A pesquisa Meio/Ideia de agosto de 2026 mostra o melhor cenário até aqui para Lula (aprovação e intenção de voto em recuperação lenta desde maio) e o pior para Flávio Bolsonaro, cuja rejeição chegou ao ápice de 48% enquanto o apoio de Donald Trump funciona como bumerangue; a bancada conclui que a eleição será disputada voto a voto, sobretudo entre mulheres, e que a escolha de Alfredo Gaspar como vice aprofunda a fragilidade de Flávio com esse eleitorado.
talvez
é um retrato de pesquisa denso e bem argumentado sobre a eleição de 2026, útil para o Bruno acompanhar a conjuntura brasileira, mas é conteúdo efêmero e de rodada mensal, sem gancho teológico próprio, então só renderia análise avulsa se ele quiser rastrear a tese do voto feminino e da erosão institucional ao longo do ano.
O que foi dito
- A pesquisa aponta rejeição de Flávio Bolsonaro em 48% (era 30% em janeiro) contra 47,4% de Lula, e mostra que apoio explícito de Trump não aumentaria a disposição de voto para 44,9% dos entrevistados (só 20% dizem o contrário), com a bancada argumentando que Trump é impopular e sua interferência tem dado efeito bumerangue no México, Canadá, França e Hungria.
- Sobre as tarifas americanas, o eleitorado está dividido e cada bolha culpa o lado adversário, com a responsabilização recaindo um pouco mais sobre Lula por ser presidente, mas a bancada avalia que o tema fica em zero a zero por ser abstrato e distante do bolso do trabalhador; o governo só ganharia se colasse tarifa e ingerência eleitoral numa mesma narrativa.
- A bancada (Flávia Tavares e comentaristas do Meio) discute a erosão da confiança nas urnas como discurso corrosivo importado dos EUA desde 2014, comparável ao antivax, e critica campanhas do TSE que ridicularizam quem duvida em vez de qualificar o debate.
- Na intenção de voto estimulada, Lula tem 43% e Flávio 35%, seguidos de Ronaldo Caiado (5,7%), Renan Santos (4,7%) e Romeu Zema (2,6% e desidratando); Renan Santos ganha destaque como único candidato antissistema com base digital herdada do MBL desde 2013, e Caiado é lido como o mais estruturado da direita alternativa.
- Descreve-se Lula como incumbente em recuperação clássica desde maio (programa Desenrola, Pé-de-Meia, acomodação da inflação), com aprovação e avaliação de governo encostando pela primeira vez, mas numa curva marginal insuficiente para uma reeleição confortável; Flávio segue sólido e resiliente após a queda do escândalo Dark Horse, sem derreter.
- A queda de Flávio se concentra entre mulheres: o gap na intenção de voto feminina saltou de 2 pontos em maio para 16 agora, e a bancada avalia que a campanha, errática entre moderação e radicalização, aparentemente desistiu do eleitorado feminino para disputar a base bolsonarista ameaçada por Renan Santos.
- Flávio anunciou como vice o deputado Alfredo Gaspar (Alagoas), chapa puro-sangue do PL, apostando em segurança pública e no escândalo do INSS (do qual Gaspar foi relator na CPMI, mirando Lulinha), mas a corrupção é tema arriscado para Flávio, que tem investigações próprias (áudio de Vorcaro no STF).
- Gaspar carrega passivos pesados: investigação por desvio de 6 milhões em emendas (sob relatoria de Flávio Dino no STF) e investigação por estupro de vulnerável (menina de 13 anos que engravidou), caso que subiu ao STF sob relatoria de Gilmar Mendes, parado aguardando a PGR; a bancada frisa repetidamente que Gaspar é investigado, não denunciado nem condenado.
- A bancada trata o eleitorado em disputa (cerca de 3-4% apartidários) como 69% feminino, argumentando que a escolha de um vice masculino investigado por crime sexual é no mínimo perigosa justamente com o público decisivo, e cita ainda o problema de Lula com o ex-assessor apelidado de “Marcola”, que deixou a campanha por causa do caso INSS.
- No fecho, as jornalistas defendem, com evidência de estudo de Esther Duflo, que a presença de mulheres na política melhora a qualidade das políticas públicas para famílias, e criticam a fala de Flávio no anúncio de que teve duas filhas “para garantir que tenha quem cuide dele quando for velho”, vista como sintoma de desconexão com o eleitorado feminino.