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Putting Words in Jesus' Mouth? - The Chosen Creator Dallas Jenkins

a tese

Alex O'Connor pressiona Dallas Jenkins sobre a legitimidade de inventar falas, personagens e motivações e pô-las na boca de Jesus e dos apóstolos em "The Chosen"; Jenkins defende que só busca "plausibilidade" e não viola "o caráter e as intenções de Jesus nos evangelhos", enquanto Alex mostra que o próprio método dos evangelistas (preencher lacunas, reconstruir falas) se parece com o de Jenkins, deslocando a discussão da fidelidade textual para a historicidade dos evangelhos.

aprofundar

talvez

porque a fricção sobre inventar falas de Jesus, teodiceia na cena de Little James e os critérios de historicidade toca o cristocentrismo e a tensão fé/academia que interessam ao Bruno, mas é conversa de divulgação sem exegese grega ou fontes que ele já não domine.

O que foi dito

  • Jenkins abre negando que pense no “propósito” ao escrever (a metáfora dos cinco pães e dois peixes, nome do estúdio Five and Two): sua prioridade é fazer boa televisão que não contradiga o caráter de Jesus, deixando a resposta espiritual do espectador por conta de Deus, e rejeita a acusação de “acrescentar à Bíblia” com o bordão do coautor Tyler de que a Bíblia na Barnes & Noble não mudou.
  • Alex formula o problema central (dramatizar exige inventar diálogos e comportamentos das pessoas mais importantes do cristianismo) e observa que historiadores antigos e biógrafos faziam isso abertamente, com narrativas de nascimento e embelezamentos, sugerindo que os próprios evangelistas preenchiam lacunas sem intenção de enganar; Jenkins concede o paralelo mas insiste que os evangelistas buscavam acurácia (morreriam por ela) enquanto ele busca só plausibilidade histórica ou “teologicamente holística”.
  • Discutem a construção de uma cronologia e as divergências entre evangelhos: a purificação do templo (início em João, fim nos sinóticos), as duas multiplicações (4.000 e 5.000), o divórcio com ou sem exceção por adultério, e a unção dos pés (Maria de Betânia em João versus a mulher pecadora), com Jenkins optando por retratar uma vez só e remetendo o espectador a “ler João”; Alex nota a hipótese de que o autor de João realoca a purificação para abrir espaço à ressurreição de Lázaro e move a data da morte para fazer de Jesus o Cordeiro pascal.
  • Jenkins descreve seu trio de consultores (um estudioso do NT, o padre católico David Guffey e o rabino messiânico Jason Sobel) e o caso de Jonathan Roumie (católico devoto que interpreta Jesus): tensão na sexta temporada sobre Jesus falar algo leve na cruz (para Roumie e o padre, o sofrimento é parte da teologia da paixão), e o tema dos irmãos biológicos de Jesus, que Jenkins crê meios-irmãos filhos de Maria mas evita por ser “um seriado inteiro” e chocar a virgindade perpétua católica.
  • O ponto de maior fricção é Jenkins pôr na boca de Jesus falas que “se tivessem sido ditas, estariam nos evangelhos”: o “Eu sou a lei de Moisés” (que Jenkins defende cristologicamente, agradou ao rabino messiânico como ideia mateana) e sobretudo a cena inventada de Little James, em que Jesus responde “não” ao pedido de cura e oferece uma teodiceia (a história que ele poderá contar, referência a Jó); Alex identifica isso como uma teodiceia funcional-instrumental filosoficamente controversa colocada na boca de Deus, e Jenkins admite ser “perigoso” e só sustentável apelando à totalidade da Escritura (Paulo, o espinho na carne; Pedro; a epístola de Tiago; Isaías 53) e a exemplos como Nick Vujicic e Joni Eareckson Tada.
  • Sobre Judas, Jenkins rejeita tanto o “puro mal” quanto o Judas humanizado à moda do Coringa, retratando-o como zelote decepcionado que tenta “forçar a mão” do Messias, combinando ganância, influência demoníaca (Satanás entra nele em Lucas/João) e predestinação; invoca J. Warner Wallace (o detetive de homicídios com “97 das 100 peças do quebra-cabeça”) como sua epistemologia, e discutem a etimologia de “Iscariotes” ligada aos sicários e a cena “faça sua escolha / orarei por você” à luz do Getsêmani (“não a minha, mas a tua vontade”).
  • Sobre as mulheres, Alex provoca (“é o Dallas woke?”) e Jenkins nega agenda, argumentando que os evangelhos já honram as mulheres em momentos decisivos (Maria Madalena como primeira testemunha da ressurreição, a samaritana ao poço, o financiamento do ministério); Alex traz o livro “Women Remembered” de Helen Bond (Edimburgo) e o enigma de 1 Coríntios 15 omitir a aparição às mulheres, que ambos ligam à invalidade do testemunho feminino na época, um caso próximo do critério de embaraço.
  • Jenkins lista suas omissões (a tentação no deserto, a transfiguração que ele reserva para um futuro seriado sobre Moisés, os 72 discípulos, os 500 de Paulo) e admite nervosismo com o sobrenatural (andar sobre as águas, o brilho da transfiguração), repetindo que o seriado não é tratado teológico e que o espectador deve ir à Bíblia e à igreja.
  • No fecho, os papéis se invertem: Jenkins pergunta a Alex o que ele crê, e Alex expõe seus critérios de historicidade (atestação múltipla, fontes Q/Marcos/João, critério de embaraço com o batismo por João e os “doze tronos” incluindo Judas), diz que como agnóstico não crê nos milagres mas considera historicamente certíssima a reputação de Jesus como curador e exorcista (ausente em João), rejeita as teorias conspiratórias de fabricação eclesiástica dos evangelhos, e chama “The Chosen” de talvez a “20ª maior obra de mídia sobre Jesus” (depois do NT); combinam retomar a conversa após a filmagem da ressurreição.

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