a tese
Luiz Sayão apresenta a Septuaginta como a tradução mais impactante da história bíblica, não apenas uma versão secundária do Antigo Testamento, mas testemunha textual de primeira ordem e o texto que os autores do Novo Testamento e os pais da igreja tinham à mão ao citar as Escrituras.
aprofundar
talvez
É aula introdutória de crítica textual, abaixo do nível do Bruno em quase tudo, mas os dois exemplos concretos (Gênesis 4:8 e 21:17) e a tese do grego semitizado como berço do coiné são ganchos úteis para uso didático ou para a discussão de citação veterotestamentária em Hebreus.
O que foi dito
- Abre com Hebreus 1 citando o Salmo 45 (44 na numeração da Septuaginta) e mostra, com o Novo Testamento grego na mão, que a citação é ipsis litteris igual ao texto da Septuaginta.
- Divulga o Antigo Testamento Poliglota que ele ajudou a produzir, com texto massorético, grego e duas traduções (português e inglês) em colunas paralelas, projeto que teve repercussão no Caderno 2 do Estadão.
- Situa a origem da versão na helenização pós-século IV a.C. e em Alexandria, sob Ptolomeu II, em meados do século III a.C., quando parte dos judeus já não era fluente em hebraico ou aramaico.
- Trata a Carta de Aristeias (relato dos 72 sábios na ilha) como documento do século II provavelmente pseudoepígrafo, com finalidade de divulgação do texto para a biblioteca de Alexandria, e a põe de lado como irrelevante para a questão textual.
- Usa a nota de rodapé da NVI em Gênesis 4:8 (“Vamos para o campo”, ausente no massorético e presente no Pentateuco Samaritano, Septuaginta, Vulgata e Peshitta) para introduzir ao leigo a existência de manuscritos divergentes e a lógica da escolha editorial.
- Resume o quadro das testemunhas: texto massorético com forma final no Códice de São Petersburgo (fim do século X), Códice de Alepo, Pentateuco Samaritano, targuns aramaicos, Vulgata e os manuscritos do Mar Morto, descobertos há cerca de 80 anos e mil anos mais antigos que os massoréticos.
- Dá como segundo exemplo Gênesis 21:16-17, onde o hebraico diz que Agar levantou a voz e chorou e a Septuaginta explicita que o menino chorou, leitura que combina melhor com o versículo seguinte (“Deus ouviu o choro do menino”); ressalva que nada de teológico se altera.
- Acrescenta 1 Samuel 8:16, onde a diferença entre “jovens” e “gado” depende de pequena variação consonantal no hebraico, e o contexto (ao lado dos jumentos) favorece “gado”.
- Afirma que a crítica textual nesse nível é trabalho técnico sem paixão nem defesa dogmática, e que a concordância entre as testemunhas é “fenomenal” apesar das divergências.
- Fecha com o argumento cultural: a Septuaginta criou um grego semitizado que serve de base ao coiné do Novo Testamento, e a maioria dos primeiros pais citou a Bíblia por ela.