a tese
Edição do noticiário diário do Meio na manhã seguinte ao primeiro turno, com a tese editorial de que o Brasil viveu uma onda de direita espelhada na que varreu os Estados Unidos em 2024, levando Flávio Bolsonaro à frente de Lula e dando ao PL a maior bancada do Senado.
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é o boletim diário, denso em números e nomes mas sem análise, e o próprio programa anuncia que a interpretação do resultado vem nos episódios da semana.
O que foi dito
- Números do TSE: Flávio Bolsonaro (PL) com pouco mais de 56 milhões de votos, 47,03%, contra quase 54 milhões de Lula, 45,16%, com segundo turno marcado para 25 de outubro. A apresentadora lembra que desde 1989 quem chega à frente no primeiro turno vence.
- O desempenho do candidato do PL veio da desidratação dos demais nomes de direita: Augusto Curi (Avante) 2,89%, Renan Santos (Missão) 2,24%, Ronaldo Caiado (PSD) 2,18% e Romeu Zema (Novo) 0,27%.
- O mapa mudou: Lula manteve os nove estados do Nordeste, mas Flávio virou Minas Gerais e liderou em 1.089 cidades dos três maiores colégios eleitorais, incluindo Belo Horizonte e Rio de Janeiro, enquanto Lula ficou à frente em 500, entre elas a capital paulista.
- Comparação histórica que o programa destaca: Lula perdeu 3,4 milhões de votos em relação a 2022 e fez a pior votação em percentual de válidos desde 1998, quando perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique.
- A abstenção passou de 21% pela primeira vez desde 1998 (21,09%), e os brasileiros no exterior foram na contramão, com Lula vencendo em 52 países e Flávio em 33, inclusive nos Estados Unidos, onde está o maior eleitorado da diáspora.
- Os discursos são reproduzidos por inteiro: Flávio fala em “fim da era do PT” e promete indicar ao menos quatro ministros ao Supremo que não interfiram em eleições, enquanto Lula admite que esperava ganhar no primeiro turno, compara com as disputas contra Alckmin e Serra e chama o segundo turno de “prova dos nove”.
- Nenhum dos derrotados apoia ninguém: Renan Santos liberou a militância do MBL e do Missão, Augusto Curi voltou a pregar o fim da polarização, e o PSD de Gilberto Kassab declarou neutralidade com liberdade aos diretórios regionais.
- O dado legislativo é o mais relevante: o PL elegeu 19 senadores e terá 28 na casa, a segunda maior bancada desde a redemocratização, Nikolas Ferreira tornou-se o deputado federal mais votado da história com mais de 3 milhões de votos, e Malu Gaspar calcula em O Globo que o grupo favorável ao impeachment de ministros do Supremo chegaria a 51 nomes, três a menos que o mínimo fixado pela mudança determinada por Gilmar Mendes.
- O clã foi eleito em bloco (Michelle Bolsonaro senadora pelo Distrito Federal, Carlos Bolsonaro senador por Santa Catarina, Jair Renan deputado federal, Renato Bolsonaro deputado por São Paulo), enquanto José Dirceu, Rui Falcão, Paulo Teixeira e Gleisi Hoffmann ficaram fora. Nos estados, foi o maior número de governadores eleitos em primeiro turno do século, com Tarcísio de Freitas reeleito em São Paulo e apenas cinco estados mais o Distrito Federal em segundo turno.
- Nas editorias finais: morte do jornalista Márcio Chaer, fundador do Conjur, o Nobel de Medicina para Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel pela optogenética, a projeção de queda de 0,5% nas emissões globais de carbono em 2026, a morte do maestro Roberto Tibiriçá, e a nomeação de Jay Clayton para acumular a pasta de inteligência artificial na Casa Branca, com a nota de que Trump pediu ao governo que abandone a expressão “inteligência artificial” em favor de “superinteligência”.