a tese
Pedro Doria argumenta que a recusa de candidatos líderes a participar de debates (Eduardo Paes no Rio, Sérgio Moro no Paraná, Lula e Flávio Bolsonaro nacionalmente) não é novidade nem covardia individual, mas um cálculo eleitoral que se repete no Brasil há 66 anos e que priva o eleitor do único momento em que compara os candidatos lado a lado.
aprofundar
talvez
é análise política bem construída sobre o rito democrático e a história brasileira, do tipo que interessa ao Bruno, embora o tema seja conjuntural e datado.
O que foi dito
- Quatro candidatos líderes deram desculpas diferentes para faltar a debates, mas Doria mostra que todas escondem o mesmo cálculo: Paes alegou orientação jurídica (campanha só começa dia 16), Moro disse que virou “rinha de galo”, Lula invocou a dignidade do cargo e Flávio Bolsonaro respondeu que só vai se Lula for.
- Ele desmonta cada desculpa: os outros candidatos estavam sob a mesma lei que Paes; Moro produziu a “rinha de galo” e depois a usou como pretexto; Lula debate no segundo turno mas não no primeiro, o que muda é a margem, não a dignidade; e Flávio ao menos foi honesto ao admitir cálculo.
- Doria elogia, a contragosto, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad, que debateram em São Paulo mesmo com Tarcísio liderando por 16 a 18 pontos e Haddad tendo de responder pela impopular economia do governo do qual faz parte.
- Argumenta que o que se perde quando o favorito falta não é a resposta (que ele dá em live e podcast), mas a comparação direta: o debate é o único lugar em que o eleitor vê os dois na mesma pergunta sem intermediário.
- Traça um histórico da recusa a debates no Brasil: Jânio Quadros em 1960 (primeiro debate televisionado cancelado), Collor em 1989, Fernando Henrique em 1998, Lula em 2006, todos favoritos que faltaram e venceram.
- Cita que Ulysses Guimarães também recusou em 1989 mesmo tendo tempo de TV de sobra, recusando o único lugar onde o tempo não era dele.
- Mostra que ficou mais fácil faltar: em 2022 Lula e Bolsonaro apenas não confirmaram e as emissoras cancelaram os debates, sem a “cadeira vazia” que gerava foto e custo.
- Contrasta com a França (debate de segundo turno desde 1974, só falhou em 2002 quando Chirac se recusou a debater com Le Pen e teve de explicar ao país) e a Argentina (lei de 2016 que torna o debate obrigatório e redistribui o tempo de quem falta).
- Encerra apontando que o primeiro debate presidencial está marcado para 23 de agosto na Band e que nem Lula nem Flávio Bolsonaro confirmaram, sem que nada lhes aconteça por isso.