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Trump está elegendo Lula | Ponto de Partida

a tese

Pedro Doria usa a oitava rodada da pesquisa Meio/Ideia (campo de 31/07 a 03/08) para sustentar que, num dia terrível para Lula (inquérito envolvendo o filho, ex-chefe de gabinete recebendo dinheiro de empresária investigada e revogação do visto da embaixadora do Brasil), quem sai perdendo é Flávio Bolsonaro, porque o apoio de Donald Trump é um passivo eleitoral no Brasil.

aprofundar

talvez

análise eleitoral competente e rica em dados sobre o interesse do Bruno em política brasileira, mas é conjuntura de campanha, não material que vire sessão de estudo; vale como leitura de contexto.

O que foi dito

  • A pesquisa registra o melhor retrato de Lula em oito rodadas: aprovação de 48,5% contra 49% de desaprovação, ótimo/bom em 36,6% empatando com ruim/péssimo em 37%, 48% dizendo que ele merece continuar, e vantagem de 48,5% a 43% sobre Flávio no segundo turno.
  • Doria mostra que escândalo “não recruta, confirma”: em teste anterior (caso Banco Master, com o áudio de Flávio e Daniel Vorcaro de um lado e Jaques Wagner do outro), zero eleitores que já votavam em Lula disseram que o caso reduziria sua chance de votar nele; os 17% que diziam isso já eram antivoto.
  • A prioridade mais escolhida pelo país é “acabar com a corrupção e fazer a lei valer para todos” (33,1%), à frente de saúde/educação (20,9%) e economia (16,4%), sendo também a prioridade número um dentro do próprio eleitorado de Lula.
  • Ele identifica uma rachadura na base petista: entre eleitores de Lula que priorizam saúde/educação, 41,9% avaliam o governo como ótimo; entre os que priorizam corrupção, só 27,8% (14 pontos de diferença) — gente que vota por desempenho, não por identidade, cerca de 14% do eleitorado, e é justamente essa fatia que uma história com o filho do presidente corrói.
  • O verbo-chave é “corrói, não transfere”: esse eleitor não migra para Flávio, migra para a abstenção, e numa eleição decidida por cinco pontos isso basta para empatar.
  • Do lado de Lula quase não há eleitor “em jogo”: 47,4% dos brasileiros o rejeitam espontaneamente e 87% dos eleitores de Lula não votariam em Flávio de jeito nenhum, de modo que o destino de quem desiste de Lula é o branco, o nulo ou o sofá, não o adversário.
  • Sobre Trump, 44,9% discordam que o apoio dele aumente a chance de voto (30,3% “discordam totalmente”, a resposta mais marcada da pesquisa) e 52% dizem que a eleição brasileira se decide entre brasileiros; Doria lê a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti como chantagem para o Brasil aceitar antes de outubro o indicado de Trump, o deputado da Flórida Daniel (grafia incerta) para embaixador.
  • Pela primeira vez em oito rodadas a rejeição a Flávio (48%, alta de 18 pontos desde janeiro) supera a de Lula (47,4%, alta de sete pontos), com as duas linhas se cruzando nesta rodada.
  • Doria conclui que a eleição será decidida por rejeição, com ambos tendo teto de ~48%: Flávio já leva quase nove de cada dez antipetistas e ainda faltam 5,5 pontos que não estão à venda (rejeição dupla), e no único eleitorado genuinamente em disputa (menos de 10% que não rejeita nenhum dos dois) Lula lidera 64% a 14%; testa Caiado, Zema e Renan Santos e mostra que o problema da direita não é o nome, é que o eleitorado não soma (quem segura base não alcança o meio e vice-versa).

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