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DESENHANDO POR QUE TALES ESTÁ ERRADO E ATÉ PIOROU SEUS ERROS | (Vou processá-lo?)

a tese

Matheus Fugita sustenta que Tales Muniz mudou de posição e erra gravemente ao afirmar que toda inferência humana ou esclarecimento de obscuridades nas Escrituras contamina o motivo formal do assentimento e, por isso, impede a fé divina; Fugita defende que a tradição escolástica (ex.: Confissão de Westminster, autores como Suárez, Tomás de Charmes, Gaetano Félix e outros) mostra que inferências legítimas e certas conclusões virtuais podem ser cridas com fé divina, mesmo antes de definição magisterial.

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sim

— vale a pena para o Bruno ler as fontes primárias citadas (Confissão de Westminster; as passagens escolásticas mencionadas: Thomas de Charmes, textos sobre “formaliter implicita/virtualiter implicita”; Suárez e críticas/leituras de Marín Solà e Ripalda; Gaetano Félix sobre monotelismo) para avaliar tecnicamente a distinção entre objeto material/formal, os tipos de virtualidade e as consequências para a possibilidade de fé divina em conclusões inferidas, dada sua atenção a exegese e filosofia da religião.

O que foi dito

  • Fugita começa explicando por que grava o vídeo: alcance de lives é limitado pelo algoritmo do YouTube, houve pedidos para ele falar novamente e surgiram novos elementos na polêmica contra Tales Muniz; diz que pretende que esta seja sua resposta final sobre o tema público.
  • Afirma como tese central que Tales mudou de posição: no primeiro vídeo Tales teria defendido que sempre que é preciso “ir além do imediato e claro” — seja para esclarecer o obscuro, seja para deduzir consequências do texto — o motivo do assentimento se altera e a pessoa deixa de crer “porque Deus revelou” para crer “porque deduziu”, o que contaminaria o assentimento religioso.
  • Cita e lê trechos do vídeo original de Tales (transcritos) sobre “boa e necessária consequência” e “juízo privado”, nos quais Tales diz que se uma conclusão é obtida por raciocínio então a premissa menor funciona como meio cognitivo que participa do motivo do assentimento, e Fugita apresenta isso como a formulação explícita do problema que Tales defende.
  • Explica termos e exemplos: distingue objeto material (a proposição crida) e objeto formal/motivo formal do assentimento (o testemunho divino), e mostra silogismos exemplares usados na tradição (ex.: “Deus é bom; Cristo é Deus; logo Cristo é bom”; “Todo homem é mortal; Pedro é homem; logo Pedro é mortal”; “Todo homem é animal racional; Cristo é homem; logo Cristo é animal racional”; “Cristo é verdadeiramente homem; todo homem possui vontade humana; logo Cristo possui vontade humana”) para demonstrar onde a inferência aparece e como a tradição trata esses casos.
  • Arrola autores e tradições que, segundo ele, contradizem a tese geral de Tales: menciona a Confissão de Westminster (termo “good and necessary consequence”), Thomas de Charmes (manual escolástico), e diz ter apresentado Francisco Soares (grafia incerta) — posição suaresiana/formal-confusa — além de Vasques, Vega, Cano, Gaetano Félix (grafia incerta), Lugo e outros, mostrando que muitos escolásticos concebem premissas menores da razão como instrumentos auxiliares que explicam ou explicitaram o que já está implicado na revelação.
  • Lê e comenta extensamente passagens atribuídas a quem ele chama de “Soares/Suares” e a comentários do Marín Solà (grafia incerta) e Ripalda (grafia incerta), expondo a distinção entre virtualidade/metafísica e virtualidade física (conclusões “virtually implicit” vs “virtually proper”), e conclui que nem todo raciocínio ou silogismo implica contaminação do motivo formal do assentimento.
  • Confronta a “reformulação” pública de Tales — onde este teria reduzido o escopo para “premissa menor conhecida pela razão natural” — e mostra que essa nova formulação, segundo Fugita, continua autocontraditória e não salva a tese inicial, porque muitos casos fundamentais (propriedades metafísicas inseparáveis da natureza revelada) são conhecíveis pela razão e, ainda assim, mantêm status de fé.
  • Refuta pontos práticos e retóricos de Tales: acusa-o de parasitar posições (suarizianas) sem compreendê-las, de usar generalizações imprecisas (p.ex. “todo silogismo contamina a fé”), de proceder por caricaturas da Igreja Católica (sugerindo que o fiel apenas “assimila” sem raciocinar) e de realizar ataques pessoais e morais contra Fugita e colaboradores; anuncia que vai comentar também as repercussões jurídicas e que Tales extrapolou ao envolver terceiros.
  • Mostra, por fim, que segundo a leitura escolástica há modos em que o hábito da fé infusa pode persistir mesmo em quem recebe influência errônea na formação (ex.: criança batizada e educada entre hereges) e insiste que a mesma estrutura permite que protestantes, sem definição magisterial, cheguem a crer em conclusões derivadas por inferência quando estas apenas explicitam o já implícito na revelação.

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