a tese
Paulogia (Paul Ens) entrevista o biblista Craig Evans, muito citado por apologistas sobre o sepultamento de Jesus, e conclui que Evans concorda que, sem a história de José de Arimateia, o destino mais provável do corpo de Jesus seria um enterro anônimo e não lembrado, exatamente a tese cética que Paul defende.
aprofundar
talvez
Toca de perto o debate historicidade da ressurreição e sepultamento que interessa ao Bruno na fronteira apologética-ceticismo; útil como material se ele quiser mapear a concessão de um scholar conservador, mas é entrevista de divulgação, não argumento novo.
O que foi dito
- Abre com uma montagem de apologistas invocando “Craig Evans” como autoridade, e enquadra a entrevista dentro da divulgação da conferência New Insights into the New Testament (25 a 27 de setembro), sobre apócrifos e cânon.
- Evans ataca Bart Ehrman por concluir que Jesus provavelmente não foi sepultado sem engajar um único arqueólogo (nem Jodi Magness, colega dele, nem Eric Meyers, Byron McCane, Jim Strange), e defende que negar que se soubesse onde Jesus foi enterrado é implausível.
- Evans argumenta que arqueólogos judeus não cristãos (Gabby Barkay, Ronny Reich, Rami Arav) usam Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos e Josefo como cinco das seis fontes primárias porque são precisas, não por preconceito canônico, enquanto ninguém usa o Evangelho de Tomé, de Pedro ou o Secret Mark.
- Sobre a citação que os apologistas mais exploram, Evans esclarece que dizer que os relatos evangélicos são “consistentes com” a evidência arqueológica não prova sua historicidade, só mostra que o autor conhecia como os judeus de Jerusalém sepultavam seus mortos; Magness, dada por ele como aliada arqueológica, recua no mesmo ponto.
- Sobre os dois ladrões crucificados, Evans admite que muito provavelmente foram para valas comuns dos executados (podendo ser simples trincheiras, não túmulos escavados na rocha), e que o corpo de Jesus teria ido para lá também não fosse a intervenção de José de Arimateia, movido por piedade.
- Paul pressiona no direito romano: a Digesta (48.24.1) diz que corpos de crucificados eram devolvidos aos parentes sob permissão, exceto em casos de alta traição; Evans concede que alta traição ficaria fora da norma, mas nega que a acusação contra Jesus se enquadrasse como tal.
- Evans apoia o costume judaico de sepultar todos, mesmo criminosos e crucificados, em Josefo (Guerra Judaica 4) e em Deuteronômio 21 (santidade da terra), e defende Pilatos como governador político e astuto, não o carniceiro de John Dominic Crossan, cujo longo mandato de 11 anos indica cálculo.
- Evans adianta sua palestra “Forged”, com uma terceira hipótese sobre o Secret Mark: Morton Smith não o falsificou, mas o texto também não é original, e Smith teria mentido sobre quando e onde o achou.
- No comentário final Paul crava sua “minimal witnesses hypothesis”: o mais esperado seria um descarte anônimo do corpo, a história de José de Arimateia parece invenção post hoc, e a única razão de Evans discordar dele é a confiança nos evangelhos, não evidência arqueológica.