a tese
No BTCast 663, Rodrigo Bibo, Alex, André Hank e Alexandre Miloranza discutem por que a igreja continua necessária e como lidar com a dúvida, o desigrejamento, o sectarismo doutrinário e a disciplina, ancorados no lançamento do Kit 05 da coleção Teologia para Todos.
aprofundar
talvez
Conversa rica e madura sobre eclesiologia, dúvida e sectarismo, com fontes boas (Tillich, Barth, Bonhoeffer); interessa ao Bruno pelo tema do desigrejamento e do zelo doutrinário sem sectarismo, mas é papo de podcast, sem aprofundamento sistemático de nenhum ponto.
O que foi dito
- O episódio é ao vivo e serve de lançamento de três livros da coleção (Thomas Nelson): “A fé pode duvidar” (André Hank), “Para que serve a igreja se tem internet?” (Alex) e o de Miloranza sobre voltar ao primeiro amor.
- André distingue tipos de desigrejado e defende que o mais comum, na experiência pastoral dele, não é o descrente de Jesus, mas quem passou a descrer da utilidade da igreja porque o caráter da comunidade não refletia o Cristo das Escrituras; cobra mais olhar pastoral dos livros que “põem a conta” no desigrejado e não na igreja que o feriu.
- Levantam o “burnout espiritual” e o “detox da igreja”: quando a comunidade de comunhão vira lugar de ativismo e tarefas, a pessoa se sente sugada e sai; Alex relata ter sido intoxicado de ativismo entre 16 e 18 anos.
- Sobre a igreja ser “santa” apesar dos escândalos, respondem que a santidade é atributo de Cristo que santifica o corpo, não perfeição dos membros, apoiando-se em Paulo chamando os coríntios de “santos” e “chamados a ser santos”.
- André argumenta que a dúvida gerada pela igreja é a mais séria de todas (mais que a da ciência, do sofrimento ou da doutrina) porque atinge o cerne do evangelho: o mau testemunho é testemunha de que a transformação anunciada não funciona; o remédio, diz, é a história (o sacerdócio do AT é horroroso, do bezerro de ouro aos saduceus, mas há sempre um remanescente fiel) e o encontro concreto com pastores fiéis mundo afora.
- Discutem a tensão entre instituição e movimento na história da igreja (Atos e Pentecostes como movimento, pastorais e concílios de Niceia a Calcedônia como institucionalização), citando o pêndulo de Paul Tillich na história do pensamento cristão e casos como Francisco de Assis e os franciscanos.
- Alertam contra o sectarismo: além do núcleo duro da fé, cada tradição desenvolve corpo doutrinário ligado à identidade, e o problema surge quando se ataca irmãos de outras tradições como hereges; Alex relata o caso de um casal luterano/batista em conflito sobre batismo infantil e defende definição de identidade em vez de “cardápio de doutrinas”.
- Contam o episódio do desenho de Jesus (acusação de quebra do segundo mandamento) como exemplo de caça às bruxas online e concluem, apoiados no texto de Rich Mullins (grafia incerta) sobre ortopatia e na parábola do bom samaritano, que há um jeito certo (piedade, humildade, amor) de defender a doutrina, e não apontando o dedo e ameaçando com o inferno.
- Sobre disciplina, distinguem a legítima (pecado patente que mancha o testemunho, com encaminhamento à justiça em casos de abuso) do mecanismo de abuso e manipulação (o caso do pastor que exigia autorizar namoros).
- No encerramento, apoiados em Karl Barth e Bonhoeffer, defendem recuperar a crença na igreja como lugar onde se ouve Cristo na boca do irmão; André trata a dúvida como anticorpo natural da fé (citando Tillich sobre fé como ato de coragem) e valoriza a humildade de abraçar o mistério, ao que Bibo contrapõe o risco de isso virar desculpa para o raso (Hebreus 5).