a tese
Dois ministros do STF, André Mendonça e Flávio Dino, concentram por sorteio e por prevenção os inquéritos que atingem os dois projetos de poder da eleição de 2026, e isso recoloca o Supremo no centro da corrida presidencial num déjà-vu de 2018, não de 2022.
aprofundar
talvez
jornalismo político competente e bem cronologizado sobre a judicialização da eleição de 2026, sem qualquer ângulo teológico, útil ao Bruno apenas como pano de fundo para acompanhar a corrida.
O que foi dito
- Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a usar no inquérito sobre a ligação de Daniel Vorcaro com a família Bolsonaro os dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre Karina Gama e a Goap Entretenimento, o que reativou o caso Dark Horse.
- A cronologia recapitulada: os áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro (chamando-o de “meu irmãozão”) vazaram em maio a partir da investigação do Banco Master, e uma notícia-crime do deputado Lindbergh Farias (PT) levou André Mendonça, relator do caso Master, a consultar a PGR e abrir inquérito específico no mesmo dia 23 de julho, seguindo como relator por prevenção, não por sorteio.
- Desde então nada vazou desse inquérito, o que a apresentadora lê como sinal de que nenhum dos envolvidos quis vazar.
- A frente de Dino é outra, o inquérito das emendas parlamentares, que detectou repasses de parlamentares bolsonaristas à produtora de Karina Gama em São Paulo, empresa que também tem contratos de pontos de Wi-Fi gratuito e produziu o filme Dark Horse.
- Há três inquéritos sobre Lulinha, dois relatados por Mendonça e um por Dino, todos por sorteio, de modo que o acaso pôs os mesmos dois ministros nos casos que pautam a eleição, com Dino alinhado à ala de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes (com adesão eventual de Cármen Lúcia e Edson Fachin), Mendonça respaldado por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, e Dias Toffoli navegando entre as duas.
- A percepção pública de que a apuração sobre o filho de Lula corre mais rápido vem da intensidade dos vazamentos sobre Lulinha e da ausência de fatos novos sobre o Dark Horse; citando Carlos Andreazza no podcast do Estadão, investigação que anda costuma vazar, e é mais fácil desacelerar a apuração do que blindá-la.
- Mendonça acusa a PF de ter levado sete meses para entregar dados sobre Lulinha no inquérito do INSS, e a PF acusa Mendonça de interferir em seus trâmites internos e de vazamento.
- Flávio Bolsonaro prometeu em 19 de maio prestar contas em 30 dias dos R$ 61 milhões de Vorcaro no filme, não prestou, sua campanha disse à CNN Brasil (a Caio Junqueira) que a responsabilidade é de Karina Gama e da Goap, e a perícia que ela mesma pagou e anexou ao processo não traz nenhuma nota fiscal ou recibo.
- Lula e Flávio Bolsonaro tentam falar de economia, inflação e da jornada 6x1, também porque o eleitor está dessensibilizado para escândalos de corrupção depois de oito anos lendo a política pelos olhos da Lava-Jato, da PF e da justiça, embora as sabatinas do Jornal Nacional e novos vazamentos ainda possam mexer na corrida.
- Ao fim, contrasta com a regra informal dos 60 dias do Departamento de Justiça americano (que evita medidas ostensivas contra candidatos às vésperas da eleição, compensada por forte proteção legal a vazadores) e apresenta a proposta do sociólogo Sérgio Abranches de tirar do STF a competência criminal e transferi-la ao STJ, já que a perda de colegialidade, as decisões monocráticas e a invasão de casos criminais fizeram os ministros serem identificados publicamente por facções.