a tese
A apresentadora Cora descobre que dois livros indianos que guarda há décadas, sem saber, são obras de um casal: o romance "Deus das Pequenas Coisas", de Arundhati Roy, e o guia de árvores de Nova Déli, escrito por Pradip Krishen (grafia incerta), marido dela, cujo projeto só foi possível com o dinheiro do Booker Prize do romance.
aprofundar
não
canal de curadoria literária secular sem conexão com o campo de trabalho do Bruno.
O que foi dito
- Cora leu “Deus das Pequenas Coisas” logo após o lançamento em 1997, quando o livro ganhou o Booker Prize, prêmio que ela acompanha como critério de leitura por sua consistência histórica.
- Em viagem à Índia por volta de 2010-2011, ela comprou na livraria Bahrisons Books (grafia incerta), em Nova Déli, um guia de árvores da cidade escrito por Pradip Krishen (grafia incerta), sem saber da conexão com Roy.
- Os dois livros ficaram na estante dela por anos até que, no início de 2026, ela leu as memórias de Arundhati Roy, “My Homes, My Haunts” (traduzido como “Meu Abrigo Me Atormenta”), publicadas pela Editora Record com tradução de Fernanda Abreu.
- Nas memórias, Roy revela que o dinheiro do Booker Prize permitiu ao então marido Pradip Krishen realizar o sonho de catalogar as árvores de Nova Déli, financiando o guia que Cora havia comprado sem saber dessa ligação.
- As memórias também mostram que “Deus das Pequenas Coisas” é muito mais autobiográfico do que parece: as histórias de crueldade, abuso e disfunção familiar que o leitor toma por ficção com realismo mágico aconteceram de fato com Roy e sua mãe Mary.
- A mãe de Roy, Mary, saiu de um casamento violento, foi expulsa de uma herança familiar por ser mulher (conforme legislação que excluía filhas na tradição cristã síria da Índia), lutou na Justiça, ganhou e anos depois expulsou o próprio irmão da casa disputada.
- Cora descreve Mary como ao mesmo tempo uma sobrevivente formidável e uma mãe cruel, que nunca acolheu nem declarou amor à filha, gerando uma família que ela resume com uma palavra: cruel.
- O segundo romance de Roy, “O Ministério da Felicidade Suprema”, é avaliado por Cora como decepcionante e castrado pelo viés político da autora: personagens às margens da sociedade são tratados como inteiramente virtuosos, os demais como inteiramente vis.
- Cora recomenda ler “Deus das Pequenas Coisas” antes das memórias, para não perder o impacto da ficção; o guia de árvores ela não recomenda fora da Índia, por ser de venda local.