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VAI FICAR INSUPORTÁVEL, MAS PASSA...

a tese

Victor Fontana argumenta que os dois meses de campanha eleitoral serão insuportáveis e devem ser atravessados sem romper amizades, porque o voto é estruturalmente insuficiente para o chamado "voto consciente" e a ação pública local da igreja pesa muito mais do que a urna. Na segunda metade a live vira sessão de perguntas, com blocos densos sobre excelência ministerial, capitalismo em Max Weber e o método teológico de Wolfhart Pannenberg.

aprofundar

talvez

porque dois terços da live são conjuntura eleitoral e aconselhamento pastoral de baixo interesse para o Bruno, mas o bloco final sobre o método teológico de Pannenberg e a aula sobre Weber e crítica cristã ao capitalismo têm densidade suficiente para virar uma discussão avulsa.

O que foi dito

  • Fontana abre a live atrasado (contando que estava com Gutierres Fernandes Siqueira) e anuncia que não declarará voto nem falará de política partidária, propondo como tese que a ação pública contínua no bairro e na cidade vale mais do que o dia da urna.
  • Sustenta que o voto para as casas legislativas é voto em partido e não em pessoa, que ninguém tem o pacote de informações necessário para julgar candidato, partido e grau de compromisso dos mais viáveis, e usa o garimpo na Amazônia como exemplo de política pública que o eleitor do Sul desconhece mas que o afeta pelo desmatamento e pelos eventos climáticos extremos.
  • Relativiza também o voto presidencial (Banco Central independente desde Michel Temer funciona como contrapeso à política fiscal, e ninguém sabe que juízes o candidato indicaria ao STF) e o voto para senador, cargo de oito anos com muitos privilégios e pouca cobrança; conclui que o voto mais decisivo estatisticamente é o de vereador em cidade pequena.
  • Desenvolve o argumento de segurança pública distinguindo segurança de sensação de segurança: lugar que parece perigoso deixa de ser ocupado, esvazia e se torna perigoso de fato (profecia autorrealizada), daí defender postes baixos abaixo da copa das árvores iluminando a calçada, e observa que a igreja pentecostal com culto todo dia povoa a rua e intimida o crime, enquanto a igreja histórica fechada durante a semana cria um quarteirão ermo.
  • Classifica em quatro os modos de um pastor se relacionar com política nas redes: declarar voto (não faz, não julga), declarar apoio pedindo voto para alguém, prostituir o púlpito dizendo qual é o “candidato de Deus” (que chama de blasfêmia) e a dissimulação de quem nega fazer política partidária mas reproduz no púlpito o discurso de campanha sob o rótulo de princípios cristãos, para ele a pior de todas por usar a ambiguidade como inimputabilidade.
  • Ataca o que chama de “tribunal de minúsculas causas” (boicote às Havaianas e ao Burger King, família na caneca, e do outro lado o episódio de Kéfera acusando de mansplaining um homem da plateia), argumentando que esse tipo de sinalização de pertencimento gera rejeição no espectador neutro e é contraproducente.
  • Responde a um espectador que acusa o Estado de corromper os jovens comparando a acusação à de Meleto contra Sócrates: o problema não é a escola estatal (que sequer é obrigatória, dada a existência de escolas privadas e confessionais, com elogio ao sistema Mackenzie por baratear ensino confessional) mas a falta de repertório cultural que deixa o brasileiro à mercê da cultura da ostentação e do jogo do tigrinho.
  • Nas perguntas do Instagram trata da moda de renunciar ao esmalte (“não acho que foi Deus que pediu”, mais um tribunal de minúsculas causas, contra um Deus que pede renúncias éticas de verdade), do perfeccionismo espiritual (soteriologia bagunçada, TOC religioso que exige profissional de saúde mental, e o trinômio da excelência ministerial que defende em posfácio: epistemologia, ética e estética, verdadeiro, bom e belo), do arrependimento com recaída versus o pecado mantido na prática, e aconselha um espectador preso a uma denominação sectária a honrar o casamento e criar rede com quem já saiu.
  • Trata Caçadores de Deus, de Tommy Tenney, como herético por premissa gnóstica (um Deus escondido a ser encontrado em migalhas, e não o Deus que se revelou e se entregou), lendo junto a letra de “É proibido pensar”, de João Alexandre, com suas farpas à Renascer e ao ministério de Ana Paula Valadão.
  • Dá uma aula sobre capitalismo em Max Weber, listando os cinco traços do capitalismo moderno racional (empresa contínua separada da casa, cálculo racional em dinheiro, trabalho formalmente livre, mercado pacífico e previsível, rotina metódica e burocratizada) para mostrar que o cristão pode criticá-lo sem ser marxista, apontando que a direita atenta contra o quarto item (Brexit, tarifas) e indicando O homem e o dinheiro, de Jacques Ellul, A estetização do mundo, de Gilles Lipovetsky, e A imaginação profética, de Walter Brueggemann, cujo prefácio na edição brasileira é dele.
  • Encerra com duas respostas teológicas: Pannenberg não era liberal mas antiliberal, com a ressurreição como centro escatológico da sistemática, começando pela discussão da verdade contra a rejeição liberal do dogmático e do sobrenatural, mantendo o método histórico-crítico na exegese e se afastando também da neo-ortodoxia de Barth e do existencialismo de Bultmann (por isso rotulado pós-barthiano); e propõe uma leitura guiada de Igreja Centrada, de Timothy Keller, como resposta ao pragmatismo religioso da igreja brasileira.

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