a tese
O Central Meio sustenta que o relatório de 218 páginas da PF sobre o Banco Master mostra Alexandre de Moraes em comunicação sigilosa com Daniel Vorcaro e beneficiado materialmente por ele, enquanto o PGR Paulo Gonet, também citado, agiu para invalidar as provas, escancarando uma guerra dentro do STF a um mês das eleições.
aprofundar
talvez
Denso em fatos (datas, valores, nomes) do relatório da PF, útil como contexto; a segunda metade é mais opinião. Só vira sessão do Bruno se ele quiser destrinchar o caso a fundo.
O que foi dito
- Pedro Doria abre o programa (02/09/2026) com a bancada e enquadra o caso Banco Master como guerra aberta entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, com Gonet no meio, precedida de semanas de vazamentos e troca de delegados na PF.
- A bancada cita reportagem de Bela Megali (O Globo) de que Vorcaro também depôs no gabinete de Mendonça, relator do caso, sem a presença da PF, o que alimenta a suspeita de negociação direta de uma nova delação premiada.
- Doria resume o relatório da PF, entregue a Mendonça em 27/08 e tornado público na terça (01/09): Vorcaro e Moraes se comunicavam escrevendo no bloco de notas, tirando print e enviando por WhatsApp com visualização única; como Vorcaro não apagou as imagens, a PF recuperou o que ele enviou (não as respostas de Moraes).
- Cita mensagens concretas às vésperas da prisão de Vorcaro (17/11): “marcado amanhã lá em casa”, perguntas sobre conseguir “algo” e sobre precisar fugir do país, e o aviso de que estava em voo.
- Segundo a PF, Vorcaro discutiu com Moraes a deflagração da operação Compliance Zero e pediu que ele “reforçasse com Andrei e com Paulo”, isto é, Andrei Rodrigues (PF) e Paulo Gonet (PGR), para adiá-la ou amenizá-la.
- Benefícios materiais à família Moraes descritos no relatório: o ministro teria editado pessoalmente um contrato do escritório da esposa e dos filhos (Barce de Moraes) na casa do milhão, além de um segundo contrato milionário, cotas de um jato Legacy 650 e cartões de R$ 300 mil para cada filho; o gabinete confirmou a edição do contrato alegando checar conflito de interesses.
- Gonet também aparece comprometido: teria pedido para incluir o filho numa degustação milionária de uísque MacAllan em Londres e aparece em foto de férias com Vorcaro; depois do relatório, declarou em bloco que nenhuma prova da PF é válida, inclusive as que o atingiam.
- Sobre Mendonça, a bancada pondera que ele não é herói: o único encontro documentado com Vorcaro está na agenda oficial, mas ele age movido pela disputa de poder com Moraes, não por probidade.
- Débora Bizarria lê a crise como perigo existencial para a democracia: quando polícia, Ministério Público e Judiciário parecem todos comprometidos, a sociedade perde referência institucional.
- A bancada lembra reportagem da Piauí de que Flávio Bolsonaro recebeu mais 1,6 milhão de dólares de Vorcaro em outubro de 2025 (dos 25 milhões prometidos à família, 14 já teriam sido entregues), e levanta que Eduardo Bolsonaro teria ido aos EUA para gerenciar esse dinheiro.
- Doria endossa o pedido de Paulo Pimenta para Mendonça tirar o sigilo de toda a investigação, mas cobra simetria: o mesmo para o INSS, o lobby de Fábio Luís (Lulinho) e conversas no Planalto, defendendo que o eleitor tem direito de saber tudo a um mês do voto.
- Doria pede a renúncia de Moraes (posição que atribui também a Folha e Estadão) e fecha propondo um novo pacto nacional nos moldes de uma comissão à la Afonso Arinos, perguntando quem seria o Tancredo capaz de costurá-lo.