Joe Schmid narra como o testemunho sobre possessão e exorcismo virou a primeira "pedra no sapato" da sua trajetória rumo ao teísmo, ao perceber que só conseguia descartar relatos convergentes acusando de mentira, da poltrona, pessoas que ele nunca conheceu e sobre as quais não tinha nenhuma evidência independente. O ponto não é que os fenômenos provem a existência de demônios, mas que a estratégia cética padrão custa caro em termos epistêmicos.
talvez
o argumento epistemológico (o custo de acusar testemunhas de mentira sem evidência independente) interessa ao Bruno pela ligação com Keener e a discussão de milagres, mas isto é um corte de doze minutos do episódio 593 que só cobre a primeira etapa da conversão e deixa o argumento cumulativo para a entrevista longa.
O que foi dito
- Schmid abre dizendo que dois anos antes teria rido de fenômeno demoníaco e classificado quem leva o assunto a sério como supersticioso e primitivo, alinhando-se aos céticos sem examinar nada.
- Cameron Bertuzzi, amigo dele na época, passou a enviar entrevistas com exorcistas, ministros de libertação e pessoas que passaram por libertação, exigindo que Schmid parasse de zombar e desse uma explicação alternativa.
- Diante do relato de um exorcista sobre levitação de cerca de trinta minutos durante o rito e a ladainha dos santos, Schmid ofereceu uma disjunção de hipóteses deflacionárias: percepção equivocada, a pessoa se sustentando com o braço sob a roupa, truque, distorção de memória, confabulação ou mentira.
- Bertuzzi foi fechando cada saída, o exorcista afirmara na própria entrevista que abaixou a cabeça e viu o vão de um pé sob o corpo, e que o episódio tinha ocorrido uma semana antes, o que eliminava tanto o erro de percepção quanto o esquecimento.
- Schmid identifica então o vício do seu próprio procedimento: sobrava-lhe apenas declarar mentiroso, por adivinhação de poltrona, alguém que ele não conhecia e contra quem não tinha evidência independente de mentira, e isso o deixou desconfortável sem ainda convencê-lo.
- O caso seguinte foi o do psiquiatra Richard Gallagher (Columbia e NYU, formado em Princeton), autor de “Demonic Foes”, com recomendações de figuras graduadas da psiquiatria, trinta mil pacientes atendidos e nenhuma suspeita de influência diabólica entre os casos comuns, o que o credencia justamente a distinguir esquizofrenia, transtorno dissociativo de identidade e afins.
- Do caso Julia, Gallagher relata objetos voando pela sala em situações a sós com a paciente e uso fluente de latim e grego que ela não conhecia, línguas que o próprio Gallagher estudou em Princeton, tipo de coisa sobre a qual é quase impossível estar honestamente enganado.
- Schmid soma outros marcadores que a psiquiatria não explica (olhos ficando instantaneamente pretos ou reduzidos a fendas verdes, mudança abrupta da temperatura da sala diante de uma dúzia de testemunhas, levitação, objetos saindo das prateleiras) e conclui que descartar tudo exigiria imputar mentira ou confabulação em proporção cósmica a milhares de pessoas aparentemente honestas, com documentação contemporânea e testemunho pan-cultural.
- Matt Fradd contra-argumenta que nem ele nem a maioria dos espectadores presenciou algo assim e que não há registro em vídeo, ao que Schmid responde citando fotografias alegadas discutidas com Monsenhor Stephen Rossetti (grafia incerta), o caso Robbie Mannheim (Roland Doe), com anotações feitas na hora pelos dois exorcistas, e o caso Latoya Ammons em Gary, Indiana, onde um relatório oficial do governo registra o depoimento de enfermeiras que dizem ter visto a criança subir a parede andando de costas.
- Para explicar a raridade dos casos, Schmid esboça o que chama de modelo de ocultamento divino: demônios são agentes com objetivos, e o objetivo de manter as pessoas na descrença os leva a se esconder, e as manifestações só aparecem quando Deus as permite para libertar uma vítima, em contexto íntimo, humilhante e sem câmeras, o que deixa a evidência deliberadamente ambígua, e ele avisa que só passou a crer de fato depois de estudar os demais milagres, ponto retomado na entrevista completa.