O argumento moral pela existência de Deus, na versão quíntupla e indutiva de David Baggett e William Lane Craig (novo livro "Reasonable Moral Faith"), sustenta que os traços objetivos, prescritivos e vinculantes da moralidade (valores, deveres, conhecimento moral, e as duas dimensões da fé moral kantiana) fazem melhor sentido no teísmo (e, mais ainda, no cristianismo) do que em qualquer alternativa naturalista ou platônica.
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é metaética densa e bem estruturada (fluxograma expressivismo, teoria do erro, construtivismo, realismo; admissões de Mackie verbatim; Adams, Hare, teoria do comando divino) que serve diretamente ao interesse do Bruno em filosofia da religião e argumento moral, valendo virar estudo com as fontes primárias em mãos.
O que foi dito
- Baggett observa que muitos ateus e agnósticos (cita Peter Singer, que teria se movido para algum realismo moral apesar de agnóstico) se dizem realistas morais e apreendem verdades morais tão claramente quanto os teístas, o que ele vê como “meio caminho” para o argumento moral, sendo o ponto em disputa não a existência dessas verdades mas o que melhor as explica.
- Craig relata que em debates de campus quase nunca o oponente adota o antirrealismo moral (cita Walter Sinnott-Armstrong, Louise Antony, Sam Harris), preferindo afirmar a objetividade dos valores sem Deus, o que abre terreno comum.
- Os dois percorrem o fluxograma metaético do livro: o expressivismo nega que sentenças morais tenham valor de verdade (reduzindo “roubar é errado” a mera expressão emotiva, o que Baggett acusa de desonestidade por continuarem usando a linguagem moral); a teoria do erro de J. L. Mackie afirma que as sentenças morais têm valor de verdade mas são todas falsas, ancorada no “argumento da estranheza” (queerness) sobre o mau encaixe da prescritividade moral num mundo naturalista.
- Baggett destaca (lendo verbatim três passagens de Mackie) que o próprio Mackie admitiu que traços intrinsecamente prescritivos supervenientes ao natural seriam improváveis sem um Deus todo-poderoso e que Deus tornaria a existência desses valores mais provável, tornando-o testemunha honesta a favor do teísmo, embora Mackie prefira descartar a moralidade a aceitar Deus.
- Sobre o construtivismo (que inclui o relativismo ético), Baggett critica a dependência da mente humana: o relativismo reduz a moral a uma votação de maioria (a escravidão aprovada por maioria seria “certa”), elimina a possibilidade de progresso moral (iríamos “do certo ao certo”, nunca do errado ao certo) e não sustenta objetividade; Craig acrescenta que a teoria do observador ideal confunde o fundamento ontológico dos valores com a questão epistêmica de como os conhecemos.
- No caso positivo pelo realismo moral, Baggett invoca um argumento de sabor mooreano (nada é mais certo que o erro de torturar crianças por diversão; apela ao “senso comum moral” de Thomas Reid, o apologista moral pré-Kant) e cita a obra dele com Jerry Walls (“The Good, the Right, and the Real”), enquanto Craig defende a teoria do comando divino, com Deus como o Bem paradigmático (o “bem” de Platão, mas pessoa concreta, não abstração) e as obrigações morais como imperativos de uma autoridade qualificada.
- Baggett detalha as cinco fases do argumento (valores morais objetivos, deveres morais objetivos, conhecimento moral que é a versão epistêmica que até o cético Richard Swinburne concede acrescentar plausibilidade, e as duas dimensões da fé moral kantiana de John Hare: o argumento da graça e o argumento da providência sobre a coincidência entre virtude e felicidade), invocando a analogia dos barcos de C. S. Lewis (integridade individual, harmonia social, telos aristotélico-tomista) e devendo o conceito de valor humano intrínseco e infinito (imago Dei) a Robert Adams (“Finite and Infinite Goods”, 1999).
- O argumento da graça (de John Hare, filho do ateu R. M. Hare, no livro “The Moral Gap”) parte do “hiato moral” entre o que a moralidade exige e o melhor que conseguimos fazer, rejeita as saídas de exagerar nossas capacidades ou rebaixar a exigência moral (a “loucura” kantiana) e conclui que só a graça divina fecha o hiato; Baggett estende isso ao perdão, à santificação incremental e à perfeição escatológica, e Craig distingue a graça como favor imerecido (perdão) da graça como poder (o Espírito Santo capacitando a vida santificada).
- Craig assina a parte contra o platonismo moral ateu, com três críticas: é ininteligível (“lealdade simplesmente existe” não faz sentido), não fundamenta obrigações (sem legislador, por que me alinhar a um objeto abstrato e não a outro), e o teísmo oferece visão mais integrada (mesma fonte para lei natural e lei moral, evitando a “coincidência espantosa” de a evolução cega gerar criaturas que correspondem a um reino abstrato não causal).
- No fecho cristão, Baggett lista os acréscimos distintivamente cristãos: cristológico (Cristo como exemplo moral supremo), trinitário (Lewis: “Deus é amor” só faz sentido se Deus contém pelo menos duas pessoas; cita a “divine love theory” de Adam Johnson), soteriológico, transformação cultural (Paul Copan sobre sociedades “progress prone”), escatológico (problema do mal versus argumento moral, com Marilyn McCord Adams sobre bem grande o bastante para derrotar horrores) e antropológico (a pedra branca de Apocalipse, o nome secreto, unicidade além da imago Dei comum).