Vídeo em formato de colagem, montado com falas da comunidade do canal no Telegram e clipes de terceiros, que processa a derrota do primeiro turno e conclui que a virada de Lula depende de duas coisas: tirar o eleitorado desmobilizado da melancolia e conversar de verdade com quem votou em Flávio Bolsonaro sem ser bolsonarista fanático, incluindo um apelo ao voto tático dos eleitores de Renan Santos.
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é peça de mobilização eleitoral, não análise, e a montagem substitui argumento por acumulação de vozes. O que vale guardar é a convergência inesperada: tanto este canal militante quanto a peça institucional do Meio admitem no mesmo dia que a esquerda tratou o eleitor pobre e o evangélico como massa manipulada, e que isso cobrou preço.
O que foi dito
- Abre com o tema das alianças improváveis de 2026, mostrando a cena de um ex-opositor declarando voto a Lula em pessoa, e com a voz de um membro não esquerdista do grupo que lista a soberania nacional como princípio inegociável compartilhado.
- Monta o eixo ideológico do vídeo: o projeto de Flávio seria terminar de vender o que resta, acelerar a redução de direitos e a privatização, o que retiraria do Brasil a única posição de autonomia econômica da América Latina frente aos Estados Unidos, contra o governo Lula como vislumbre de resistência.
- Dá espaço longo ao luto da base: relatos de mal-estar físico ao ver o resultado, de uma segunda-feira inteira perdida, e a conclusão de que a preocupação não pode virar desespero.
- Levanta a desmobilização como causa, com o dado de que cerca de 30 milhões de pessoas não votaram, o equivalente a 21% do eleitorado, e contrapõe o argumento de que o voto decide no detalhe, citando estados decididos por 225 votos e a média de quatro votos e meio por urna em 2022.
- Expressa a leitura mais dura do resultado: o problema não é a eleição presidencial mas o Congresso e o Senado eleitos, com Nikolas Ferreira como deputado mais votado da história do Brasil, e inclui o episódio do conselho tutelar de Parnamirim investigando o caso da criança filmada com arma comemorando a vitória de Flávio no primeiro turno.
- Formula o argumento central de estratégia: ninguém pode perder o Executivo porque o Legislativo já foi perdido e o Judiciário vem a seguir, dado que o próximo presidente indicará vários ministros do Supremo, somados aos que viriam de impeachments viabilizados pelo novo Senado.
- Faz a autocrítica mais interessante do vídeo, contra a própria militância: é preciso parar de desprezar o chamado “pobre de direita”, reconhecer que falta aproximação genuína com essas pessoas, e aceitar que quem votou em Flávio tem camadas e sistemas de valores em competição, não é todo mundo abraçado com o fascismo.
- Insere a leitura de que existem hoje três campos, esquerda, direita e bolsonarismo, sendo o terceiro o que não quer que os outros dois existam, e com isso constrói o apelo explícito ao eleitor de Renan Santos (quarto colocado, do Missão): votar 13 taticamente agora para que Renan tenha chance de rivalizar com Flávio em 2030, porque sob poder absoluto do bolsonarismo essa disputa nem existe.
- Explora o caso das cortinas vermelhas de Renan Santos, lido nas redes como sinal de apoio a Lula, e o relativiza como manobra de visibilidade, intercalando o relato pessoal de alguém cuja pessoa próxima votou Bolsonaro em 2018, Moro em 2022 e Lula agora, como prova de que mudança de voto acontece.
- Trata o ambiente digital como adversário estrutural: inclui depoimento de um parlamentar que precisou acionar a justiça duas vezes por restrições de impulsionamento da Meta, anuncia soberania digital e proteção de dados como pauta de mandato, e sustenta que o trabalho que funciona agora é analógico, conversa de porta em porta, não post.
- Usa a imagem do quadro restaurado às pressas na Espanha para dizer que o avatar nas redes é a versão deformada da pessoa real, e aponta como principais vítimas disso os muito jovens, que já nasceram na rede, e os muito velhos, que foram mergulhados nela sem viver a transição.
- Fecha com clipes de ânimo (um político do PT recém-eleito em primeiro turno dizendo a Edinho Silva que essa foi a campanha menos organizada em que participou desde 1989, e ainda assim ganhou) e com duas indicações de filme ligadas ao projeto do canal: “Sementes: Mulheres Pretas no Poder”, sobre mulheres negras organizando o luto de 2018 no Rio, e “The Coconut Revolution” (2001), sobre a resistência de uma ilha a uma mineradora estrangeira, que a comunidade está legendando em português.