a tese
Pedro Doria argumenta que a corrupção deixou de mover votos no Brasil não por cinismo do eleitor, mas porque a política virou uma disputa tribal de pertencimento (o "timos" de Fukuyama), agravada por regras eleitorais que desestimulam candidaturas presidenciais e por algoritmos que premiam o radicalismo; a única saída seria reduzir a polarização pela conversa.
aprofundar
talvez
boa análise política com uso de Fukuyama e do paralelo das guerras religiosas que dialogam com os interesses do Bruno, mas é comentário conjuntural, não material para sessão dedicada.
O que foi dito
- Respondendo a um espectador, Doria sustenta que a anulação da condenação de Lula é juridicamente correta pelo princípio do juiz natural (Sérgio Moro, no Paraná, não tinha competência para julgar caso que deveria correr em Brasília), mas que isso convive com o casuísmo do STF.
- Detalha que as provas do tríplex do Guarujá eram escassas e as do sítio de Atibaia mais consistentes, mas nunca se estabeleceu o nexo causal entre o desvio da Petrobras e esses imóveis, condição para o caso pertencer à Lava-Jato.
- Acusa o STF de casuísmo: a anulação e a criação e depois revogação da prisão em segunda instância aconteceram nos momentos politicamente convenientes em relação a Lula, embora as premissas jurídicas já valessem antes.
- Diagnostica falta de opções: é a primeira eleição desde 1989 sem candidato liberal, resultado de escolha dos partidos e das regras do jogo.
- Explica que o sistema incentiva os partidos a eleger deputados federais (poder sobre orçamento e fundos), não presidente, esvaziando a disputa presidencial; cita o centrão fora da chapa de Flávio Bolsonaro.
- Argumenta que o Brasil vive um presidencialismo em deterioração, com poder migrando para Congresso e STF, sem que a cobrança popular acompanhe (segue recaindo sobre o presidente), e sem virar de fato parlamentarismo.
- Recorre ao conceito grego de “timos” via Fukuyama (e Platão e Aristóteles) para explicar a necessidade humana de pertencer a um grupo, que alimenta o tribalismo do “nós contra eles”.
- Traça o paralelo com as guerras religiosas europeias entre católicos e protestantes, em que cada lado só admitia como solução a conversão total do outro, algo que não acontece: bolsonaristas (25%) e petistas (35%) não desaparecerão.
- Conclui que a única solução é a conversa despolarizada (perguntar valores, não voto), e brinca que “os liberais cabem numa Kombi”, reconhecendo a baixa capacidade de persuasão desse campo.