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A explosão de Alexandre de Moraes no caso Master | Cá Entre Nós

a tese

No comentário "Cá Entre Nós" (1º de setembro), Flávia Tavares analisa a nova rodada de vazamentos do caso Master e argumenta que, embora Moraes deva muitas explicações, defendê-lo agora não é mais razoável, e o vazamento seletivo a contagotas é tão perigoso quanto abrir tudo de uma vez.

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É análise política de conjuntura bem escrita, mas de interesse pontual; boa para o Bruno situar a crise do STF na eleição, sem render trabalho teológico ou sessão dedicada.

O que foi dito

  • Abre com a reportagem da Piauí que pegou Flávio Bolsonaro em nova mentira: ele jurava que o último repasse de Vorcaro ao filme “Dark Horse” fora em maio de 2025, mas documentos do COAF mostram US$ 1,6 milhão enviado em setembro, elevando o total conhecido de cerca de US$ 10,6 milhões para mais de US$ 12,2 milhões; a assessoria respondeu com escárnio.
  • O Estadão passou a vazar partes do relatório da PF sobre os metadados do celular de Vorcaro e suas conversas com Moraes; Mendonça, relator, pediu informações à PGR e depois tirou o sigilo, e ao saber disso Moraes teria confrontado Mendonça e quase partiram para as vias de fato (“a guerra tá on no Supremo”).
  • Três novidades do relatório: Moraes teria editado pessoalmente o contrato de R$ 131 milhões do escritório da mulher (o gabinete alega checagem de conflito de interesses, o que Flávia chama de escárnio); a mensagem de Vorcaro “médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?” sugere diálogo real, não monólogo; e Vorcaro bancou cartões de R$ 300 mil para dois filhos de Moraes e transferiu parte de um jato Legacy 650 a Viviane.
  • Flávia expõe o dilema: retirar o sigilo de tudo daria sensação de transparência no curtíssimo prazo, mas atropela o devido processo, condena todos de imediato e abre espaço a aventureiros justiceiros, lição que a Lava-Jato já ensinou ser perigosa; já o vazamento seletivo tem o mesmo efeito com a perversidade de beneficiar um grupo político por vez.
  • Faz o balanço dos beneficiados pelos vazamentos do dia: Flávio Bolsonaro se sente à vontade para pedir a saída de Moraes sem explicar os R$ 65 milhões que recebeu do mesmo corruptor; Andrei Rodrigues (PF) reclama de Mendonça sem explicar a viagem paga a Londres; Gonet apareceu sorridente com o advogado de Vorcaro; e Moraes sai com a imagem muito mais arranhada do que se imaginava.
  • Distingue os momentos: defender Moraes em 2022, quando conteve a tentativa de golpe, tinha custo alto mas equação simples; defendê-lo agora é insustentável, porque se trata de conduta individual que precisa ser explicada e que enfraquece a própria instituição, assim como Toffoli e Nunes Marques devem explicações e Mendonça terá de prestar contas da condução e dos vazamentos.
  • Conclui que o país pisa em terreno movediço entre cobrar a conduta de cada ministro e preservar a instituição, tarefa “para democracias gigantes e maduras”, e que é justamente isso que dá medo.

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