essa ideia de atribuição de direitos pro feto no âmbito eh pro embrião e o afeto no âmbito da concepção, tá? No âmbito da concepção. Então, esse é o primeiro ponto que eu gostaria de fazer, né?
¶13Eh, um segundo ponto é que há argumentos que estabelecem, né, tentam estabelecer que mesmo se a gente recorre a uma visão, né, aristotélica ali, né, de potencialidade real vinculada ao feto, né, de que eles eles ser uma pessoa potencialmente ah, potencialmente ali uma pessoa, né, e essa potencialidade ser uma potencialidade real vinculada com a natureza da própria coisa. Ainda assim existem argumentos, como por exemplo em termos do da Elizabeth Harman, né, que é um argumento em termos do do princípio do futuro real ou futuro atual. Ah, que ilustr basicamente que no caso somente ã somente fetos vinculados a pessoas atuais, né, a pessoas atuais a é que tem, né, é que de fato são vistos como sendo pessoas genuinamente, né, porque no caso a gente visualiza que há situações onde há abortos espontâneos, né, abortos espontâneos ou outras eventualidades ah que favorecem com que satisfetos jamais se concretizem contra uma pessoa atual, né, uma pessoa atual. e que o que estabelece de fato o status moral de uma pessoa generalmente é se ela é uma pessoa atual, se ela é uma pessoa atual e não se ela é uma pessoa meramente potencial, mesmo que essa potencialidade seja uma potencialidade real vinculada com um organismo específico, né, em virtude de um account ali dualista morrfico ou qualquer coisa assim, né? Então é um argumento no caso que a Elizabeth Horman menciona, né, e traz no texto dela da ofortion, né, de 2025 ali na Stepal.
¶14Então existe esse tipo de argumentação também, né, para minar a ideia de que ã de que o que importa é uma pessoa potencial, né, a uma pessoa impotencial, né, nesse caso aí o feto como sendo uma pessoa impotencial. Ã, em contraposição, no caso ali ser uma pessoa atual, né, eh, ser uma pessoa atual ali, ah, que é justamente o que nós intuitivamente visualizamos com o aspecto relevante para atribuição de status moral, né, e, portanto, atribuição de direitos, por exemplo, para aqueles organismos ou qualquer coisa assim, né? Eh, mesmo tomando como base essa essa cult metafísico, ainda assim, eh, claramente o Zigoto não é a pessoa atual, ele é uma pessoa potencial no sentido de não estar plenamente realizado e plenamente completo enquanto uma pessoa genuína, né? Com todos os aspectos que caracterizam uma pessoa atualizados neles, de modo a favorecer a atribuição de direitos para ele, né? Então essa é uma forma de se rebater, né?
¶15Ainda assim assentando mesmo assim uma noção animalista, né? Vinculada com uma visão de dualismo elemórfico, né? na metafísica de identidade pessoal e ainda assim minar essa ideia de que, enfim, o embrião e o feto, né, eles possuem status moral relevante, né, ao ponto de serem portadores de direitos, né, como direito à vida. Ah, então seria uma maneira de minar isso daí. E tem também outros argumentos, né, mas enfim, eu vou deixar você aqui comentar algumas coisas aí e a gente pode prosseguir.
¶16>> Perfeito. Eh, eu ia comentar também que é porque essa abertura dela é muito carregada, né? Eh, tem uma coisa que a gente chama de fic concepts em na ética, né, que quando você pega um conceito e se você usar ele, você já assumiu uma oposição, né? Então, se eu chamar o aborto de assassinato, automaticamente eu já estou dizendo que ele é errado. Então, quando a gente escolhe a palavra assassinato para descrever o aborto, a gente já tá assumindo que o aborto é imoral.
¶17Então essa palavra não é boa de ser usada no debate logo no começo, porque é uma coisa que você é a tese que você tá defendendo, né? Para você defender que o aborto é imoral, primeiro você tem que defender que ele ele é um assassinato, é alguma coisa parecida com isso, alguma coisa errada por algum motivo. Então, se você já usa a palavra assassinato logo no começo, você já tá eh enviezando um pouco o debate, porque você já tá usando um conceito carregado moralmente. Outro conceito importante, que é o que o David comentou bastante, né, que é a questão de vida humana, né, e essa palavra ela é bastante confusa, porque por vida humana a gente geralmente quer dizer duas coisas bem diferentes, né? Geralmente quando eu falo de vida humana, eu posso estar falando, por exemplo, da vida de um espermatozoide, da vida de um óvulo, da vida de um zigoto.
¶18E aí, nesse caso, eu estou falando de vida biológica, vida de um organismo biológico que pertence à espécie humana. Então, qualquer organismo biológico vivo que pertença à espécie biológica humana é um é uma vida humana. Só que essa esse tipo de de argumentação, ele vai ter que mostrar por o pertencimento de um organismo a uma determinada espécie biológica tem status moral. né, que é a discussão sobre status moral, né? O que que o que que dá um a um organismo, a um indivíduo, a um sujeito, um status moral que faz com que a sua vida seja digna de ser protegida ou que faz com que ele tenha que possa gozar de certos direitos.
¶19Então, quem defende que o critério biológico é o que conta, precisa argumentar por pertencer biologicamente a uma determinada espécie confere a um organismo certos direitos. Por outro lado, né, nós temos uma outra noção de vida humana, que é quando eu falo, por exemplo, assim, qual que é o sentido da vida? A vida humana é bela? Ou quando eu falo assim, por exemplo, a pergunta, né, o sentido da vida, eu não tô falando de vida biológica, né? Eu tô falando de vida que existindo, tendo experiências, sendo sujeito de experiências.
¶20Então, um outro sentido de vida humana é um sentido que aparece nas expressões qual o sentido da vida ou não vejo sentido na vida ou a vida, a vida vale a pena ser vivida, que é a vida biográfica, é a vida como sujeito de experiências. E aí esse outro sentido de vida, né, é a vida com consciência, com subjetividade, com experiência. E aí sim a gente tem a a possibilidade de perceber mais claramente porque que esse tipo de vida eh tem algum status moral, né? Porque esse esse tipo de vida, como é uma vida de ser sujeito de experiências, de ser capaz de sofrer, de ser capaz de ser privado de um determinado futuro ou de ser capaz de ter seus interesses frustrados. E aí sim a gente consegue perceber um pouco mais como que a gente começa a falar de um status moral, que esses interesses contam, que esse bem-estar conta, que esse ser não sofrer conta.
¶21E aí a questão se torna, então quando que o feto se torna uma vida humana no sentido de um de um sujeito de experiências, né? E aí é uma outra outra questão, né? Quando que o feto se torna uma vida como sujeito de experiências. Então é importante distinguir esses dois sentidos de vida humana, né? vida humana como uma vida meramente biológica que um organismo tende por meramente fazer parte da espécie humana de vida humana no sentido biográfico ou no sentido experiência.
¶22E aí então o David Ribeiro trouxe, né, tem uma tradição metafísica, eh, que tenta trabalhar com a ideia, né, a de vida, como a alma racional presente num determinado organismo. Mas aí entraria uma outra discussão também de como que a gente identifica que um organismo ele é portador de uma alma racional. Porque até o século XIX, por exemplo, a posição mais comum entre os ilemorfistas, que é aqueles que o David Ribeiro citou, que defendem que a alma é uma forma do corpo, a posição tradicional era de animação tardia, né? Então, tradicionalmente se pensava que o feto se tornava uma vida humana quando ele passava a mexer, a ter movimentos no interior do útero. Tanto é que Santo Agostinho não considerava o feto uma vida humana, né?
¶23Agostinho diz explicitamente que é um equívoco tratar o feto como uma vida humana e que é um erro achar que o aborto é assassinato. Ele diz explicitamente exatamente isso, né? ele era contra o aborto, mas não por ser interromper o processo de uma vida humana real e presente, né? Tomás Jaquino também, né? Interpretava que o feto só se tornava uma vida humana por volta de 40 a 60 dias de gestação, né?
¶24Essa posição só foi mudar lá pro século XIX, quando a biologia moderna deixou mais explícito, mais claro que o zigoto ele já possuía um DNA humano completo. E aí então os os biólogos católicos eles mudaram de posição e passaram a defender que isso contava como uma evidência de que uma alma humana já deveria estar presente desde o zigoto. Porque se esse zigoto já tem um DNA humano completo, esse zigoto, então essa matéria já está predisposta, já está organizada de tal moda, de tal modo, a exemplificar ou instanciar uma alma humana. Então isso é uma posição que mudou recentemente, só que o difícil desse tipo de posição é que tem uma carga metafísica muito grande, né? que aí quem defende que quem defende noções de substância, alma, elomorfismo, quem defende que a gente define pessoa como substância racional, precisa fazer um exercício de convencer o oponente do porqu adotar essa metafísica específica, esse tipo de metafísica bastante carregada sobre o que é uma pessoa humana.
¶25Por que que eu tenho que me comprometer com noções como substância racional, né? noções que parecem até ultrapassadas se a gente considera a biologia mais atual, que a gente pensa que há muito mais uma continuidade entre a espécie humana e outras espécies. Ou seja, a ideia de separar o ser humano é um animal racional e os demais animais não são racionais e são brutos, como se houvesse uma espécie de ruptura entre a animalidade bruta e a animalidade racional. é algo que parece não muito condizente com a biologia atual, onde a relação entre os seres humanos e as demais espécies é mais concebida como contínuo do que uma espécie de ruptura eh entre humanos racionais e animais não racionais, né? Na verdade, existentes de racionalidade e alguns animais não humanos exemplificam certos graus de racionalidade.
¶26Então, trabalhar com essa noção de alma como de pessoa como substância racional, que é uma noção metafísica carregada e que em certa medida talvez esteja até desatualizada, eh é algo que a posição que adota esse tipo de concepção de pessoalidade precisa argumentar a favor, né? Porque a a gente que não adota esse tipo de visão não é obrigado a comprar esse tipo de coisa. >> Sim, sim. Aí o Iniscaritates tá comentando aqui. Eu acho que ele deve ser tomista, né?
¶27Eu acho do teista clássico. Ó, ele tá dizendo assim: "Isso é uma falsa dicodomia. Não compreendeu o estatuto ontológico de princípio, nem potência, nem ato. A vida sempre foi explicada em termos de princípios vitais. A definição clássica de pessoa já explica essa questão e a resolve suficientemente bem".
¶28Aí ele diz o quê? A racionalidade é a natureza da pessoa, não é a própria pessoa. Hã, há uma distinção aqui. Eh, os antigos não possuíam instrumentação científica para calificar o ponto onde se começa a vida. O princípio desse movimento vital já se torna presente a partir do ato de predisponência da fecundação.
¶29Quer comentar alguma coisa sobre isso, >> então, aí aí que tá, né? Ah, aí a gente tem uma concepção metafísica bastante específica, uma maneira de definir pessoa como substância racional. O que os os era o problema, né? Na anteriormente você se tinha duas posições majoritárias sobre como a o feto se tornava uma alma humana. Você tinha uma posição que era de desenvolvimento gradual.
¶30Então o feto primeiro ele é uma alma vegetativa, depois ele é uma alma sensitiva e depois ele é uma alma racional. Então ele vai adquirindo eh faculdades específicas ao longo do processo embrionário. E aí à medida que ele vai adquirindo essas novas faculdades, ele vai se tornando uma alma racional. Existe uma outra posição que é uma posição de infusão da alma. Ah, a primeira posição era chamada de traducionismo, né?
¶31A posição de que a alma ela vai se desenvolvendo gradualmente, ela herdada dos pais e vai se desenvolvendo gradualmente. Havia uma outra posição que é chamada de criacionismo antropológico sobre a alma, que é a posição segundo da qual a alma ela é infundida diretamente no feto por Deus, quando esse feto se torna capaz de instanciar uma alma. E isso, né, ah, seria por volta das dos 40 dias de gestação, 60 dias de gestação, quando o organismo biológico do feto, ele seria capaz de instanciar ou de ou de ter nele ou de ser informado por uma por uma alma humana. Nesse caso, Deus infundi uma alma no feto quando ele se tornava capaz disso. E o sinal de que uma alma passou a estar no feto é o é de que ele se movia no organismo.
¶32Essa posição se foi mudada, né, no século XIX por causa disso, né, ah, por causa da da ideia de que o zigote ele já tem um DNA humano completo, né? ele já tem ali todos os cromossomos, todas as propriedades, todas as predisposições para ter todas as faculdades que um ser humano vem a desenvolver. Então, a o momento de infusão da alma ou momento de de que o organismo já é uma alma racional se tornou o momento da concepção. E nesse caso, a partir do século XIX, então eles falam do feto como já tendo uma alma em ato, mas ah como não tendo tendo a operação da racionalidade apenas em potência. é que a gente chama às vezes de ato segundo, né?
¶33Se, sei lá, ah, você você já tem uma você já tem uma uma faculdade presente que é a faculdade da racionalidade, mas essa faculdade, embora ela exista em ato, ela ainda não está em operação. Então, a operação da racionalidade, ela ela ainda está em potência. Então, a faculdade da racionalidade estaria atualmente presente, mas a operação da racionalidade estaria apenas eh potencialmente presente. Então, faculdade presente, operação potencialmente presente. Esse tipo de concepção metafísica é muito carregada e assim há um uso um pouquinho conveniente da biologia, porque se a biologia fosse levada a sério a biologia moderna, a própria definição de pessoa humana como substância racional já deveria ser problematizada de princípio, visto que a racionalidade ela não é um tudo ou nada, não é?
¶34Se esse organismo é racional, esse organismo não é racional. Na verdade, a relação da racionalidade entre seres humanos e organismos não humanos, ela é gradativa, ela ela está num contínuo, né? Então, diz, digamos assim, não é que os membros da espécie humana eles possuem racionalidade e os membros de outras espécies não possuem racionalidade. Então, se a gente for incluir todo tipo de organismo que manifesta algum tipo de racionalidade dentro do conceito de pessoa, a gente teria que expandir esse conceito além das fronteiras da espécie humana hoje, se a gente for levar a sério a biologia, então a gente teria que dar uma dar uma modificada no conceito ali do Aristóteles, dar uma expandida, talvez. Eh, se torna estranho também, né?
¶35se torna meio, tem umas tentativas de salvar, né, de falar assim, não, mas a racionalidade que a gente tá falando é uma racionalidade só discursiva, que só só se trabalhar com proposições e aí se tornam critérios bastante estranhos assim para tentar salvar um pouco do aristotelismo. Mas o que mais é complicado é que essa posição ela é muito carregada filosoficamente. Quando a gente tá num debate sobre ética, se a gente vem com uma uma posição muito metafisicamente carregada, isso não é um bom sinal. Isso é um sinal ruim, >> né? Num debate de e no debate de ética, se uma pessoa chega com muita bagagem metafísica, isso é péssimo pro debate ético.
¶36Porque se sua posição ética ela realmente for boa e convincente, ela deve ser capaz de convencer pessoas que não partilham dos mesmos pressupostos metafísicos que você. Você tem que ser capaz de de apelar para as intuições morais da outra pessoa. Você tem que ser capaz de apresentar argumentos que possam ser avaliados sem comprar demais pacotes metafísicos. Então, se você chega assim: "Olha, para adotar minha visão, meu argumento a favor, meu para adotar meu argumento contra o aborto, você tem que acreditar na metafísica aristotélica, você tem que acreditar na metafísica atomista, você tem que definir pessoa como substância racional. Vou falar assim: "Olha, você vai ter então que ter um trabalhão para me convencer disso, porque [risadas] para se para eu a Michele, a Thaí a Michele e a Tai não acabou metafísico, né?
¶37>> Elas gostosam, pelo que eu noto a a Michele ela eu eu porque assim ambas não tm um aprofundamento filosófico, né? Acho que a Tai tem um pouquinho mais de aprofundamento filosófico, mas não deu para ela abordar muita coisa, né? Mas mas assim, eh, o o Ign tá falando o o Ignarit está falando, mas o convencimento do outro é um aspecto secundário. Hum, hum, humum. Numa discussão dessas disputando sobre ética do aborto, não é secundário não.
¶38Ah, acho que não é isso que está em discussão. É isso que tá em discussão. Você tem que convencer o outro também. Ah, um ponto relevante é você demonstrar pro outro, né? Você tentar ser convincente pro outro também de que a posição do outro está errada, né?
¶39E a sua está correta. E aí para defender essa sua posição metafísica, você vai ser sujeito a inúmeras objeções metafísicas, inclusive. E aí para você defender esse ponto, quanto mais controversa a teoria que você tá utilizando para tentar defender o ponto que você quer, mais difícil vai ser para você avançar esse ponto, né, para você sustentar esse ponto, porque tem tantos pontos controversos que a pessoa pode objetar em vários pontos, >> né, e pode rejeitar até as premissas ali, ela pode mostrar undercuting the feeders, né, que é derrotadores rasteiros, ela pode ilustrar razões que favorecem ela negar as demonstrações metafísicas que você traz, né? M. >> [limpando a garganta]