a tese
No bate-papo "Pedro+Cora" do Meio, Pedro Doria e a coapresentadora comentam com ironia uma nova regra do FCC que exige que robôs sem fio (aspiradores, robôs de entrega) sejam fabricados nos Estados Unidos, tratando-a como uma reserva de mercado autodestrutiva análoga à velha lei de informática brasileira.
aprofundar
não
papo leve de atualidades de tecnologia e política comercial, sem densidade teológica ou analítica que renda sessão; serve de contexto para o interesse do Bruno em IA/robótica, nada além.
O que foi dito
- Explicam que o FCC (equivalente à Anatel americana, que emite o selo de aprovação de aparelhos) passou a exigir fabricação nos EUA para qualquer robô sem fio que ande pelo chão e seja controlado por software, permitindo vender apenas o estoque de modelos já existentes.
- Ironizam que nem as marcas americanas fabricam nos EUA: a iRobot (inventora do Roomba) faliu e pertence à ex-parceira que montava na China; sobra uma fabriquinha em Massachusetts com tantos componentes chineses que sequer se qualifica como “americana”, uma montadora, comparada às motos Honda/Yamaha montadas em Manaus.
- Apontam o custo ao consumidor: o robô americano sairia por cerca de US$ 400 contra US$ 300 do chinês, e traçam o paralelo com o Brasil, onde perfume e iPhone chegam ao dobro do preço mundial por conta de impostos que incidem inclusive sobre o frete.
- O recado central é de autocrítica: antes de rir dos EUA, o brasileiro deveria reconhecer que viveu décadas exatamente sob esse tipo de reserva de mercado e distorção de preços.
- Preveem que a medida criará contrabando, com Canadá e México fazendo o papel de “Paraguai” e americanos atravessando a fronteira para comprar; e que nenhum investidor construirá fábrica nos EUA porque o próximo presidente derrubará a regra, deixando os americanos dois anos sem acesso à ponta da tecnologia.
- Discutem a justificativa oficial (dados: os robôs mapeiam a casa e enviariam informação à China); Cora minimiza porque as casas suburbanas são padronizadas, mas Doria insiste que o problema não é só o mapa, e sim o pulso sobre o comportamento e a filmagem das pessoas, ainda que a maioria programe o robô para funcionar na ausência.
- Relativizam mesmo assim: a pessoa expõe mais de si no Instagram e no TikTok do que qualquer aspirador captaria, de modo que a autoexposição já garante o vazamento.
- Especulam que a regra é, no fundo, reserva de mercado para os robôs humanoides de Elon Musk, e brincam com a ausência de uma boa ficção científica contemporânea sobre revolta de robôs domésticos e com o fracasso do drone doméstico de vigilância da Amazon.
- Fecham céticos quanto a robôs de entrega em cidades densas como o Rio (funcionariam só nos subúrbios americanos), com o gancho comercial da pesquisa Meio/Ideia de agosto.