a tese
Paul Ens resenha o volume 4 de On the Resurrection, de Gary Habermas, e conclui que o livro abandona o método dos fatos mínimos, apoia toda a teologia derivada no princípio de que "Deus não ressuscitaria um herege", usa os Evangelhos sem crítica e ainda reescreve a história da série ao declarar que aparições em grupo e corporeidade sempre foram fatos mínimos.
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talvez
A resenha é longa e militante, mas tem dois pontos com substância exegética que interessam ao Bruno: a acusação de incoerência sobre γενεά em Marcos 13:30 e paralelos, e a prova documental de que Habermas deslocou as aparições em grupo para dentro dos fatos mínimos, o que merece conferência nas próprias notas do volume 1 e em Licona.
O que foi dito
- Abre com duas frases do próprio volume que se contradizem (Escritura usada sem distinção de peso versus série construída só sobre dados aceitos por quase todos os estudiosos), ironiza o argumento por contagem de páginas (o volume tem 704 páginas, mas o texto acaba na 360) e registra solidariedade a Habermas, cuja segunda esposa, Eileen, enfrenta câncer de pâncreas.
- Mostra que a expressão “minimal facts” aparece cerca de 168 vezes no volume 1 e só nove no volume 4, duas delas no endosso de Dale Allison, e reconstrói o argumento do livro em oito premissas, da ressurreição até a eficácia das práticas cristãs, observando que a independência da confiabilidade dos Evangelhos era o que tornava o método interessante.
- No capítulo 1, o argumento “prospectivo” para o teísmo recicla o argumento da razão de C. S. Lewis, o Kalam de William Lane Craig, o design de Behe, Jaki e Hugh Ross e as experiências de quase morte, e Ens contesta cada um (seleção natural favorece crenças verdadeiras, Big Bang não é saída do nada, Behe no julgamento de Dover, a poça de Douglas Adams).
- Sobre as EQMs, desmonta os oito casos escolhidos: Pam Reynolds (cronologia de Keith Augustine), a menina afogada cujo artigo de 1983 não traz o frango com arroz, casos anônimos, o relato de terceira mão e A. J. Ayer, que se retratou na Spectator, além dos estudos AWARE e AWARE II sem nenhum alvo visual identificado.
- O argumento “retrospectivo” (Deus não ressuscitaria um herege, logo endossa o ensino de Jesus) é tratado como petição de princípio sobre a psicologia divina, contrariado por Deuteronômio 13 (sinais verdadeiros a serviço de falso profeta) e dependente de saber com segurança o que Jesus disse.
- Nos capítulos 2 a 5, Ens aceita os critérios de múltipla atestação e dissimilaridade para Jesus de Nazaré como profeta apocalíptico, mas diz que os ditos aprovados são subdeterminados para a reivindicação divina, que os milagres não passam pelos mesmos critérios, e aponta uma contradição sobre γενεά em Marcos 13:30 (geração presente em Marcos, mas não para Lucas e Mateus), além do uso silencioso de Marcos 9:1.
- No capítulo 6, sobre o céu, acusa Habermas de contrabandear textos contestados (as alterações de Lucas em Marcos 12, as ovelhas e os bodes de Mateus, o peixe de Lucas 24, Tomé em João 20, o túmulo vazio) e de afirmar numa nota que aparições em grupo e corporais sempre integraram os fatos mínimos, o que Ens refuta com a nota 55 do capítulo 5 do volume 1 e com a réplica de Mike Licona, que as deixava fora do “historical bedrock”.
- A segunda parte é devocional por confissão do autor (pensamento positivo, terapia cognitivo-comportamental, Filipenses 4:6-9), usa casos de aconselhamento declaradamente fictícios, classifica a dúvida em factual, emocional e volitiva sem espaço para o cético informado, e admite evidência de martírio só para Pedro, Tiago e Paulo, a mesma lista da hipótese das “testemunhas mínimas” de Ens.