a tese
Trent Horn expõe três pontos da doutrina mórmon que diz ter descoberto recentemente, e que submeteu a apologistas mórmons antes de publicar: o mormonismo não é integralmente pró-vida, não ensina a doutrina tradicional do inferno e revisou suas regras sobre o casamento plural eterno.
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não
É apologética católica competente e bem documentada contra o mormonismo, com a curiosidade da resposta de Jesus aos saduceus como dado contrário à teologia mórmon, mas o tema fica longe dos interesses do Bruno e nada ali toca exegese ou filosofia da religião de forma nova.
O que foi dito
- Abre com piada publicitária (nada proíbe um mórmon de assinar o podcast) e afirma que pediu revisão a apologistas mórmons para não deturpar a fé alheia.
- No primeiro ponto, mostra que o Manual Geral da igreja mórmon, embora condene o aborto eletivo por conveniência pessoal ou social, admite exceções em caso de estupro, incesto, risco à vida ou à saúde da mãe e inviabilidade do feto, sempre mediante oração e consulta a líderes, o que para ele significa permitir a morte direta de alguns seres humanos no útero.
- Relata o diálogo com o apologista mórmon Luke Hansen e observa que a igreja mórmon não explica por que o aborto é proibido por motivo social e permitido em caso de estupro, o que levou apologistas a especular com a preexistência das almas, sugerindo que nem todo feto teria alma.
- Contrapõe que a Igreja Católica não define o momento da animação: a declaração vaticana sobre o aborto provocado de 1974 diz em nota que a questão fica de lado, pois mesmo animação tardia deixa uma vida humana que já chama por uma alma, e a mera probabilidade da presença da alma basta para proibir, como seria errado demolir um prédio havendo indício de alguém dentro; o ensino infalível recai sobre a ilicitude do aborto, não sobre a animação, conforme o Catecismo.
- Formula sua objeção moral: se é errado matar por causa da pobreza, é errado matar pelo mesmo motivo de estresse no caso de concepção por estupro, e lembra que a igreja mórmon se manifestou contra a Proposição 1 de Idaho e que sua doutrina já mudou antes (ordenação de negros, poligamia), de modo que a mudança é possível.
- No segundo ponto, explica que as trevas exteriores mórmons não equivalem ao inferno cristão: são reservadas aos “filhos da perdição”, ligados ao pecado imperdoável contra o Espírito Santo, que exige conhecimento quase sobrenatural da verdade mórmon seguido de rejeição, de modo que assassinos em série sádicos que nunca ouviram as alegações mórmons não iriam para lá, mas para o reino mais baixo do céu (a legenda o chama de celestial, mas a descrição corresponde ao telestial da terminologia mórmon).
- Comenta a música “Spooky Mormon Hell Dream”, do musical The Book of Mormon, que põe Hitler, Jeffrey Dahmer, Gengis Khan e Johnnie Cochran no inferno mórmon, e diz que é teologicamente imprecisa, concluindo que a soteriologia mórmon fica mais perto do universalismo, com um inferno temporário à maneira de purgatório, e cita um presidente da igreja (a legenda escreve “Richard Kimell”, provavelmente Spencer W. Kimball) dizendo que o pecado contra o Espírito Santo é impossível para a massa dos fiéis.
- No terceiro ponto, reconstrói a história do casamento plural: a revelação de Joseph Smith em 1843 (Doutrina e Convênios 132), as ao menos 33 esposas seladas a ele segundo o historiador mórmon Todd Compton, a Declaração Oficial 1 de Wilford Woodruff em 1890, redigida no presente e como submissão à lei civil sem declarar a prática errada, e a negativa categórica de Gordon Hinckley em 1998.
- Mostra que a poligamia eterna permanece na prática do selamento: viúvo pode ser selado a outra mulher, viúva só após cancelamento do selamento anterior, e o manual atual (contra o de 1976) permite selar uma mulher falecida a todos os maridos legais, desde que todos estejam mortos, e fecha com a pergunta dos saduceus (Marcos 12) e a resposta de Jesus de que na ressurreição não se casam nem são dados em casamento, argumentando que o casamento é sacramento, sinal que aponta para o céu e que cessa ao chegar lá.