a tese
Mesa do Não é Bem Assim, com Dora Kramer, Marcelo Madureira, Márcio Fortes e Pedro Paulo Magalhães (grafia incerta), sustentando que a eleição de 2026 tem dois atoleiros simultâneos: o das denúncias que sujam os dois favoritos e se anulam numa conta de soma zero, e o dos demais candidatos parados nas pesquisas, com o efeito conjunto de expulsar do debate os temas que decidiriam o país.
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é conversa de mesa bem informada e vale como retrato do desânimo das elites políticas, mas não deixa nada de estrutural para você além do argumento fiscal do Márcio Fortes, que é técnico e cabe em uma linha.
O que foi dito
- Dora Kramer abre com a dupla lama: de um lado o tráfico de influência que envolve o filho e o ex-chefe de gabinete do presidente, de outro os recursos de Daniel Vorcaro nas contas do filme ligado a Flávio Bolsonaro; Marcelo Madureira cobra a promessa feita em 19 de maio de abrir as contas em um mês, e observa que já se passaram três meses sem uma palavra e sem cobrança.
- Detalham a escalada do caso do ex-chefe de gabinete: começou como empréstimo à lobista amiga do filho do presidente, virou pagamento de contas pessoais, depois compra de joias de diamante para presente, e agora aparecem conversas em que ela se credencia diante do meio empresarial dizendo representar o filho do presidente.
- O diagnóstico eleitoral da mesa é de calcificação: os dois favoritos estão praticamente empatados, dominam a votação, os demais somam poucos pontos, e os dois líderes de intenção também lideram a rejeição. Nesse quadro, só um escândalo de grande porte moveria as placas, e como os dois lados têm passivo, um escândalo tende a cancelar o outro em vez de deslocar votos.
- Marcelo Madureira e Márcio Fortes abrem um contraponto a partir do interior do Paraná e de Santa Catarina: sem a concentração de renda das novas fronteiras agrícolas, com classe média larga descendente de migrantes, produtiva, integrada à tecnologia e com senso cívico, onde o valor exibido é o sucesso dos filhos e a educação, não o consumo de status. A comparação que fazem, Rolex vendendo melhor em Brasília do que em qualquer outro lugar do país, serve de contraste.
- A crítica que se segue é que esses valores poderiam estar no centro de uma campanha e não estão: os planos de governo que existem tratam de inserção internacional, responsabilidade ambiental, tecnologia e efeito da inteligência artificial sobre toda a produção, inclusive a agrícola, e nada disso atravessa o peso negativo do noticiário de corrupção.
- Márcio Fortes acrescenta a inversão institucional como causa estrutural: o Executivo cedeu poder para sobreviver, primeiro com Dilma, depois com Bolsonaro, depois com Lula, e o resultado é que vários partidos preferem não lançar candidato a presidente porque não compensa financeiramente nem politicamente; a política vira meio de vida, e as propostas se parecem entre si porque são orientadas por pesquisa, ou seja, o candidato diz o que precisa ser dito, não o que pensa.
- Sobre Pablo Marçal, apontam o mecanismo: com o registro protocolado e a Justiça Eleitoral tendo até 14 de setembro para decidir, ele fica pendurado no processo e nesse intervalo pode usar recursos partidários e tempo de televisão, tumultuando o ambiente enquanto os dois favoritos evitam o debate marcado para 23 de agosto.
- A autocrítica da imprensa aparece com força: as redes se movem por treta, e o jornalismo teria sido capturado pelo mesmo incentivo de clique, de modo que a treta de campanha vira pauta e a essência política não. Citam como sintoma uma entrevista de Armínio Fraga sobre as contas públicas que repercutiu apenas entre quem já estava convencido.
- Na parte econômica, Márcio Fortes defende que o ajuste é factível em quatro anos sem cortar o que é intocável (salários, previdência, pisos constitucionais de saúde e educação), bastando impedir o crescimento da despesa e desatrelar o salário mínimo da correção de benefícios acima do piso, e reconhece que nada disso é tretoso e por isso não vira pauta. Trata como encenação a ideia de o ministro Dario Durigan buscar sugestões com Armínio Fraga e Pedro Malan, lendo o gesto como busca de selo de qualidade antes da eleição.
- Marcelo Madureira faz um acerto de contas pessoal com o voto de 2022, dizendo que defendeu a democracia e foi ingênuo ao esperar um governo de frente ampla, e assume o custo público dessa posição; a mesa discute como alternativa institucional o voto ordenado por preferência, lembrando que o segundo turno entrou na Constituição por manobra de Sebastião Nery contra Brizola.
- Fecham no desalento: a expectativa é de que 2026 seja a última eleição no modelo inaugurado em 1982, com a mesa já projetando 2030 e apostando que forças ainda não visíveis surgirão, e com a observação (atribuída a institutos de pesquisa como os de Antonio Lavareda e Felipe Nunes) de que a tristeza do eleitorado é hoje um dado mensurável.