O Central Meio de 4 de agosto de 2026 parte dos pagamentos da lobista Roberta Luchsinger ao ex-chefe de gabinete da presidência para sustentar que a venda de acesso ao poder virou rotina nos dois campos políticos, e que o eleitor brasileiro, na prática, já não usa corrupção como critério de voto; a mesa (Pedro Doria, a coâncora Luísa Silvestre (grafia incerta), Magno Karl e Mano Ferreira (grafia incerta), do Livres) trata isso menos como escândalo pontual e mais como falência moral do setor público somada à captura do Estado.
talvez
porque a espinha do programa (dessensibilização moral do eleitorado, pertencimento tribal como monopólio da virtude e crime organizado se infiltrando no núcleo do Estado) é material sério para quem pensa ética pública, mas metade do tempo é bastidor eleitoral perecível e o formato ao vivo dilui o argumento em digressões longas.
O que foi dito
- Reportagem do Poder360 mostra que Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo de investigação no caso do “careca do INSS”, transferiu dezenas de milhares de reais a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que deixou a chefia de gabinete da presidência em 21 de julho alegando ida para a campanha de Lula, enquanto apuração de Caio Junqueira (CNN) e coluna de Lauro Jardim (O Globo) dizem que Lula soube do empréstimo há duas semanas e ficou decepcionado.
- A lobista fez ao menos 42 visitas a órgãos do governo federal entre o início do terceiro mandato e abril de 2024, com apenas uma registrada em agenda oficial (duas ao Palácio do Planalto e uma ao Ministério do Desenvolvimento Social, sempre acompanhada de Fernando Bitar, então sócio de Lulinha), e a Polícia Federal pediu pela terceira vez a abertura de inquérito contra Fábio Luiz Lula da Silva, com Flávio Dino sorteado relator e já autorizando a investigação.
- Doria define tráfico de influência com dois exemplos: Guido Mantega recebendo R$ 1 milhão por mês como conselheiro do Banco Master e conseguindo levar Daniel Vorcaro a uma sala com Lula, e o próprio Lulinha, ex-técnico de divisões de base que vira empresário de sucesso quando o pai assume e some quando o pai sai; a conclusão dele é que não há prova de um novo petrolão, mas há prova de que acesso a presidente e ministros era comprável.
- Magno Karl e Mano Ferreira insistem na banalização como cultura: presentes de amigos, sítio com pedalinho, banqueiro recebido fora da agenda, carona de jatinho, tudo normalizado por um ciclo em que cada tribo se escandaliza só com o adversário, e a eleição de 2026 será o escândalo do INSS competindo com o escândalo do Banco Master em vez de projetos de país.
- Respondendo a comentários que alegam perseguição seletiva, Doria argumenta que Flávio Bolsonaro tem proteções institucionais legítimas por ser senador, que os vídeos e celulares de Vorcaro estão com a PF e foram compartilhados com CPI no Senado, e que desde a cobertura da reeleição de Fernando Henrique Cardoso em 1998 ele nunca viu eleição com tanta informação livre contra os dois líderes das pesquisas.
- A mesa desenha um paralelo com 2014: escândalos represados que explodem no ano seguinte sem eleição, agora somados a uma crise fiscal contratada, crescimento automático de gastos, pauta bomba aprovada e emendas parlamentares em expansão, com ajuste fiscal que virá sem conversa franca com a sociedade.
- Sobre escalas, Doria diz que triplex do Guarujá e sítio de Atibaia juntos cabem em 2 milhões de dólares enquanto Flávio pediu 25 milhões de dólares a Vorcaro e admite ter recebido 10 milhões, e derruba o argumento do “não sabia” lembrando que Fernando Haddad nunca recebeu Vorcaro, que Ilan Goldfajn negou a licença ao Banco Master e que Gabriel Galípolo o fechou assim que pôde; a cobrança é de coerência aos eleitores dos dois lados, que deveriam admitir que corrupção não move seu voto.
- O custo real da corrupção, para Doria, não é o enriquecimento ilícito e sim o tempo e a qualidade da gestão pública roubados (crianças que saem do fundamental sem ler um parágrafo nem dominar as quatro operações), ilustrado com o artigo comparando Guiana Francesa e Amapá, zero mortes cometidas pela polícia e 100% dos homicídios investigados de um lado, 350 mortes por policiais e nenhum dado do outro; Mano Ferreira acrescenta a fusão de patrimonialismo com crime organizado sofisticado (Banco Master contratando milicianos, a gestora Reag ligada ao PCC, o PCC com empresa de ônibus disputando concessões) como sequestro gradual do Estado.
- Doria detalha sua acusação anterior ao MBL, esclarecendo que não disse que Renan Santos frauda pesquisas mas que o grupo manipula por mutirão em institutos que coletam respostas pela internet, prática legal mas que enviesa a amostra, e diz que sua objeção de fundo ao Missão é o modelo Nayib Bukele de dois regimes penais, incompatível com a igualdade de todos perante a lei.
- O bloco final projeta o pós-2026: Lula como lame duck de 81 anos sem sucessor claro (Haddad sem ascendência sobre o PT, todas as lideranças de esquerda abaixo dos 45 anos no PSOL ou no PSB, como Guilherme Boulos, Erika Hilton, Tabata Amaral e João Campos), direita sem aliança nenhuma (Republicanos declarou neutralidade, Flávio sem vice a um dia do prazo, Podemos enrolando), a novela de Cleitinho em Minas com Marcos Pereira e o estado quebrado deixado por Romeu Zema, a aposentadoria de Gilmar Mendes, e uma longa discussão sobre o voto distrital misto na versão de Gilberto Kassab (voto único contado duas vezes, metade em lista fechada), que Magno Karl avalia como transferência de poder para donos de partido sem qualquer governança partidária.