a tese
Comentário sobre a reforma da coordenação da campanha de Lula no segundo turno, em que o analista Murilo, colunista da Veja, atribui o fracasso eleitoral diretamente ao próprio Lula: campanha desorganizada, feita para a bolha e não para o indeciso, e cega quanto ao que estava acontecendo.
aprofundar
não
é análise de conjuntura de ocasião, sem apuração própria além de relatos de bastidor não verificáveis. O que sobra de interessante é lateral: o reconhecimento, vindo do próprio Meio, de que a imprensa de esquerda tratou o eleitor evangélico como massa manipulada.
O que foi dito
- Registra a mudança: Lula põe três políticos nordestinos na coordenação nacional, Camilo Santana (ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará) na coordenação política, Rui Costa (ex-Casa Civil, ex-governador da Bahia, senador eleito) na agenda, e Rafael Fonteles (governador reeleito do Piauí) na comunicação.
- Divide a análise em passado, presente e futuro, e começa pela tese de que Lula sempre foi melhor candidato que presidente, com exceção do primeiro mandato, em que estabilizou expectativas ruins sobre o Brasil.
- Põe a culpa no chefe e não em Sidônio Palmeira, Galípolo ou Janja: era Lula quem tinha de dar o tom, e não deu organização à campanha.
- Sustenta que Lula vive em bolha desde 2022, quando foi eleito pelo antibolsonarismo e não pelo lulismo, e que montou uma frente ampla de fachada, um ministério de 38 cadeiras e uma coordenação gerencial e política débil.
- Observa que Rui Costa, agora recondecorado com a coordenação, era figura que desagradava o Planalto, vista pelos outros ministros como sem habilidade para coordenar um ministério cheio de ex-governadores como Haddad, Alckmin e Wellington Dias.
- Critica a estética da campanha, com camisas vermelhas, bandeira e chapéu de inspiração latino-americana e chavista, como alheia à cultura brasileira e dirigida ao universo político do próprio Lula, quando quem decide eleição é o isentão, o indecisão e quem rejeita a polarização, daí a fórmula “mais Geraldo e menos Janja”.
- Chama de ridículo o episódio em que Lula terceirizou a coordenação política ao Judiciário, indo ao Supremo pedir ajuda para dialogar com Davi Alcolumbre e Hugo Motta, e trata a aliança com o STF como algo que cobrou preço.
- Afirma ter escrito em suas colunas na Veja, três ou quatro semanas antes, que o favoritismo de Lula escorria pelas mãos, e ter previsto a onda azul na live da sexta anterior à votação, acrescentando que com mais dois ou três dias de campanha a diferença teria sido maior.
- Relata, atribuindo a fontes de dentro da campanha, que no domingo Lula estava convicto de vitória no primeiro turno, prova de leitura política debilitada, somada a declarações agressivas (a do agronegócio em Santa Catarina) e à ligação ao vivo do palanque em Belém para o ministro Flávio Dino a seis dias da eleição, quando se pedia distância do Supremo.
- Chama de patética a entrevista de Lula no Jornal Nacional, em que Flávio falava para a câmera e para a audiência enquanto Lula esgrimia com os jornalistas dizendo que se sentia no Ministério Público, e lista os cabos eleitorais involuntários de Flávio: Janja, Moraes e Lulinha.
- Sobre escândalos, trata o caso Vorcaro e o apelido “Dark Horse” como cabo eleitoral negativo para os dois lados, e argumenta que para o eleitor não engajado nada disso compara com o fato decisivo, a desaprovação do governo: um presidente com quase dezoito anos de poder somando o período Dilma, sem marca, que precisou gastar perto de 400 bilhões em bondades para ficar competitivo quando a eleição deveria ser a consagração da trajetória.
- O episódio fecha com peça promocional do Meio em que o veículo acusa os dois lados da imprensa, a de esquerda por ter ensinado que havia problema em “pobre de direita” e em “evangélico manipulado”, e a de direita por tratar a tentativa de golpe como conversa de petista, e se posiciona na democracia liberal.