a tese
O arvro trata dos indícios de que dinheiro desviado no escândalo do Banco Master teria sido usado para tentar manipular votações do Big Brother Brasil, e converte o caso numa pergunta sobre por que a sociedade brasileira trata Daniel Vorcaro como figura sedutora em vez de ladrão.
aprofundar
não
é crônica de caso de polícia e celebridade, interessante como retrato de bajulação de elite, mas sem nada que sustente estudo ou análise.
O que foi dito
- O gancho factual é o relacionamento de Vorcaro com uma participante do programa, Yasmin Brunet, e as mensagens que mostram apartamento em São Paulo à disposição dela, viagem discreta antes do confinamento e avião ou helicóptero conforme a disponibilidade.
- A sequência que o canal destaca é a do “fantasma”: Yasmin, dentro do programa, dizia sentir saudade de um fantasma, o que a equipe de Vorcaro leu como referência a ele e tratou como risco de exposição.
- Daí o indício central, um funcionário teria pedido para acelerar a eliminação dela no paredão seguinte, com Vorcaro dizendo que não dava para ficar três meses naquele risco. O vídeo é explícito ao dizer que não há prova de interferência efetiva na votação.
- Há um subplot de ciúme, com Vorcaro descobrindo encontros de Yasmin com MC Daniel no apartamento dele e chamando o cantor de “trombadinha tatuado sem classe”.
- A tese do vídeo é moral e não jornalística: Vorcaro é “Robin Hood ao contrário”, roubou do povo para dar à elite, e o problema é a sociedade cultuar quem personifica a vida e o corpo que muitos desejariam ter.
- Ele cita John Oliver, no “Last Week Tonight”, definindo Vorcaro como um Bernie Madoff com corpo de jogador de futebol americano, e observa que até Lula, ao criticá-lo, acrescenta que ele era um mago que seduzia todo mundo.
- A galeria de bajulação é o corpo do vídeo: Luciano Huck tratando Vorcaro com cerimônia e viajando no avião dele para baratear custos do programa na Globo, Flávio Bolsonaro pedindo favor com áudio longo e “fica com Deus”, e Nikolas Ferreira pedindo desculpas por uma postagem que afetou o banco.
- O ponto alto é o caso de Roberto Justus, com mensagens em sequência pedindo urgência, declarando decepção e insistindo até receber de Vorcaro uma resposta que o acusa de falta de empatia. O arvro usa isso para dizer que a mídia brasileira escolheu Justus como o Donald Trump nacional no Aprendiz, enquanto na Faria Lima ele sempre foi tido como fraude.
- O fecho prevê que alguém fará um filme sobre Vorcaro e alerta que o Brasil deve evitar colocá-lo no papel de herói, seguido do mesmo oferecimento aos apoiadores do documentário “Nostalgia da Luz”.