a tese
Trent Horn argumenta que católicos devem abandonar três acusações comuns contra Lutero (que ele removeu livros da Bíblia, que inventou o "somente a fé" em Romanos 3:28 e que mandou "pecar ousadamente"), porque não resistem ao escrutínio histórico e enfraquecem a crítica legítima à teologia luterana.
aprofundar
talvez
Vídeo honesto e bem documentado de um apologista católico fazendo autocrítica metodológica, útil como modelo de como se discute com o adversário sem strawman, mas a substância teológica da justificação fica explicitamente adiada para outros materiais dele.
O que foi dito
- Abre reconhecendo o que considera crítica justa a Lutero: o tratado “Dos judeus e suas mentiras” e a defesa da punição e execução de anabatistas por heresia.
- Primeira acusação: Lutero não removeu os deuterocanônicos. A Bíblia dele de 1534 os traz num apêndice com a nota “Apócrifos: estes livros não são tidos como iguais à Sagrada Escritura, e ainda assim são úteis e bons de ler”; a King James original também os incluía.
- Atribui a retirada efetiva desses livros ao século XIX, quando a British and Foreign Bible Society concluiu que era mais barato imprimir bíblias sem o apêndice intertestamentário.
- Adverte o próprio lado católico contra afirmar que não havia disputa sobre a canonicidade dos deuterocanônicos antes de Lutero: a dúvida vem dos comentários de Jerônimo e atravessa a Idade Média até ser decidida em Trento.
- Quanto ao Novo Testamento, mostra que Lutero manteve Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse, mas os deslocou para o fim, dizendo que “desde tempos antigos tiveram reputação diferente”; cita o prefácio de 1522 que chama Tiago de “epístola de palha” e a fala sobre a tentação de “jogar Jiminho no fogão”, alusão ao episódio do padre de Kalenberg.
- Segunda acusação: o “sola fide” em Romanos 3:28 não é invenção de Lutero. Tomás de Aquino, no comentário a 1 Timóteo, escreve “sola fide” referindo-se exatamente a Romanos 3:28, e Joseph Fitzmyer lista quase uma dúzia de fontes pré-Lutero com linguagem parecida.
- Faz a ressalva decisiva: usar a expressão “somente a fé” não prova aderir à doutrina protestante da justificação, e exibe uma citação de som luterano que é de Pelágio, além de Bento XVI admitindo a fórmula se “fé” for robusta o bastante para incluir caridade e lealdade pessoal.
- Desmonta também a imagem da “neve cobrindo o monte de esterco”, repetida por protestantes (capítulo “Luther’s Dunghill” em James White, 2001): ninguém achou a citação; o mais próximo é Lutero dizendo que nossa justiça é esterco que Deus pode adornar, sem menção à neve.
- Terceira acusação: o “pecai ousadamente” vem de carta a Melanchthon e continua “mas crede e alegrai-vos em Cristo ainda mais ousadamente”; Horn lê como hipérbole pastoral para encorajar um amigo a não temer errar na liderança em Wittenberg, apoiando-se em Eric Metaxas, e lembra que Lutero combateu os antinomianos e admitia perda da salvação por apostasia.
- Fecha pedindo cautela com fontes polêmicas, exemplificando com “The Facts About Luther” (Patrick O’Hare, 1916), cuja acusação de defesa da prostituição é falsa: Lutero exigia o fechamento de bordéis, contra a tolerância de Agostinho e Aquino.