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PF tentou driblar Mendonça no caso Lulinha?

a tese

A tentativa da PF de tirar o caso Lulinha das mãos do ministro André Mendonça (STF) fracassou: o processo caiu de novo com ele por sorteio, o que enfraquece qualquer alegação de perseguição e ainda irritou o próprio Mendonça, que não gostou do "bypass". No fundo, o episódio serve de gancho para o problema estrutural do crédito consignado como porta de corrupção.

aprofundar

não

é comentário jornalístico de rotina sobre política e o mecanismo do consignado, sem ângulo teológico ou material que peça mais do que a leitura de acompanhamento do Bruno.

O que foi dito

  • A PF tentou manobrar para desviar o caso de Mendonça (o “bypass”), mas na redistribuição o processo caiu de novo com ele por sorteio, o que retira da defesa o argumento de que o relator seria escolhido a dedo.
  • Efeito colateral: Mendonça percebeu a tentativa de driblá-lo e não a viu com boa vontade, então a estratégia saiu pela culatra.
  • Aponta como “ironia brasileira” a fala de Lula em comício, contando que “passou a mão no telefone”, ligou para o ministro Alexandre Padilha (Saúde) e conseguiu transferência/consulta para um companheiro doente; simbolicamente Lula lembrou que pode intervir pessoalmente no Ministério da Saúde, justamente o núcleo do caso do contrato de canabidiol.
  • Contextualiza o caso no crédito consignado, criado por lei em 2003 (primeiro ano do governo Lula), tratado como “convite à corrupção”: risco zero para o banco porque o valor é descontado direto da folha, então qualquer juro vira lucro limpo.
  • Histórico do mensalão: o BMG, banco pequeno, foi o primeiro a receber o direito de consignado e precisava emprestar bilhões; pegava dinheiro no Banco Central perto da Selic e emprestava a taxas muito maiores (exemplo de 50% ao ano), embolsando a diferença sem risco.
  • No esquema do Master/Cred na Bahia a lógica era pior: o aposentado recebia cartão de crédito consignado, mas só o pagamento mínimo era descontado no contracheque, o resto rodava a juros de cartão, gerando bola de neve que a vítima só descobria anos depois, já devendo mais do que pegou.
  • Defende a Polícia Federal como uma das instituições brasileiras mais independentes e efetivas, ainda que não acima de crítica; menciona que Eduardo Bolsonaro chegou a estar lotado na PF e saiu recentemente.
  • Cita como “curiosa” a decisão de Mendonça de permitir que investigadores não relatem à chefia o que apuram, para reforçar a independência da investigação.
  • Avalia que o escândalo dificilmente virará a eleição, e faz digressão histórica: nos anos 90 o PT construiu marca anticorrupção (reforçada após o impeachment de Collor), invertida em 2018 quando passou a ser tratado como o partido corrupto; critica a prática brasileira de tratar o mero “investigado pelo MP” como “semiculpado”, com o caso de Eduardo Jorge, investigado à exaustão sem que se achasse nada.

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