a tese
Trent Horn sustenta que três "coincidências" cósmicas (o ajuste fino do universo, a existência de fatos morais objetivos e a recorrência de milagres) somadas tornam o ateísmo uma aposta improvável, no espírito da frase de Goldfinger: uma vez é acaso, duas é coincidência, três é ação inimiga.
aprofundar
talvez
Boa síntese da tríade ajuste fino/moral/milagres com fontes citáveis (Mackie, Street, Cutter e Crummett, Keener, que o Bruno tem no acervo), útil para filosofia da religião; o viés é apologético-católico e os exemplos morais são retóricos, então serve mais como mapa de argumentos e bibliografia do que como análise a ser adotada.
O que foi dito
- Coincidência nº 3, ajuste fino: retoma Paley e sustenta que a evolução não dissolve o argumento, porque as constantes físicas caem numa faixa permissiva ínfima; cita Vilenkin sobre a constante cosmológica e Susskind sobre a baixa entropia inicial, e compara as chances a ganhar dez mãos seguidas de royal flush (ordem de 1 em 10^136).
- Rebate a objeção antrópica (“se não fosse ajustado não estaríamos aqui”) com a analogia dos cinquenta atiradores que erram, e observa que até Dawkins reconhece a força do argumento; acrescenta o argumento mais novo da “harmonia psicofísica” de Brian Cutter e Dustin Crummett sobre a ligação precisa entre estados físicos e conscientes.
- Coincidência nº 2, fatos morais: concede que dá para ter moral sem Deus como regras acordadas (como no futebol), mas o problema é a obrigatoriedade de fatos morais que não vêm dos humanos; cita Sinnott-Armstrong sobre a necessidade de intuições morais basilares e Mackie, que admitia serem propriedades morais “estranhas” e improváveis sem Deus.
- Usa o argumento de desmascaramento evolutivo (a “dilema darwiniano” de Sharon Street) de forma invertida: ele ameaça o realista moral ateu, não o teísta, que tem em Deus o fundamento e a garantia de acesso aos fatos morais.
- Empilha exemplos de casos morais “não básicos” difíceis de fundamentar sem Deus (McMahan sobre matar um recém-nascido órfão para salvar três crianças, Singer e Benatar sobre bestialidade e necrofilia), argumentando que ateus consequentes têm de “morder a bala”.
- Coincidência nº 1, milagres: diz ter sido antes cético quanto a usar milagres, lembra a “história da lata de lixo” de Licona no debate com Dillahunty, mas conclui que, tabuladas todas as alegações, seria coincidência colossal se toda uma fossem falsas, o que o ateísmo exige.
- Alinha isso à conversão de Joe Schmid ao catolicismo: a teologia católica acomoda milagres de outras religiões (explicação natural, gesto de amor divino sem endosso doutrinário, ou imitação demoníaca), e distingue milagres de abduções alienígenas por difusão, testemunho em massa (Fátima, Zeitoun), evidência física (milagres eucarísticos) e probabilidade prévia.
- Fecha remetendo às duas obras de Craig Keener sobre milagres e ao material de sete e dez horas de Schmid sobre sua reversão ao catolicismo.