a tese
Pedro Doria argumenta que Flávio Bolsonaro virou favorito não por força do bolsonarismo, mas porque o voto contra Lula cresceu numa Nova República que apodreceu, e que a bandeira da democracia não mobiliza um eleitorado exausto que vê corrupção nos dois lados.
aprofundar
não
diretamente para teologia, mas é leitura política densa do interesse do Bruno; serve de pano de fundo, sem virar sessão dedicada.
O que foi dito
- Responde a uma mensagem que pede para mostrar que Lula e Flávio não são iguais (Bolsonaro tentou golpe, Lula jogou dentro das regras), reconhecendo a premissa mas dizendo que 2026 não é 2022 e que 42% dos brasileiros acham os dois corruptos.
- Sustenta que a corrupção não mobiliza esta eleição porque o eleitor já parte do princípio de que todos são corruptos, inclusive metade acha que ministros do STF decidem por interesse próprio, e enxerga a briga no Supremo como Alexandre de Moraes versus André Mendonça por procuração de Lula e Flávio.
- Compara volumes: tríplex e sítio de Atibaia somam 3 a 4 milhões atribuídos a Lula, contra cerca de 70 milhões da família Bolsonaro no caso Master, e cerca de 70 a 80 milhões ligados a Alexandre de Moraes; argumenta que 80% do Congresso e dos governos são de direita, logo quem quer corromper distribui mais dinheiro à direita.
- Diz que o voto em Flávio é mais voto contra Lula do que a favor, sem o fanatismo “mito” de 2018 e 2022, e que Lula foi eleito como presidente de transição e conciliação mas expulsou o centro do governo.
- Analisa a economia: o crescimento veio de consumo estimulado por crédito (Desenrola e depois consignado) sobre famílias já endividadas, há pleno emprego mas com jornadas de 6 dias e renda corroída, e Lula não consegue subir a popularidade mesmo jogando dinheiro (subsídio a diesel e gasolina).
- Faz crítica direta à esquerda: ela precisa dos votos de gente de quem não gosta (motoboys, mulheres evangélicas conservadoras da classe C), que trata como manipulados e retrógrados na sua produção cultural e intelectual.
- Historiciza a popularidade de Lula: o boom de 2000-2008 veio da demanda chinesa e depois do dinheiro barato pós-crise de 2008, sorte de conjuntura; agora Lula paga impopularidade por crises simultâneas que em grande parte não são culpa dele, mas pelas quais é responsabilizado.
- Sobre a Lava-Jato, diz que Moro e Dallagnol se corromperam buscando poder político, desmontaram o sistema partidário e entronizaram o centrão; conclui que a eleição será decidida por quem é o menos detestado, e que muita gente que quer Lula fora também rejeita um Bolsonaro e pode ficar em casa.