Joe Schmid narra a Matt Fradd, antes do anúncio público, como saiu do agnosticismo para o catolicismo por uma cadeia de argumentos de ajuste fino (sobretudo a harmonia psicofísica) seguida de evidência histórica e médica de milagres católicos. A tese epistemológica é que evidência empírica documentada ("perna amputada, perna de volta") deve vencer objeções filosóficas abstratas como o problema do mal, o inferno e a moral sexual, que ele passa a tratar como intuições falíveis.
sim
porque é a fonte primária do caso que o Bruno acompanha e expõe com clareza a estrutura epistêmica da conversão (evidência empírica de milagres sobrepondo objeções filosóficas, com credências bayesianas explicitadas em cada etapa), material direto para discutir critérios de evidência e o argumento de vindicação confessional dos milagres.
O que foi dito
- Schmid abre dizendo que dois anos antes teria achado ridícula a hipótese de se converter, lembrando seu vídeo de doze horas refutando argumentos teístas, e admite temer perder amigos ateus e da comunidade LGBT quando a notícia sair.
- O primeiro dominó foi o argumento da harmonia psicofísica de Brian Cutter e Dustin Crummett (Oxford Studies in Philosophy of Religion): as leis que ligam estados conscientes a estados físicos poderiam ter produzido uma vida mental caótica, e a ordem que temos seria como achar imagem coerente numa tela de pixels aleatórios; ele fez sua tese de doutorado em Princeton sobre o tema e diz que amigos céticos como Amos Wollen e Matthew Adelstein caminharam junto.
- Ele reforça o ajuste fino cosmológico (constante cosmológica em uma parte em 10^120, a ilustração do dardo de Robin Collins), rejeita o multiverso por exigir ajuste fino próprio e gerar cérebros de Boltzmann, e acrescenta a harmonia nomológica e o conhecimento moral como coincidências acumuladas para o naturalista.
- Apresenta o problema do mal na forma mais dura (o elefante preso no alcatrão devorado vivo por hienas, centenas de milhões de anos de sofrimento animal como meio criador escolhido por Deus) e diz que foi isso que causou sua deconversão do catolicismo no ensino médio; descarta o desafio do deus mau de Stephen Law por falta de uniformidade e por levar a ceticismo radical à moda do gênio maligno cartesiano.
- Cameron Bertuzzi o pressionou com fenômenos demoníacos, exigindo explicação alternativa caso a caso: levitação em exorcismo, os relatos do psiquiatra Richard Gallagher (livro Demonic Foes, o caso Julia com latim e grego fluentes), o caso Roland Doe e o relatório oficial do caso Latoya Ammons em Gary, Indiana.
- Nossa Senhora de Zeitoun (Cairo, 1968 a 1971), na leitura de Travis Dumsday, virou pedra maior no sapato: milhares de testemunhas de uma figura feminina luminosa sobre a igreja copta ortodoxa, o dedo gangrenado de um operário muçulmano restaurado na véspera da amputação, curas documentadas por comissão médica copta, aves luminosas e nuvens de incenso, tudo mantido inclusive na noite em que o governo cortou a energia do bairro.
- Seguiram-se o milagre de Calanda (Juan Miguel Pellicer, perna amputada restaurada, com transcrições do processo canônico e depoimento dos próprios cirurgiões), que ele afirma ser evidência melhor do que a da ressurreição (quatro ou cinco relatos escritos décadas depois e não independentes entre si), mais os casos de cura de Barbara Snyder e de cegueira macular investigado como fraude de seguro.
- Os milagres eucarísticos foram o ponto de virada intelectual: a partir do livro de Franco Serafini (Um cardiologista examina Jesus) ele percorre Lanciano (análises de Odoardo Linoli), Tixtla, Buenos Aires (laudos de Ricardo Castañón Gómez e do patologista Lawrence, com o cardiologista Frederick Zugibe identificando ventrículo esquerdo), Sokółka e Legnica, e conclui que tecido miocárdico em sofrimento e sangue AB em hóstias, em continentes e séculos diferentes, “refuta o protestantismo”; acusa os céticos de atacar anomalias periféricas sem tocar no dado central.
- O testemunho de Adam Blai sobre uma estigmatizada contemporânea (chagas de seis polegadas surgindo toda quinta e sexta durante um ano, aramaico dialetal, odor de santidade) e depois Fátima, na reconstrução de Ethan Muse (previsão feita três meses antes, emissor luminoso não solar por trigonometria fotográfica, roupas secando em faixas, testemunhas anticlericais no jornal O Século) o convenceram de que Deus vindica doutrinas especificamente católicas: imaculada conceição, assunção, papado, rosário, intercessão dos santos.
- A conversão veio numa conversa de quatro horas com Ethan Muse sobre Padre Pio em fevereiro (estigmas examinados por sete médicos, cavidade palpável, febres de 50 graus quebrando termômetros, ausência de cicatrizes na morte), seguida de confissão de dez anos; para inferno e homossexualidade ele adota a estratégia de submeter o intelecto ao que foi vindicado por milagre, apoiado no artigo de Brian Cutter sobre inferno e proporcionalidade, no modelo de Jacques Maritain, na tese da penetração cognitiva das intuições morais, num modelo de ocultamento divino em que Deus calibra a evidência para preservar a dúvida, e nas teodiceias de Trent Dougherty e da omissão angélica de Cutter e Philip Swenson.