a tese
Vídeo coral do arvro na véspera do primeiro turno, montado com depoimentos de 120 pessoas da comunidade dele no Telegram, com o objetivo declarado de reduzir a abstenção. O argumento é que a abstenção somada aos votos inválidos pode decidir a eleição, e que votar tem valor cívico e afetivo antes de ter valor instrumental.
aprofundar
não
é peça de mobilização eleitoral feita de depoimentos, sem argumento analisável, e o único conteúdo durável é o bloco histórico sobre o sufrágio feminino e Alzira Soriano.
O que foi dito
- O gancho jornalístico é a pergunta sobre o fator decisivo ser a taxa de abstenção, com a resposta de que, dependendo dela e dos votos inválidos, a eleição pode terminar no primeiro turno.
- Os depoimentos são o corpo do vídeo e quase todos tratam do prazer do rito: a piada de que o dia da votação é a maior exposição de arte do mundo (160 milhões de pessoas vendo as cartolinas das crianças nas escolas), o gosto por pegar fila, o cheiro de escola e o adulto sério em cadeirinha infantil.
- Aparecem notas de classe e de família: pessoas simples que vestem roupa de igreja para votar, uma avó cujo neto autista de 18 anos vota pela primeira vez, e alguém que chama o arranjo de “democracia burguesa” mas diz que ainda dá para se alegrar com ela.
- Um depoimento conta o caso de um colega de serviços gerais que vendeu o voto a quatro candidatos e, questionado, respondeu que votaria em Lula, usado pelo canal como anedota sobre a lógica real do voto comprado.
- O vídeo intercala material de arquivo sobre o voto em papel: a instrução antiga sobre cédulas, sobrecarta e gabinete indevassável, mais a explicação da fraude do “voto formiguinha”, e o depoimento de quem viu a contagem manual num ginásio e conclui que querer a volta do voto impresso é tosco.
- O trecho mais pesado é de alguém que descreve o esforço de desradicalizar parentes bolsonaristas, inclusive pastores que pregam homofobia, transfobia, racismo e idolatria a milionários, aos EUA e à ditadura, relatando como conseguiu mudar a posição da própria mãe.
- Há a entrevista com um ex-bolsonarista arrependido que esteve no 8 de janeiro e foi preso, agora votando 13, com recado a quem ainda está do outro lado.
- O bloco sobre voto feminino é o mais informativo: Leolinda Daltro e Bertha Lutz pela participação eleitoral das mulheres, e Alzira Soriano, administradora de fazenda no interior do Rio Grande do Norte, convidada pelas sufragistas e eleita no fim dos anos 1920, quando as mulheres sequer podiam votar, com a lembrança de que ela investiu em escola, posto de saúde e estradas.
- O canal critica a expressão “voto consciente”, propondo em lugar dela “voto bem informado”, porque consciência pressuporia saber quem você é na estrutura social e quais são seus interesses de classe.
- Fecha com um alerta prático contra candidaturas temáticas, por exemplo de causa animal, lembrando que o parlamentar votará em dezenas de pautas e que é preciso olhar o partido, mais os anúncios da plataforma Filmicca e do filme “Sementes: Mulheres Pretas no Poder”.