a tese
Episódio do noticiário diário do Meio, apresentado por Yasmin Restum em 1º de outubro, a quatro dias do primeiro turno, com a disputa religiosa da campanha no centro: o TSE mantém o veto a publicações que atribuem a Flávio Bolsonaro um projeto para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
aprofundar
não
é boletim diário de notícias, feito para ser consumido no dia; o único item de interesse duradouro para o Bruno é a investigação da FTC sobre agentes de IA, e esse não precisa deste vídeo.
O que foi dito
- Os sete ministros do TSE, em votação virtual, mantiveram a decisão do vice-presidente da corte, ministro André Mendonça, mas três deles (Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Peixoto Marques Neto e Estela Aranha) divergiram quanto ao alcance, defendendo que o veto só valesse para publicações que citem Flávio explicitamente ou lhe atribuam ação presente contra o título da santa, com Cueva sustentando que especular atos futuros de um eventual presidente é fala protegida pela liberdade de expressão.
- Diante da divergência, Mendonça alterou o próprio voto para liberar a publicação do humorista Antônio Tabet que dizia que “a família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”; Tabet republicou o post dizendo ser a terceira vez que ele ia ao ar, tendo sido retirado antes com mais de 2.000 e depois com quase 30.000 compartilhamentos.
- No STF, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal abra inquérito sobre uma onda de ataques a imagens e locais religiosos nos últimos meses, com episódios de vandalismo, incêndio, furto e destruição na Bahia, Paraná, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Alagoas e Minas Gerais.
- Lula, em entrevista a influenciadores no YouTube, disse que sua equipe está levantando nomes de quem desrespeita religiões, defendeu respeito a católicos, evangélicos e religiões de matriz africana e, sem citar o adversário, atacou quem “chutou Nossa Senhora Aparecida”; Flávio Bolsonaro procurou se afastar da polêmica religiosa e anunciou a entrada de Pablo Marçal (PRTB) na campanha, para propostas de empreendedorismo e mobilidade social.
- Outras decisões eleitorais: Estela Aranha determinou que Nikolas Ferreira retire em 24 horas publicação que associa declaração de Lula a crimes contra crianças, e vai relatar ação da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa para suspender as novas exigências de registro de pesquisas que entram em vigor em 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno.
- Lula decidiu não participar do último debate antes do primeiro turno, na TV Globo, optando por entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário, repetindo a estratégia do debate da Band (quando deu entrevista exclusiva à Record), decisão que dividiu seu entorno; Flávio passou a quarta-feira treinando respostas sobre Nossa Senhora Aparecida e sobre sua relação com Daniel Vorcaro, além de ensaiar o aproveitamento do púlpito vazio.
- Renan Santos tenta entrar no debate por ação do partido Missão no STF, distribuída a Cármen Lúcia, alegando violação da igualdade entre partidos e vedação à censura e apontando que a Globo convidou Romeu Zema (Novo), que estaria atrás dele nas pesquisas; Ronaldo Caiado e Augusto Curi (grafia incerta) completam a lista de participantes.
- Reportagem da revista Piauí, a partir de registros aeronáuticos e migratórios americanos, mostra que Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro desembarcaram em Fort Lauderdale com 19 minutos de diferença em 1º de maio de 2025, seis dias depois de uma empresa ligada ao Banco Master transferir mais de 3 milhões de dólares a um fundo com recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro; e Roberto Campos Neto, ainda à frente do Banco Central, convidou Vorcaro para reunião em sua casa em Porto Feliz, encontro que não ocorreu porque a residência estava em dedetização.
- No internacional, os Estados Unidos concluíram a retirada total do Iraque, encerrando presença militar iniciada com a invasão de 2003, segunda retirada do país, num conflito que custou quase 4.500 militares americanos e mais de 115 mil iraquianos pelas estimativas mais conservadoras.
- Na editoria de viver, a USP alcançou a 14ª posição no World University Ranking, sua melhor desde 2012 e a melhor colocação ibero-americana, saindo da faixa 201-250; seguem-se Unicamp (326-350), UFRJ (601-650) e Unesp (651-700), com 58 instituições brasileiras classificadas, num ranking liderado por Oxford, seguida do MIT e com Princeton e Stanford dividindo o terceiro lugar.
- Saúde e ciência: a retatrutida, da Eli Lilly, apontada como possível sucessora do Mounjaro, levou pacientes com obesidade e diabetes tipo 2 a perder mais de 20% do peso corporal em estudo de fase 3 apresentado em Milão e publicado na Lancet (média de perda de 22 kg na dose de 12 mg); e comunidades costeiras da Califórnia se preparam para uma rara onda Kelvin, faixa de água quente submarina que pode elevar o nível do mar em até 30 cm.
- Estreias de cinema: “Digger”, comédia ácida de Alejandro González Iñárritu com Tom Cruise irreconhecível sob próteses como magnata do petróleo responsável por desastre ambiental; “Verity”, suspense de Michael Showalter baseado no livro de Colleen Hoover, com Anne Hathaway e Josh Hartnett; e o documentário “NTZ” (grafia incerta), de Yuval Abraham e Rachel Szor, produzido pelo Guardian, com soldados israelenses de rosto oculto explicando o termo que designa o limite aceitável de baixas civis em ataque de drone, um deles relatando autorização para matar 500 civis a fim de eliminar um único integrante do Hamas.
- Cultura e digital: abertura da 28ª edição do Festival do Rio, pesquisa da historiadora Marinalva Barbosa (grafia incerta), da UFRJ, que usou inteligência artificial para transcrever processos e reconstituir rostos de sete pessoas escravizadas do Rio no fim do século XIX (livro “Vidas escravizadas”, 2027); novos controles parentais do WhatsApp para adolescentes no Brasil; decisão da Justiça Federal obrigando o Discord a vincular contas de menores de 16 anos às dos responsáveis sob multa diária de R$ 100 mil; e investigação aberta pela FTC americana sobre Anthropic, OpenAI e outros laboratórios de inteligência artificial, primeira ação oficial sobre agentes de IA desonestos, com convocação de executivos e do grupo de pesquisa METR, usado pelas duas empresas para avaliações independentes de segurança.