a tese
A sabatina de Ronaldo Caiado no Jornal Nacional expôs um candidato que não sabe operar sob pressão jornalística, foge da pergunta sobre a anistia e defende uma cabeça conservadora e estatista que aprendeu a lição errada da história brasileira. Na mesma semana, Lula se blinda das perguntas sobre Lulinha, Flávio Bolsonaro chega ao Nordeste com palanque esvaziado e a reforma tributária vira alvo eleitoral apesar de ser o melhor ativo técnico do governo.
aprofundar
talvez
porque o conteúdo é análise eleitoral densa e bem informada, útil para o Bruno acompanhar a disputa e o peso do eleitorado evangélico de periferia apontado como decisivo, mas sem qualquer camada teológica.
O que foi dito
- Flávia Tavares abre dizendo que Caiado não entendeu o espírito da sabatina do Jornal Nacional, fugiu da pergunta sobre anistiar os condenados pela tentativa de golpe comparando o caso com a anulação das condenações de Lula no STF, e se irritou quando Renata Vasconcellos e César Tralli pediram detalhes do plano de governo, reagindo com “isso aqui não é uma banca examinadora” depois de 40 anos de vida pública.
- O analista político Mano Ferreira (grafia incerta) avalia que Caiado se preparou para uma entrevista de 1989, quando as perguntas eram principiológicas, e nota a contradição de ele buscar o voto reformista enquanto ataca a reforma tributária e trata Bernard Appy como inimigo pessoal, ao mesmo tempo em que invoca Paulo Tafner para se esquivar da reforma da previdência.
- Ambos apontam que nenhum candidato encara o gargalo fiscal real, a vinculação do salário mínimo à indexação da previdência, que faz os gastos obrigatórios crescerem acima da economia, e que Renan Santos é o único a defender abertamente a desindexação e o fim dos gatilhos automáticos de saúde e educação.
- Pedro Doria argumenta que, fora do eixo Rio, São Paulo e Brasília, só Pernambuco e Rio Grande do Sul formam jornalismo de primeira divisão, o que permitiu a Caiado e Romeu Zema fazerem carreiras inteiras em Goiás e Minas sem nunca serem de fato pressionados, e lembra que grupos de foco de 2018 e 2022 mostram que o público culpa os jornalistas por interromper, não o candidato por enrolar.
- Doria descreve Caiado como conservador clássico que acredita em autoridade e em estado indutor, com JK como modelo e uma linhagem familiar de mando em Goiás (o avô Totó Caiado cercou e tomou a antiga capital com jagunços), e sustenta que ele aprendeu a lição errada: JK anistiou os golpistas de 1955 e de Aragarças e ainda teve Jacareacanga e o golpe de 1964 na sequência, assim como as anistias de 1922 e 1924 desembocaram em 1930, 1937 e na ditadura.
- A ordem sorteada das sabatinas põe Renan Santos na quarta, Lula na quinta, Flávio Bolsonaro na sexta e Augusto Cury no sábado, e a bancada aposta que Lula vai flutuar com os 35% que já são dele, enquanto Flávio pode desmontar sob pressão, já que terá de responder ao mesmo tempo pelo golpe, pelo caso Daniel Vorcaro e por um plano de governo que foi montado por Rogério Marinho e Daniela Marques sem participação dele.
- Sobre o filme Dark Horse, a bancada aponta que Flávio se recusa a prestar contas dos 10 a 12 milhões de dólares (de 25 oferecidos), que a perícia anexada por Karina Gama foi paga por ela mesma e não traz notas fiscais nem recibos, e que o dinheiro foi para um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, não para a produtora.
- Flávia Tavares revela que o Meio convidou os cinco principais candidatos e foi recusado por PT, Flávio e Renan Santos, e Doria afirma que a assessoria de Lula não quer expor o presidente a ser cobrado sobre Lulinha. Ela cita a pesquisa Quest, em que 41% dizem se informar mais por redes sociais contra 36% por televisão, com o público de Lula concentrado na TV e o de Flávio nas redes.
- No bloco sobre palanques, o PL sai de candidato próprio em oito dos nove estados do Nordeste em 2022 para apenas três agora, com o centrão declarando neutralidade, e a leitura é que políticos tradicionais como Mendonça Filho, Alfredo Gaspar e Arthur Lira usam a sinalização bolsonarista como atalho para capturar o eleitor de direita de nicho (15 a 20% da região, antipetista e não bolsonarista) sem somar votos para Flávio. A eleição, dizem, se decide no voto urbano de São Paulo, Rio e Minas, com risco alto de abstenção e voto nulo entre liberais jovens ressentidos com o governo Lula e preocupados com mais quatro indicações ao STF.
- A economista Débora Bizarria antecipa o panorama do Meio sobre os cinco planos de governo e diz ter se surpreendido com o programa social de Caiado, o mais baseado em evidências da literatura acadêmica, que ele não vendeu na sabatina. Em seguida ela rebate o vídeo de Nikolas Ferreira contra a reforma tributária, mostrando que o split payment é adesão voluntária de grandes empresas a partir de janeiro, que a escolha entre Simples e sistema híbrido depende do tipo de cliente e não da alíquota, e que o fim da guerra fiscal obriga governadores a competir por ambiente de negócios. O programa encerra com a notícia do espancamento de um estudante bolsonarista no IFCS da UFRJ, que Doria trata como sintoma da deterioração da tolerância.