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Acaba no primeiro turno? | Ponto de Partida

a tese

Pedro Doria usa a última pesquisa Meio/Ideia antes do primeiro turno para argumentar que, pelo que a pesquisa mede, o segundo turno é quase certo, e que a eleição será decidida menos por quem mudou de lado do que por quem decidir não sair de casa.

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não

é análise eleitoral conjuntural de catorze minutos, de validade vencida já no dia 4 de outubro, e serve como leitura rápida do método (abstenção seletiva, antipetismo de chegada, grupo de dupla não rejeição), não como objeto de estudo.

O que foi dito

  • Os números de partida: Lula com 39,4% e Flávio Bolsonaro com 38,4% no primeiro turno, e 48,5 a 48 no segundo, empate técnico nos dois cenários, que ele chama de eleição mais apertada da história da República.
  • Nos votos válidos, Lula fica em torno de 40% e Flávio de 39%, ambos a uns dez pontos da metade mais um, o que torna a decisão no domingo muito difícil pelo que a pesquisa enxerga.
  • Mesmo o voto útil não fecha a conta: mais de um terço de quem vota nos demais candidatos (Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Curi com grafia incerta, Romeu Zema e nanicos) cogita migrar para Flávio para encerrar a eleição, uns sete pontos do eleitorado, mas se todos migrassem Flávio chegaria a cerca de 46% dos válidos, o que lhe daria o primeiro lugar, não a vitória.
  • Primeiro ponto cego: a pesquisa mede o eleitor, não quem sai de casa. Em 2 de outubro de 2022, 32,8 milhões de eleitores não votaram, um em cada cinco, a maior abstenção desde 1998, e a curva sobe desde 2006.
  • A abstenção é socialmente seletiva: em 2022 mais da metade dos analfabetos não votou, contra pouco mais de um em dez entre diplomados, e seis em dez acima dos 70 anos ficaram em casa; quem falta é o mais pobre, menos escolarizado e mais velho, exatamente o eleitor mais lulista (entre quem estudou até a quarta série, Lula tem 54% contra 25% de Flávio).
  • O cabo de guerra do primeiro ponto cego: 13% dos entrevistados não votaram no segundo turno de 2022 e hoje menos de 8% deles vão de Lula, o resto se divide entre Flávio e os demais; se o eleitor pobre de Lula ficar em casa, Flávio chega em primeiro, se faltar quem já faltou em 2022, a vantagem é de Lula.
  • Segundo ponto cego: quem muda na última semana. As duas reservas têm o mesmo tamanho, cerca de nove pontos cada, e boa parte da reserva de Lula é eleitor de Augusto Curi, mais da metade dos quais vai de Lula no segundo turno; a assimetria é que o eleitor de reserva de Flávio já avisou que pode antecipar o voto, e ao de Lula ninguém perguntou, inclusive a própria pesquisa.
  • Terceiro ponto cego, o mais antigo: o descompasso entre a última pesquisa e a urna, que Maurício Moura, fundador do Ideia, chama de “antipetismo de chegada”, o eleitor que decide na última semana ou na fila votar em quem estiver à frente contra Lula; nas três últimas eleições presidenciais o candidato antipetista chegou à urna maior que a última pesquisa indicava, e ele frisa que não é fraude nem erro de instituto.
  • Síntese dos três pontos cegos: segundo turno continua mais provável, uma surpresa no domingo tenderia a favorecer Flávio pelo antipetismo de chegada, mas Lula tem uma reserva não medida no eleitorado de Curi, e tudo depende da abstenção (alta é ruim para Lula, baixa dá vantagem ao presidente).
  • Olhando para o eventual segundo turno em 25 de outubro, observa que ele já começa empatado em qualquer cenário (entre 49,6 e 50,4 nos válidos) e que Lula marca praticamente o mesmo número contra qualquer adversário, 48,5 contra Flávio, 48,5 contra Caiado, 48 contra Curi, o que ele interpreta como teto; brancos, nulos e indecisos somam apenas 3,6%.
  • O eleitorado está travado: 95% de quem votou em Lula em 2022 vai de Lula, 93% de quem votou em Bolsonaro vai de Flávio, quase sete em dez dizem ter o voto decidido, de modo que a disputa se resolve num grupo de cerca de 11% que não rejeita nenhum dos dois, e nele Flávio vence 54 a 36.
  • Perfil desse grupo decisivo: seis em dez são mulheres, seis em dez são católicos, a classe C é o maior pedaço, seis em dez ainda podem mudar o voto e um terço não votou em 2022.
  • As quatro tarefas das campanhas (Lula precisa levar o eleitor pobre à urna, onde ganha de 64 a 36 entre quem estudou até a quarta série, e atrair o eleitor de Curi, que vai de Lula 56 a 28; Flávio precisa acordar quem faltou no segundo turno de 2022, onde ganha de 56 a 41, e conquistar a eleitora que não rejeita nenhum dos dois) são, segundo ele, uma só tarefa: tirar de casa quem está desanimado.
  • Dado contraintuitivo que ele destaca: a aprovação de Lula subiu enquanto todas as áreas do governo pioraram na avaliação (segurança, economia, saúde, educação, com quase metade do país considerando a segurança pública ruim ou péssima), o que ele explica como aprovação por contraste, o eleitor acha o adversário pior.
  • Fecha com argumento normativo e com interesse declarado: é a eleição com menor interesse da população desde 1989, desinteresse vira abstenção, e quem fica em casa escolhe que outros decidam, porque a diferença entre os dois cabe com folga dentro do número de abstenções; há ainda um bloco longo de venda do Meio Premium (R$ 15 por mês, pesquisa interativa, documentário “Eleições 2026: a escolha”, live de apuração no domingo às 17h) em que ele admite que anos eleitorais sustentam o negócio e que este ano a procura não veio.

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