a tese
Pedro Doria, ancorado no livro "Brasil da Maioria" de Renato Meirelles, argumenta que Lula não perdeu os mais pobres, mas a classe C pragmática que seu próprio governo fez subir, ao errar em medidas (taxa das blusinhas, "taxação do Pix") que atingiram o brasileiro que se vira sozinho.
aprofundar
talvez
análise política de alta qualidade sobre a classe C e a economia (interesse do Bruno em política BR); não é teológica, mas é o melhor material do lote para entender o cenário eleitoral e rende conversa avulsa.
O que foi dito
- Cita o livro de Renato Meirelles (Instituto Locomotiva, antes Data Popular) e a tese de que só 36% dos brasileiros entendem “direita/esquerda”; na classe C, 44% estão fora desse debate, não por alienação, mas por não se reconhecerem na classe política.
- Esse eleitor é pragmático, não ideológico: quer “falta estado” onde precisa ser cuidado (a fila da UPA) e “sobra estado” onde precisa ser deixado em paz (abrir uma barbearia); 76% da classe C acham que rico deve pagar mais imposto e 56% acham empreender o melhor caminho.
- A frase-síntese de uma entrevistada: “não quero promessa, quero paz”.
- Aplica isso aos erros de Lula: a taxa das blusinhas (agosto de 2024, 20% sobre compras até US$ 50) e a instrução normativa que virou “o governo vai taxar o Pix” (janeiro de 2025); o governo mexeu no bolso de quem se vira (o revendedor, quem não tem carteira assinada) sem calcular o impacto político.
- Argumenta que o Lula sindicalista “sentia” o que pegava mal, mas o Lula de hoje pertence à elite há três décadas e “calcula e calcula errado”; recuou nos dois casos (o Pix em 10 dias, as blusinhas em maio de 2026).
- Meirelles aponta a desconexão do campo progressista: a esquerda construiu sua identidade na carteira assinada e olhou o país de autônomos e motoristas de app como “perda de direito” e gente “a ser salva”, quando essa gente queria condições para o negócio prosperar.
- Dados: Lula lidera entre os mais pobres (55% no Nordeste, 51% entre os de menor escolaridade); quem ele perdeu foi a classe C que subiu (ProUni, primeiro voo de avião) e hoje vê no Estado o que taxa a blusinha.
- Alerta fiscal (Samuel Pessôa, do Ibre): a dívida pública passou de 72% para cerca de 85% do PIB; o próximo presidente terá de desindexar o salário mínimo e os pisos de saúde e educação e talvez subir impostos, com recessão possível em 2027.
- Ironia final: se Lula ganhar, começará o quarto mandato tendo de desmontar a ferramenta (o salário mínimo) com que fez a classe C subir.
- Fecha dizendo que Lula é o favorito, mas que a direita e o bolsonarismo “fazem o serviço por ele”; ganhar, porém, não é o mesmo que entender ou governar.