a tese
O episódio do canal Meio, apresentado por Pedro Doria, analisa a lobista Roberta Luchsinger, apontada como peça central de três inquéritos da Polícia Federal por tráfico de influência que ligam empresários ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). O programa é mais debate político-jornalístico com humor do que reportagem investigativa própria.
aprofundar
talvez
porque o conteúdo factual (as três frentes de inquérito, os relatores e o mecanismo do tráfico de influência) é sólido para acompanhar política brasileira, mas o formato é debate com muita piada e o próprio comentarista se diz "hiperbólico", exigindo cruzar os dados com a cobertura primária.
O que foi dito
- Roberta Luchsinger é ex-esposa do ex-delegado e ex-deputado Protógenes Queiroz (grafia incerta), conhecido pelas operações Satiagraha da PF, hoje morador na Suíça, com quem ela tem uma filha.
- Mensagens divulgadas pela PF mostram Luchsinger projetando receber R$ 100 milhões em 2024 e dizendo estar sendo modesta, além de frases como “eu sou o Fábio, somos a mesma pessoa” e “o destino deles é a Suíça”.
- O caso gira em torno de tráfico de influência: Luchsinger e associados venderiam acesso ao Lulinha para abrir portas na máquina pública, sem que os envolvidos tivessem relação com o ramo dos negócios.
- Um dos negócios visados seria a compra de canabidiol pelo Ministério da Saúde, avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, que não se concretizou; a defesa argumenta que, sem “ato de ofício” e sem negócio fechado, não haveria crime.
- Os apresentadores contrapõem que no Brasil o lobby não é regulamentado e o tráfico de influência é crime só pela venda de acesso (marcar reunião, abrir portas), variando apenas a dosimetria.
- O grupo de WhatsApp dos envolvidos se chama “Musaranhos”; o programa nota que Fábio Lulinha é biólogo e que o musaranho é um mamífero pequeno, venenoso e que ataca inimigos maiores nas sombras.
- Aparece também Fernando Bitar, parceiro de Lulinha na antiga Game Corp e dono do sítio de Atibaia, e o “careca do INSS”, ligado ao escândalo de descontos de aposentados que pode envolver 4 milhões de pessoas.
- São três inquéritos da PF: dois relatados por André Mendonça (o do INSS, onde a conversa com Luchsinger surgiu por “descoberta fortuita”, e o da empresa Structure) e um por Flávio Dino (esquema maior, envolvendo o chefe de gabinete Marcola, comparado ao “Mauro Cid do Lula”).
- A defesa pede que os inquéritos desçam à primeira instância alegando ausência de foro, e a PGR concordou; o programa traça paralelo entre 2026 e 2006 (reeleição de Lula no mensalão), notando que as frases de Lula e os vazamentos se repetem 20 anos depois.