A apresentadora, católica que retornou à igreja em 2022, celebra a conversão de Joe Schmid ao catolicismo e usa a ocasião para atacar a tese protestante de Fred Sanders (a de que os pais da igreja pertencem também aos protestantes), sustentando com citações patrísticas que Maria, os sete sacramentos, os deuterocanônicos e a sucessão papal já estavam ali desde o século I. O fio condutor é que sola scriptura autoriza a "cooptação" indevida dos pais da igreja.
não
é apologética devocional de reação, sem interlocução real com o argumento histórico de Sanders e com erros verificáveis (data dos deuterocanônicos, Lourdes, Irineu listando "todos os papas", microquimerismo mariano), útil ao Bruno só como amostra do tipo de reação que a conversão de Schmid está gerando.
O que foi dito
- Abre com o clipe em que Joe Schmid, doutorando em filosofia em Princeton e até então agnóstico e crítico público do teísmo e do catolicismo, anuncia sua volta à Igreja Católica e promete um vídeo longo com o caso completo, e ela comenta que o céu comemora e que a família devota dele provavelmente rezou anos por isso.
- Exibe trecho de Sean McDowell entrevistando Fred Sanders, que defende instalar a “grade histórica” antes da grade denominacional: a igreja fundada por Cristo não entrou numa cápsula do tempo por 1500 anos, a divisão confessional só vale a partir de 1517, e portanto Tomás de Aquino, Bernardo de Claraval, Agostinho, Atanásio e Irineu são herança e propriedade intelectual do cristão protestante.
- Acusa Sanders de cooptar os pais da igreja, apresenta as próprias credenciais biográficas (criada católica, luterana em 2003 pelo casamento, batizada na igreja batista em 2011, retorno ao catolicismo em 2022) e anuncia que vai refutá-lo com citações patrísticas.
- Dá como primeira razão do retorno a mariologia (virgindade perpétua, mãe de Deus, assunção em corpo e alma, coroação como rainha do céu lida em Apocalipse 12, e Maria como contraparte virgem de Eva ancorada em Gênesis 3:15), e como segunda a remoção dos sete deuterocanônicos pelos protestantes, que ela data “oficialmente no século XIX”, citando William Albrecht (canal Patristic Pillars) e Gary Michuta e afirmando que 1 e 2 Macabeus confirmam o purgatório.
- Passa aos sete sacramentos e cita Inácio de Antioquia, Carta aos Esmirniotas (por volta de 107, e ela o apresenta como amigo do apóstolo João), sobre os que se abstêm da eucaristia por não confessarem que ela é a carne de Cristo, sustentando a transubstanciação diária com João 6:53 e a instituição na última ceia, e emenda a mesma carta na exortação a seguir o bispo como Cristo segue o Pai.
- Constrói a sucessão apostólica com Mateus 16 (Pedro, a rocha, as chaves) e Isaías 22, afirma que a igreja foi construída sobre os ossos de Pedro na basílica do Vaticano, e recorre a Irineu de Lyon (Contra as heresias, por volta de 170) tanto pela lista de bispos romanos de Lino, Anacleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sótero e Eleutério, quanto pela fórmula da “preeminente autoridade” de Roma, que ela vira também contra a Igreja Ortodoxa Grega.
- Acrescenta Clemente de Roma (1 Clemente 42 e 44) para a ordenação de bispos e diáconos e para a ordem sacerdotal, e Agostinho (por volta de 397) com o “o consenso dos povos e das nações me mantém na igreja” e com a pergunta a Petiliano o donatista sobre a cátedra romana em que Pedro se sentou, além de Tomás de Aquino sobre o papa como cabeça da igreja em seu pontificado. Conclui comparando a Bíblia ao peru na mesa do banquete, com sacramentos, tradição e catecismo como o resto do prato.
- Retoma Schmid com o clipe sobre a primeira dúvida na sétima ou oitava série, quando o colégio católico ensinou evolução e ele precisou reconciliá-la com Adão e Eva, resolvendo pelo evolucionismo teísta de Francis Collins e do BioLogos, e ela desvia para argumentos próprios de teologia natural: beleza das igrejas europeias, sequência de Fibonacci em conchas e galáxias, Romanos 1, e depois cumprimento profético (Marcos 14:62, Daniel 7 e 9, Malaquias 3:1, Isaías 53, Salmo 22, Zacarias 9:9), com uma cronologia própria dos decretos de reconstrução de Jerusalém em 457 e 444 a.C.
- Fecha nas aparições marianas mencionadas por Schmid (Lourdes, que ela data erradamente em 1884, Fátima em 1917, Zeitoun no Egito diante de milhares de muçulmanos, e Akita em 1973 com aviso de “grande fogo”), defende a imaculada conceição pelo κεχαριτωμένη de Lucas 1:28 e adiciona um argumento de microquimerismo segundo o qual Maria reteve células de Jesus, e convida Schmid ao canal admitindo que é pequeno demais para atrair nomes grandes.