Joe Schmid, do canal Majesty of Reason, conta a Trent Horn como saiu do ateísmo naturalista para o agnosticismo e daí para o catolicismo, e sustenta que o fator decisivo não foi só a filosofia (harmonia psicofísica, ajuste fino, contingência) mas o acúmulo de relatos milagrosos com documentação médica e laboratorial. A tese mais forte do episódio é que a evidência empírica dos milagres católicos modernos (Fátima, Lourdes, Zeitoun, Padre Pio, milagres eucarísticos) é evidencialmente superior à evidência histórica da ressurreição, ainda que muito inferior em significado religioso.
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o núcleo do episódio (epistemologia do testemunho milagroso, independência probabilística entre argumentos, e a tese provocativa de que os milagres marianos e eucarísticos têm qualidade evidencial superior à da ressurreição) toca direto a fronteira entre filosofia da religião e apologética que interessa ao Bruno, e a assimetria confessional do argumento merece resposta cuidadosa de quem lê a ressurreição a partir do texto e não do laboratório.
O que foi dito
- Trent Horn abre reconhecendo Schmid como o crítico mais competente que já respondeu ao seu canal, alguém que citava literatura revisada por pares (Mackie, Oppy) em vez de objeções rasas, e diz que a postura não tribalista de ambos facilitou o diálogo, citando 2 Timóteo 2:25 sobre corrigir o adversário com mansidão.
- Schmid narra a infância católica devota (escola católica do jardim ao ensino médio, rádio católico no carro do pai, debates no Instagram desde a quarta série) e a primeira crise na oitava série, quando a evolução chocou com Gênesis, resolvida na época por Francis Collins, pelo BioLogos e pela leitura de Gênesis como gênero mitopoético já sugerida por Agostinho.
- A desconversão vem no primeiro ano do ensino médio pelo sofrimento animal ao longo da evolução (uma variante do problema do mal), reforçada pelo argumento da geografia religiosa, por listas de supostas contradições bíblicas, pelos novos ateus e sobretudo pelo debate entre Jeff Lowder e Frank Turek, que o apresentou ao método bayesiano e à obra de Paul Draper, levando-o ao naturalismo metafísico.
- A volta ao agnosticismo começa ainda no ensino médio quando Schmid descobre o canal Worldview Design de Josh Rasmussen, troca dezenas de e-mails longos com ele e mergulha em Alexander Pruss (Necessary Existence, o princípio de razão suficiente, Infinity, Causation and Paradox), somando argumentos de contingência a considerações de segunda ordem sobre a falibilidade do próprio juízo diante de filósofos teístas competentes.
- O deslocamento do agnosticismo para o teísmo, já no segundo ano do doutorado em Princeton, tem três causas declaradas: a perda de suas objeções ao ajuste fino, o argumento da harmonia psicofísica de Brian Cutter e Dustin Crummett publicado em Oxford Studies in Philosophy of Religion, e os primeiros relatos de fenômenos preternaturais que ele não conseguia descartar da poltrona.
- Schmid explica como reduziu o peso evidencial do problema do mal por disjunção de teodiceias (a vida futura dos animais em Trent Dougherty, a teodiceia das omissões de Cutter e Philip Swenson, teodiceias de multiverso, um teísmo cético moderado) e acrescenta um argumento estrutural: os argumentos ateus não são probabilisticamente independentes (uma vez aceito que Deus permite o Holocausto, males adicionais surpreendem pouco), ao passo que cada milagre novo agrava independentemente o custo do naturalismo.
- O caso empírico é detalhado: as aparições de Zeitoun no Cairo diante de multidões, curas de Lourdes com documentação médica antes e depois (a úlcera na perna de uma peregrina do século XIX e o lúpus vulgar de Marie Lemarchand, grafia incerta), os milagres eucarísticos com laboratórios cegos identificando tecido miocárdico e sangue AB, Fátima com cerca de cem mil testemunhas e o trabalho de Ethan Muse contra a réplica cética de Scott Alexander, e enfim Padre Pio (estigmas palpados por médicos, ausência de cicatrizes no dia da morte, temperaturas inexplicáveis, odor de santidade), que foi o último dominó.
- O lado afetivo da conversão vem das vidas de santos: Maria Goretti, esfaqueada aos onze anos por Alessandro Serenelli, que o perdoa antes de morrer e depois aparece a ele em sonho com catorze lírios, e Maximiliano Kolbe, que se oferece no lugar de um pai de família em Auschwitz, além de Damião de Molokai; Schmid soma a isso experiências religiosas ordinárias de convicção de pecado e chamado à santidade, e reconhece que resistia por causa do inferno, da ética sexual e da humilhação de admitir que os pais estavam certos.
- Na parte final os dois discutem por que os milagres de outras religiões não competem: ou têm explicação naturalista razoável, ou podem ser sinais divinos de compaixão sem confirmar doutrinas incompatíveis (Horn cita os dois volumes de Craig Keener sobre milagres e as curas em cultos protestantes), ou são preternaturais, filtrados pelo teste dos frutos de Jesus e pelo teste de Deuteronômio 13, que segundo eles Joseph Smith reprova e Bernadette Soubirous, os videntes de Fátima e Padre Pio aprovam; Horn remete ao seu livro When Protestants Argue Like Atheists.
- Schmid conclui que segue no quarto ano do doutorado em Princeton trabalhando com problemas de harmonia, que o canal passará a defender teísmo e catolicismo (inclusive contra o protestantismo e a ortodoxia), que anunciará um vídeo comprehensivo de cerca de seis horas com seu novo caso, e pede oração por discernimento vocacional, já que duvida do lugar de um católico conservador na filosofia acadêmica.