a tese
Luiz Sayão, gravando no Egito, usa os papiros mais antigos do Novo Testamento (P52, P66, P46) para sustentar que o texto neotestamentário é o documento antigo mais bem atestado e que a cristologia alta não é invenção posterior nem obra de Constantino.
aprofundar
talvez
o inventário de papiros é correto e útil, mas as datações são as mais conservadoras possíveis e o vídeo as apresenta como consenso; quem for usar isso precisa conferir Nongbri sobre a fragilidade da datação paleográfica do P52 e a discussão real sobre a data de Marcos.
O que foi dito
- Explica a materialidade: papiro é planta de baixa durabilidade, o que explica a perda quase total dos exemplares antigos fora do clima seco do Egito, e a virada para o velino e o pergaminho entre o fim do segundo e o terceiro século, com o nome vindo de Pérgamo.
- Menciona Oxirrinco como origem de boa parte do material levado pelos britânicos, cujo conteúdo só começou a ser compreendido por volta de 1920-1930.
- Usa Ferdinand Christian Baur e a escola de Tubinga, com pressupostos hegelianos, como representante da tese de datação tardia do Evangelho de João (depois de 160), tese que os papiros teriam derrubado.
- Apresenta o P52 (João 18:31-33 e 37-38, hoje em Manchester) com datação corrente de 125-130, e calcula uma distância de 30 a 50 anos em relação à composição de João, que ele situa em 85-90.
- Lista mais de cinquenta papiros neotestamentários anteriores ao ano 300, com destaque para P90 e P98 (c. 150-160) e para o P66 dos papiros Bodmer (c. 200), que traz João praticamente completo.
- Mostra uma réplica do P46 (Chester Beatty, com parte em Michigan, datado entre 175 e 225) e lê nele Colossenses 1:16-24 para argumentar que o hino cristológico, com criação de todas as coisas por Cristo e plenitude habitando nele, já circulava por volta do ano 200.
- Defende uma cronologia de composição bem recuada: Lucas entre 60 e 62, Mateus possivelmente na década de 50 e Marcos no fim dos anos 40 ou início dos 50, com o argumento de que os discípulos eram mais jovens que Jesus e ainda viviam vinte anos depois.
- Contrasta com a tradição manuscrita greco-romana (Platão, Aristóteles, a Ilíada), cujos códices remontam ao século V ou à Idade Média, contra cerca de 5.500 manuscritos gregos do Novo Testamento e um total de 24 a 25 mil testemunhos contando versões (Vulgata, gótico) e citações patrísticas.
- Cita o Códice Sinaítico, achado no mosteiro de Santa Catarina, como exemplo do predomínio do pergaminho e de cópia completa do Novo Testamento.
- Fecha lembrando que, antes de Constantino, já havia cristianismo estabelecido na Armênia, na Geórgia e entre os coptas e etíopes, o que retira a plausibilidade da tese de fabricação conciliar da doutrina.