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Isolado e às pressas, Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar para vice | Central Meio

a tese

A escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro foi feita no último dia do prazo e por falta de alternativa, depois que Republicanos e a federação União Brasil/PP declararam neutralidade, e revela uma campanha que desistiu de disputar o voto feminino (onde está 100% da sua queda nas pesquisas) para apostar tudo em corrupção e segurança pública. Na leitura da bancada, é um cálculo estrategicamente equivocado que ainda importa para dentro da chapa um passivo grave (acusação de estupro de vulnerável em investigação preliminar no STF).

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porque a série de pesquisa quebrada por gênero e o dado de estabilidade evangélica em 70/30 são material de primeira mão sobre o eleitorado que congrega ao lado do Bruno, e a aula final sobre a reforma de 2017 explica a mecânica do Congresso melhor que qualquer editorial; convém pular os cerca de cinco minutos de digressão sobre Mega-Sena e o bloco final de venda de assinatura.

O que foi dito

  • Pedro Doria abre o programa de 6 de agosto de 2026 com Flávia Tavares, Luiza Silvestrini (grafia incerta) e o cientista político Carlos Pereira (FGV) listando as camadas da escolha: Flávio prometeu meses a fio uma mulher e escolheu um homem, deputado federal do PL de Alagoas, ex-promotor, ex-procurador-geral de justiça e ex-secretário de segurança pública, projetado nacionalmente como relator da CPMI do INSS.
  • Carlos Pereira sustenta que a decisão foi residual: o centrão, vendo Lula liderar com folga e Flávio em declínio, optou por neutralidade para maximizar bancada e negociar poder depois da eleição, e sem partido para agregar sobrou uma solução doméstica do PL, escolhida para fixar a corrupção como eixo da campanha (três inquéritos sobre Lulinha, o caso do chefe de gabinete apelidado Marcola) contra o passivo do próprio Flávio no escândalo do Banco Master.
  • Doria lê a série da pesquisa Meio Ideia (registrada no TSE, com o Instituto Ideia) no segundo turno contra Lula: 45,3% em 5 de maio, 41,4% em 27 de maio (depois do áudio pedindo US$ 25 milhões a Daniel Vorcaro), 40% em 6 de julho (depois do vídeo de Michelle Bolsonaro) e 43% em 3 de agosto; entre homens, porém, Flávio foi de 44,7% para 52%, e entre mulheres despencou de 45,8% para 34,5%, ou seja, 100% da perda veio do eleitorado feminino e a distância entre os sexos saltou de menos 1,1 ponto para 17 pontos, num país com 52% de mulheres.
  • Carlos Pereira acrescenta que entre evangélicos declarados o bolsonarismo mantém a proporção estável de 70 a 30 desde 2018, com a ressalva de que o recorte de mulheres evangélicas provavelmente mostraria queda maior, já que foi exatamente esse o público atingido pela ação de Michelle.
  • Flávia Tavares reconstrói o caso criminal com base em reportagem da Folha de S.Paulo: no dia 27 de março de 2026, ao ler o relatório final da CPMI do INSS (iniciada em agosto de 2025), Gaspar foi chamado de estuprador em plenário por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke, que dias depois protocolaram notícia-crime na Polícia Federal alegando relação com uma menina de 13 anos, uma criança hoje com 8 anos registrada no nome da avó e R$ 400 mil pagos à família pelo silêncio; Gaspar nega, exibiu vídeo de uma jovem de 22 anos que se apresenta como filha de um primo magistrado, e no dia do anúncio da vice a PGR pediu novas diligências ao caso, que está com Gilmar Mendes.
  • Respondendo a espectadores que invocaram presunção de inocência no chat, Doria separa a questão criminal da política: as acusações foram feitas formalmente por um deputado e uma senadora dentro de uma CPMI, e o ponto é por que um candidato com déficit estrutural entre mulheres escolhe carregar essa discussão por semanas, o argumento da mulher de César.
  • Flávia Tavares argumenta que a vice feminina nunca foi o centro do cálculo, e sim o partido que ela traria (Daniela Marques trazia o Republicanos e o mercado, Tereza Cristina trazia o PP e o agronegócio), e que Michelle Bolsonaro jamais foi candidata a vice para valer, segundo o próprio Valdemar Costa Neto já dizia em janeiro.
  • Doria, que se diz crítico do identitarismo de esquerda, atribui a escolha a machismo estrutural no comando do PL (mulher tratada como enfeite) e insiste que não entende a recusa a Priscila Costa, próxima de Michelle; para ele Michelle não fará as pazes porque, em teoria dos jogos, lhe convém ser a única Bolsonaro com mandato, dado que Carlos corre risco em Santa Catarina e Eduardo está fora.
  • Aparecem ainda as camadas de tabuleiro: a saída de Gaspar da disputa ao Senado por Alagoas abre caminho para Arthur Lira (que teria articulado intensamente nas 24 horas anteriores, com promessa antiga de Jair Bolsonaro) e para Renan Calheiros, mirando a disputa pela presidência do Senado em fevereiro de 2027, quando Lula já negocia trégua com Davi Alcolumbre; o primeiro tuíte de Eduardo Bolsonaro foi que com Gaspar não compensará fazer impeachment de Flávio, réplica da lógica de Braga Netto em 2022, e o de Paulo Figueiredo foi de não render-se à agenda identitária, o que Flávia lê como aposta deliberada em reenergizar a base bolsonarista clássica (inclusive antivacina, na esteira do depoimento de Anthony Fauci), agora com o marketing nas mãos de Duda Lima e a política com Rogério Marinho e Valdemar.
  • Na segunda metade, Carlos Pereira faz uma exposição sobre a reforma política de 2017 (fundo eleitoral público, fim do financiamento empresarial, fim das coligações proporcionais e cláusula de desempenho), que reduziu os partidos com bancada na Câmara de 30 em 2018 para cerca de 18 ou 19 e aumentou a disciplina partidária; ele projeta alta na taxa de reeleição (hoje cerca de 60%, contra 50% em 2018) por causa das emendas impositivas, considera muito baixa a chance de um voto distrital misto defendido por Gilberto Kassab e lembra que desde a redemocratização só o MDB de 1986 teve maioria sozinho, o que torna improvável um Senado capaz de retaliar o STF e Alexandre de Moraes.

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