a tese
Central Meio com Yasmin Restum, Alexandre Borges e Flávia Tavares sobre a disparada do escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que saltou de cerca de 1% para 8-11% e assumiu o terceiro lugar na corrida presidencial, encarnando a demanda por um "pai" ponderado fora da polarização.
aprofundar
não
Análise eleitoral longa e boa, mas do interesse do Bruno só na medida em que ele acompanha a política brasileira; sem densidade teológica ou filosófica que peça sessão.
O que foi dito
- As pesquisas divergem (BTG Nexus 11%, Atlas 7,8%), mas todas confirmam crescimento exponencial após o debate da Band, a sabatina do Jornal Nacional e a tração nas redes, parte orgânica e parte aparentemente artificial (perfis do exterior, Iêmen, Bangladesh).
- Flávia detalha microdados: crescimento concentrado na região metropolitana de São Paulo, 70% da intenção vinda de mulheres, roubando votos sobretudo de Flávio Bolsonaro e de indecisos; eleitorado menos consolidado (40% admitem mudar, contra 15% de Lula e Flávio).
- Borges lê o fenômeno pelo arquétipo do sábio/mentor da jornada do herói (Yoda, Obi-Wan): num país “no divã”, Cury oferece a figura do pai não agressivo, reforçada pelos vídeos das filhas, em contraste com a família Bolsonaro que briga.
- Ambos evitam tratá-lo como “meme” ou “doidinho” (o que o diferencia de Pablo Marçal): é o “Paulo Coelho deste século”, mais de 35 milhões de livros e patrimônio de R$ 242 milhões, coach à moda antiga, do livro físico.
- Flávia antecipa o escrutínio que virá: as teorias pseudocientíficas de psiquiatria/saúde mental de Cury (comparado a Lair Ribeiro), a proposta de 80% do SUS por telemedicina (sendo ele sócio de empresa do ramo), influenciadores no lugar de embaixadores, drones contra feminicídio.
- Cury propõe, via o vice Júlio Delgado, três reformas: semipresidencialismo (modelo francês), reforma do STF (nove ministros, mandato de 8 anos, idade mínima de 50, cota feminina) e um “superministério” de relações exteriores nos moldes americanos.
- Borges insiste, contra o público do chat, que analisar o fenômeno não é endossar o candidato, e faz longa digressão sobre não confundir crítica com militância.
- Diagnóstico final: Cury é hoje “casca mais que substância”, sem estrutura partidária (campanha de R$ 200 mil), sem adesão de setores (mercado, agro, indústria) e vulnerável ao “antipetismo de chegada” (o voto útil que volta para Flávio); Zema é dado como desistente e Caiado punido pela falta de ousadia.