a tese
No "Ponto de Partida", Pedro Doria revê seu prognóstico e passa a dar Flávio Bolsonaro como favorito (60% contra 40% de Lula), porque o cruzamento de microdados da pesquisa Meio/Ideia mostra que quase todo o voto ainda em disputa rejeita Lula e não rejeita Flávio.
aprofundar
talvez
É a análise eleitoral mais afiada do lote, com o cruzamento de rejeição e a leitura de classe úteis para acompanhar 2026; sem gancho teológico, mas relevante ao seu interesse em política brasileira.
O que foi dito
- Doria conta que até semana passada estimava 60% Lula, 35% Flávio, 5% Caiado, e agora inverte para 60% Flávio, 40% Lula, considerando terceiro nome fora do jogo.
- Dois fatos mudaram o cenário: o arranque de Augusto Curi (chegou a 10-11% em algumas pesquisas, oscilou para 6,6% na Meio/Ideia) perdeu o “momento”, e a decisão de Mendonça de tornar públicas as mensagens Moraes-Vorcaro tomou o noticiário e sufocou Curi.
- No segundo turno a Meio/Ideia dá 46% a 46%, mas o cruzamento de rejeição é o número-chave: Flávio tem 5,1% de eleitores a conquistar (rejeitam Lula, não rejeitam Flávio, indecisos), enquanto Lula tem só 0,5%; por isso o “desespero” na campanha petista.
- Esse eleitor conquistável é classe C, Sudeste, ensino médio/superior, e agora sobretudo mulheres que não votam em Lula; a dúvida é se vão votar ou ficar em casa.
- Doria faz leitura sociológica: a esquerda tratou o evangélico como manipulado e o “pobre de direita” com desprezo, quis converter o trabalhador de aplicativo em CLT que ele não quer, e criou a “taxa das luzinhas”; quem está na periferia e nas igrejas hoje fala pela direita.
- Contrapeso: é a eleição de menor interesse popular desde 1989, 42% acham Lula e Flávio igualmente corruptos, o 7 de setembro de Flávio reuniu a menor multidão bolsonarista já medida, e 6 em 10 eleitores de Flávio não se dizem bolsonaristas.
- Conclui que Flávio é favorito mas a eleição está aberta e o bolsonarismo vive seu momento de maior fraqueza desde 2018; o que empurra Flávio é o cansaço com Lula, não adesão a ele.
- Inclui apelo direto por assinaturas: o Meio sofre queda atípica de receita mesmo em ano eleitoral.