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Em quem Pedro e Cora vão votar? | Pedro+Cora

a tese

Pedro Doria e Cora Rónai dedicam o episódio ao desalento desta eleição, que classificam como a mais medíocre e desesperançada que já viveram, e tratam o voto de 2026 como escolha feita sob coação, por rejeição ao outro, e não por adesão a alguém.

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é conversa de opinião sobre a conjuntura eleitoral imediata, sem tese que sobreviva ao dia 4 de outubro; o que resta de interessante é o registro sociológico do voto por rejeição e a indicação do livro de Tatiana Roque sobre inteligência artificial.

O que foi dito

  • Doria abre descrevendo tensão pré-eleitoral que virou mal-estar físico, pescoço duro e relaxante muscular dia sim dia não, e observa o paradoxo: esta eleição não tem a agressividade nem o engajamento militante de 2018 e 2022, e ainda assim é a mais angustiante.
  • Ancoram o diagnóstico no dado próprio: 42% da sociedade não quer votar em nenhum dos dois, o que não é maioria, mas desenha um terceiro campo que produz clima de desalento, alimentado por gente que vem tanto do lado bolsonarista quanto do lulista.
  • Doria explicita sua posição, que diz ser pública: considera intolerável o estrago da família Bolsonaro, lembra que o pai tentou um golpe de Estado e descreve Flávio como parte do grupo político mais corrupto da história fluminense, cercado de figuras de bastidores, e observa que o candidato não é só ele, é também quem ele traz, perguntando por que o “Bolsonaro moderado” devolveria ao ministério os mesmos nomes.
  • Faz uma distinção cuidadosa: ao dizer que o bolsonarismo representa o pior da sociedade brasileira, não inclui os eleitores, que considera não mais conservadores que a média, mas desinformados e sem memória, e declara compreender tanto a rejeição à esquerda quanto a rejeição à direita como posições políticas legítimas.
  • Cora acrescenta o outro lado da conta: Lula tem 80 anos, já foi presidente três vezes, e a sociedade cansa, porque a democracia existe para trocar governante, e argumenta que a renovação de lideranças é condição da democracia, citando o México que ficou décadas com o mesmo partido.
  • Os dois apontam o que consideram o erro central: Lula não deixou ninguém se desenvolver à esquerda, de modo que Marina Silva, ligada ao meio ambiente antes de todos, Geraldo Alckmin ou Fernando Haddad poderiam estar disponíveis e não estão; Cora lembra que Alckmin foi demonizado pelo próprio Lula no passado.
  • Cora reconhece o carisma, a inteligência e a capacidade de comunicação de Lula, mencionando que Christiane Amanpour (grafia incerta) acabou de entrevistá-lo e saiu encantada, e ainda assim mantém a objeção pela idade, com o argumento de que ela própria tem 73 anos e sabe que depois dos 70 muda a disposição e a ambição, não só o corpo, lembrando que juízes se aposentam aos 70 e que os anciãos romanos e chineses eram conselheiros de 50 ou 60 anos, não governantes de 80.
  • Doria acrescenta a objeção da desconexão: angustia-o um presidente que não usa smartphone, porque quem não entende a comunicação digital não entende o mundo como ele é; Cora discorda do argumento tecnológico (o pai dela, com mais de 80, usa smartphone e smartwatch), mantendo a objeção na faixa etária.
  • Os votos que Cora dará com prazer: Tatiana Roque, matemática, candidata pelo PSB, por ser mulher (defende cota de metade da Câmara, com o argumento de que mulher pensa diferente e que elas são 52% da sociedade e estão sub-representadas) e sobretudo por entender de inteligência artificial, tema sobre o qual acabou de publicar livro pela Todavia, numa Câmara que não tem ninguém que domine o assunto; e Eduardo Paes pelo PSD, cujas falhas ela reconhece (a ciclovia da Avenida Niemeyer como das coisas mais feias já feitas), mas que revitalizou o centro, gosta de ser prefeito e sempre teve bons secretários, tendo feito também o Museu do Amanhã.
  • Cora menciona ainda que para deputado estadual e vereador vota há muitos anos em candidatos de defesa animal, e que a escolha é feita pela filha dela, orientadora nesse tema.
  • Doria anuncia que este ano não declarará voto, voltando ao padrão de jornalista que cobre política, embora não se arrependa de ter declarado em 2022, e relata que foi e voltou várias vezes sobre o voto para presidente no primeiro turno, com o sofrimento aumentando conforme as pesquisas apertavam.
  • Cora declara que votará em Lula a contragosto, por não ser jornalista política, e os dois convergem na crítica à militância de esquerda, que consideram intolerante, elitista, arrogante e patrulheira, com Doria dizendo que nos últimos quatro anos apanhou mais da esquerda que da direita; a razão apontada é que Lula prometeu um governo mais ao centro, ouvindo quem se juntou a ele em 2022 por emergência (Alckmin, Marina, Simone Tebet), e em vez disso dobrou a aposta, deixando insatisfeitos até parte dos próprios eleitores, pois fora dos 35% fiéis o resto não foi atendido.
  • Fecham com a formulação normativa: votar porque não se tem saída é votar com uma arma apontada para as costas, e o voto deveria ser dado com entusiasmo e crença na pessoa, não por temor do outro; e com um sinal geracional, os netos de Cora não tiraram o título de eleitor, ela não conseguiu convencê-los a tempo, enquanto o filho de Doria tirou.

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