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Os Papiros mais antigos sobre Jesus | Luiz Sayão

¶1Oh, pessoal. Ai, que calor. Tô aqui no Egito fazendo uma jornada pesquisa aqui. Olha só, tô preparado para enfrentar esse deserto, esse lugar com pirâmides, tal. Você nem imagina como é difícil.

¶2Inclusive, vou pegar acho que um barco aqui para descer o Nilo, pegar um barco egípcio antigo. Pessoal, esse é o canal do Saião. E agora aqui conectados com a realidade do Egito, qual que é a nossa conversa, o nosso bate-papo hoje aqui no canal do Saião, a verdade sobre os manuscritos mais antigos do Novo Testamento. Pois é, pessoal. Olha só, por que que a gente tá falando sobre isso?

¶3Falando sobre Egito. E então aqui eu tenho até um barco egípcio assim antigo, né? E eu pensei, eu tava querendo ir numa localidade chamado Oxil Rincos, né, que fica a quase 200 km do Cairo e tem que passar pelo deserto, mas acho que eu vou pegar o barco assim para descer pelo Nilo. Esse barco aqui é funerário antigo, então acho que eu vou optar por uma outra possibilidade aqui melhor. Mas vamos lá.

¶4Que história é essa, Saião? O que que tem a ver o Egito? Que tem a ver com esse negócio de P46? se é tamanho de sapato, é o pé de alguém, que história é essa? Então, vamos pensar sobre isso.

¶5Vamos lá, pessoal. Olha, é o seguinte, eu vou, deixa eu até me preparar aqui. Deixa eu tirar aqui que eu vou guardar as minhas coisas, que eu tô levando aqui para me proteger no deserto. Eu vou depois continuar aqui, mas deixa eu pegar o meu chapéu de arqueólogo de volta. Então, veja só, na antiguidade uma coisa extraordinária acontece e principalmente no Egito, ah, com aquilo que é chamado de papiro.

¶6Aqui você tem um papiro de fato, um papiro inclusive que eu trouxe do Egito mesmo, né? Então você vê o papiro é uma planta gramínia, né? que quando ele é colado, molhado e colocado aqui, tanto da maneira horizontal como vertical, ele forma uma folha e desde a antiguidade os egípcios desenvolveram, né, esse ah contexto em que a gente pode registrar ah muita coisa. Só que o problema, como você vê que o papiro é feito de uma planta, a resistência dele é pouca, então a maior parte dos papiros da antiguidade se perderam. né?

¶7E a gente vai ter uma mudança no final do segundo século que acaba tendo mais impacto a partir do terceiro, quando no contexto do antigo Mediterrâneo, as pessoas passaram a fazer manuscritos, a copiar textos e enviar, né, ali livros ou mensagens importantes em couro de animal, chamado velum, né, que é um couro fino, geralmente ente de cabra e também de ovelha. E assim, isso surge inclusive tradicionalmente ligado à famosa cidade de Pérgamo, da onde veio a palavra pergaminho. Mas então o que que a gente pode dizer? Então, eu tenho visto muitas pessoas falando: "Olha, o Novo Testamento ele é um um texto assim que a gente não pode confiar muito. Primeiro que as coisas foram registradas muito tempo depois da vida de Jesus.

¶8E segundo, a gente sabe lá quem foi que registrou. E terceiro, os documentos são muito tardios. Essas ideias elas tiveram uma presença, um impacto, né, na Europa do século XIX, né, me lembrando aqui, por exemplo, daquilo que o professor da escola de Tubingen, Ferdinand Bauer, disse, né, que, por exemplo, o Evangelho de João, segundo ele, seguindo uma mentalidade filosófica h regueliana da época, ele dizia se isso só faz sentido depois do ano 160, depois da era cristã, ou é coisa assim meio mais pro final do segundo século. E aí é que começa a nossa conversa. E que que a gente pode dizer sobre isso?

¶9Bom, em primeiro lugar, eh o que que nós temos os textos mais antigos do Novo Testamento que foram encontrados. E eu vou começar mostrando para vocês. A nossa produção vai mostrar aí o que é chamado de P52. P52 é esse manuscrito que está em Manchester, na Inglaterra, e que foi encontrado no Egito, né? O Egito, por causa do seu clima, vários manuscritos foram assim eh encontrados e levados pelos britânicos.

¶10E na verdade o pessoal quando levou uma série de manuscritos, nem tinha muito a ideia. Lá no, por volta de 1920, 1930, é que o pessoal começa de fato a entender o que eles tinham. trazido ali especialmente dessa localidade chamada Oxincos, né? E aí esse P52, olha que coisa interessante, ele é um manuscrito, nós temos um pedaço, né? São duas folhas ali, ou melhor, uma folha e o seu verso.

¶11Ah, quando nós temos eh um texto de João 18, né, 31 a 33 e depois de 37, 38. E nesse papiro você tem então comprovadamente um texto joanino. Mas o que que é interessante sobre isso é que assim, quando isso foi descoberto e os especialistas, né, que estudam essa área de papirologia, eles avaliaram isso e eles olharam o seguinte: "Olha, esse esses e esse papiro ele deve só pode caber entre anos 100 e 150, ou seja, no começo do segundo século." Teve até especialista que falou: "Não, isso deve ser do ano 90". E hoje, padrão geral, os estudiosos concordam com a data 125, 130, é mais provável. Agora, o que que é interessante é que o João é o último evangelho do Novo Testamento.

¶12É um evangelho que os estudiosos, até pelo seu teorico, colocavam, né, os críticos mais assim distanciados da tradição cristã. E nós sabemos, pelo próprio relato bíblico, que João vai viver até uma idade avançada, morreram com mais de 90 anos. Então você imagina, João escreve o seu evangelho aí mais tardar entre ano 85 e 90 e você já tem um manuscrito que mostra a realidade de do texto joanino mais ou menos uns 30, 40, o máximo 50 anos depois. Então isso é absolutamente surpreendente. E não só isso, nós temos outros papiros.

¶13Você vai ver na sequência, nós temos assim e antes e entre o primeiro e o segundo século, né? né? Assim, antes de de chegar no ano 300, nós temos mais de 50 papiros com textos do Novo Testamento. alguns famosos muito antigos, não tanto, mas de uma época aí por volta de 150, 160, você vai ter, por exemplo, que aparece aí na nossa imagem, o P90 e o P98, dois papiros muito antigos e talvez um destaque assim especial que a gente pode apresentar, que é um pouquinho posterior, por volta do ano 200, você tem aí o P66, né, que faz aí que tá ligado, né, com aquilo que é chamada a coleção dos papiros Bodmer. Esse P66 é muito significativo porque ele tem uma cópia completa do Evangelho de João, né?

¶14mais uma vez um evangelho assim que é é muito antigo. Agora, olha que coisa, eu vou até mostrar para vocês porque eu ganhei um presente. Existe aqui, né, um pessoal eh da empresa chamada Manus Manuscristos, Manuscritos do meu amigo Vinícius Oliveira e ele me presenteou e aqui eu faço questão de mostrar para vocês o famoso papiro número 46, o chamado P46. E olha que coisa impressionante você tem aqui, né? Eu vou até pegar, ver se a gente pode olhar mais de perto, né?

¶15Aqui tá bem protegido, um texto assim bastante, você pode reparar, mesmo que você não conheça o grego antigo, você vê como as letras estão muito bem preservadas. E aqui nós temos essa cópia especial do P46. Então, pessoal, olha que coisa interessante. Nós vemos muitos testemunhos muito antigos ligado a aquilo que envolve a o que nós temos na história de Jesus dos apóstolos da igreja primitiva. Então, presta atenção.

¶16Pela própria cronologia bíblica, o que facilmente pode ser confirmado, a gente tem aí, né, Jesus terminando a sua jornada entre nós aí por volta ah do ano 30. E aí o que que acontece? Nós temos a bastante segurança pelos estudos aprofundados e dos textos antigos e da questão da relação entre eles, que o Evangelho primeiro do Novo Testamento é Evangelho de Marcos e depois nós temos Mateus e Lucas. Lucas assim, não temos dúvida que é um texto escrito entre os anos 60 e 62. E Mateus pode até ter sido anterior a isso.

¶17É possível na década de 50. Isso não deixa Marcos pra gente, ou no final dos anos 40 ou no começo dos anos 50. Por que que isso é importante? Porque lembre-se, os discípulos de Jesus são muito jovens. Jesus vai iniciar o seu ministério aos 30 anos de idade e os seus discípulos são mais jovens do que ele.

¶18Nós estamos falando do quê? discípulos, talvez de 20 anos, de 18, talvez alguns numa situação muito jovial mesmo. Isso significa que 20 anos depois da morte de Jesus, esses discípulos estão vivos, eles conhecem as coisas, eles foram testemunhas. Então, nós temos evidência de que os textos passam a fazer parte da realidade da comunidade cristã a partir daí. E agora presta atenção.

¶19Era é muito difícil copiar textos. Era difícil você enviar texto. Isso era uma coisa complicada. E o que a gente vai descobrir é interessante que por causa do anúncio da fé, por causa da ação missionária da igreja primitiva, essa é a razão porque a gente vai ver a multiplicação desses manuscritos. Eu não sei se você tá sentado para ouvir isso, mas olha que coisa impressionante.

¶20A gente pega todos os documentos antigos, especialmente da literatura greco-romana. E quando você vai pensar em textos ligados a Aristóteles ou a Platão ou mesmo a Ilída de Homero e outros textos, você nem de perto se compara em quantidade com o número de manuscritos ligados ao Novo Testamento. A gente vai ter a maior parte desses textos escritos. O que nós temos hoje é coisa de eh século V, sexto e época medieval. Quer dizer, se a gente for assim passar um pente fino para dizer, olha, esses textos têm autenticidade, difícil alguma coisa assim poder de fato ser confirmada.

¶21No caso do Novo Testamento, nós temos cerca de 5500 manuscritos só do Novo Testamento, uma quantidade significativa de papiros, como já viu, vários do segundo século, outros do teriro século, quto século e outros mais tardios, mas no total entre todos os manuscritos propriamente do texto, entre aquilo que envolve traduções que vão começar a surgir, especialmente a partir do quarto século, como é o caso da Vulgata, como é o caso do gótico e também tudo aquilo que é mencionado na literatura dos pais da igreja, nós temos um total de 24 a 25.000 textos do Novo Testamento, sendo o texto antigo mais bem atestado, concretamente pela arqueologia. E então veja que coisa impressionante. E, aliás, eh, vale a pena a gente dizer aqui que esses textos depois passam, né, em breve, a partir, especialmente do terceiro, quarto século, nós vamos ver o predomínio do pergaminho. E um dos textos mais significativos feito em pergaminho, que é um texto do Novo Testamento completo, é o famoso códice sinaítico, que foi encontrado em território egípcio ali no mosteiro Santa Catarina, no Sinai, trazendo para nós aí uma cópia completa. Então, os estudiosos do Novo Testamento, eles pegam todos os papilos, comparam com todos os manuscritos, com as citações, com as traduções antigas para chegar mais próximo possível ao texto original do Novo Testamento.

¶22Então, essa ideia de que o Novo Testamento foi escrito por pessoas que não conheceram Jesus muito depois, não faz nenhum sentido. Segundo, o Novo Testamento foi alterado, foi mudado, a gente não sabe o que aconteceu, que a gente tem aqui hoje não merece confiança, não faz o mínimo sentido, porque nós temos uma quantidade enorme de manuscritos e vários deles muito antigos e que através de um trabalho de análise de crítica textual, a gente pode muito bem atestar como esse texto foi extraordinariamente bem preservado. E finalmente algumas pessoas vão dizer: "Olha, quando a gente pensa pra realidade, né, da igreja primitiva, esse negócio que a gente vai ter sobre quem é Jesus, se Jesus é divino, essa teologia, se é uma coisa que vai ser criada muito tempo depois, não faz parte da realidade original." E aí é que entra mais uma vez o nosso querido P46, né, que faz parte desse grupo que é chamado Chester Bey, né, eh, 1, 2 e três. Aí tem os seus textos próximos, 45 e 46. E aqui e o 47, no 46 a gente tem aí e cartas do apóstolo Paulo, várias dela.

¶23E é várias delas. E aqui particularmente nós temos o texto de Colossenses, bem definido. Olha, Colossenses do capítulo 1, 16 a 24 e depois de 27 até 27, né? Aqui ele aparece, né? Biblioteca Chester Bey em Dublin, na Irlanda.

¶24Uma parte dos manuscritos estão na Universidade de Michigan também e entre 175 e 225, arredondando um texto de do ano 200, né? E olha só, nós vimos o texto aqui de Colossenses, né? Deixa eu olhar mais uma vez Colossenses, começando aí o verso 16 do livro de Colossenses. E olha o que diz o texto lá, né? falando sobre Cristo Jesus, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, poderes ou autoridades, todas as coisas foram criadas por ele e para ele.

¶25Ele é a cabeça do Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que a igreja é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz. aquilo que envolve essa cristologia mais elaborada, tá mais do que comprovado que é uma realidade muito antiga que fez parte de fato dessa igreja cristã original. Então, aquelas conversas assim populares de gente que não acompanhou muito bem assunto, que tudo que você tem de cristianismo foi eh inventado e foi programado e e foi definido por Constantino, né, aí no ano em diante, pessoal, não faz o mínimo sentido.

¶26Quando Constantino chega nesse momento, a gente já tem a Armênia como um uma comunidade, uma nação antiga cristã. Você já tem a Geórgia, você já tem o evangelho lá na África, na Etiópia, no meio dos copitas, da antiga tradição, que se tornou a tradição copta. Ou seja, quando isso acontece lá, nós temos os manuscritos, nós temos essa realidade teológica. Nada dessas conversas de fato faz sentido. E aqui eu vou, né, encerrando esse nosso vídeo especial do canal do Saião e agradecendo ao nosso amigo Vinícius Júnior.

¶27Não se esqueçam aí de conhecer e de seguir manuscritos que tá fazendo esse negócio artístico, essas réplicas perfeitas desses manuscritos antigos da Bíblia. Aí você conhecia a história dos papiros, da antiguidade deles e como isso tem impacto pra pesquisa bíblica, então mande aí o seu comentário, faça aí a sua observação, curta o nosso vídeo e divulgue para os amigos. Não se esqueça, esse é o canal do Saião, onde [suspirando] no Egito tem calor de montão, mas com a boa explicação você aprende sobre a história, a cultura, a fé e a tradição. Kom.