a tese
Pedro Doria e Cora Rónai conversam sobre a coluna dela no Globo a respeito de drones e argumentam que a guerra barata por drones deixou de ser monopólio de Estados e se democratizou, chegando ao crime organizado e a atores não estatais, o que torna o mundo mais inseguro.
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Boa conversa de jornalismo de tecnologia e segurança, sem ângulo teológico, filosófico ou exegético que renda sessão do Bruno.
O que foi dito
- Cora abre lembrando as previsões furadas do fim dos anos 2010 (carros autônomos virando tudo Uber, entregas por enxames de drones), que não se concretizaram, para dizer que o uso realmente disruptivo do drone não estava no radar dela na época: a guerra.
- O ponto central é a inversão de custo: antes fazer guerra pelo ar exigia caças e bombardeiros de dezenas ou centenas de milhões de dólares, coisa de governo; agora um drone iraniano de ataque custa cerca de 40 mil dólares e um drone comercial adaptado sai por uns mil.
- A guerra da Ucrânia virou um laboratório mundial de drone barato, e a assimetria econômica é perversa: os EUA e Israel derrubam drones iranianos de 40 mil dólares com mísseis Patriot e caças que custam dezenas de milhões, uma conta que não se sustenta.
- Doria enfatiza o caráter dessublimado e sádico do drone com piloto remoto: há vídeos de operadores perseguindo um soldado que já podiam ter matado, prolongando a caçada por prazer, “como gato com rato”.
- A tecnologia escorreu para fora dos Estados: o Comando Vermelho no Morro do Alemão teve fila para aulas de drone dadas por um brasileiro que serviu como voluntário na Ucrânia, e o mesmo fluxo de veteranos alimenta cartéis mexicanos, grupos na Colômbia e a junta de Mianmar.
- Cora cita o caso do drone armado encontrado ao lado de um avião ucraniano na área restrita de um aeroporto alemão vital para a OTAN, que não detonou por falha técnica, como prova de que não há mais alvo protegido.
- Menciona ataques de drone a civis no Sudão (um funeral com 65 mortos, mulheres e crianças) e o uso de “duplo toque” em Mianmar, atingindo quem socorre as vítimas.
- Avaliam que o drone segue caro para pessoa física, mas baratíssimo para organização criminosa, com peças cada vez mais imprimíveis em 3D e oficinas montáveis em qualquer quintal, sem os hangares e fábricas que um avião exige.
- Alertam para o cenário urbano: no Rio, um drone derruba um helicóptero da polícia com facilidade, e quase ninguém está escrevendo sobre defesa contra essa ameaça.
- A conversa fecha com Cora justificando o disclaimer autoirônico da coluna (“uma velhinha entre gatos e livros”) e uma digressão leve sobre a série de Doria no Instagram a respeito de sotaques brasileiros.